João Carlos Quelhas, ligado à Revista Repórter X, voltou a lançar duras críticas à forma como certos encontros dirigidos aos emigrantes portugueses na Suíça estão a ser conduzidos, considerando que muitos deles servem apenas para “mostrar trabalho sem trabalho”, esquecendo aqueles que mais precisam de ajuda.
Num texto dirigido ao Cônsul de Portugal, Dr. Gonçalo Motta, Quelhas questiona directamente o silêncio institucional e deixa uma crítica pesada aos eventos centrados apenas na prevenção.
“Estou a ponderar ir a outro evento reproduzido para o inglês ver, no qual a prevenção é fundamental, mas acudir aos Lesados da SUVA, da KESB e outros problemas com os nossos emigrantes é mais importante, e por isso queria tentar mobilizar algumas pessoas através da Revista Repórter X, mas para isso temos de ter voz”, escreveu.
Segundo Quelhas, existe um profundo descontentamento entre mais de quinze pessoas acompanhadas pela Revista Repórter X, sobretudo depois de representantes dos Lesados e representantes das Mães não terem tido oportunidade de falar nem de ler os textos preparados para expor os seus problemas.
O autor considera que estes encontros acabam por ignorar os emigrantes mais afectados, defendendo que a prevenção deve ser realizada pelas próprias empresas, sindicatos, SUVA e instituições responsáveis, “em sede própria”, e não substituindo o acompanhamento humano e concreto de quem já se encontra Lesado.
No texto, Quelhas deixa ainda a ideia de que alguns convidados presentes nos eventos terão sido escolhidos para defender instituições criticadas e “distorcer” a realidade dos problemas relatados pelos emigrantes.
“Foi pela nossa coragem que conseguimos ter alguma voz, incomodando em vez de sermos aplaudidos”, afirma.
A Revista Repórter X defende que os Consulados e a Embaixada deveriam organizar reuniões específicas para ouvir directamente os Lesados, sem ambientes fechados, convidados seleccionados ou encontros sociais que, segundo o autor, acabam por servir apenas de montra pública sem consequências práticas para quem sofre.
O texto refere também que alguns emigrantes ponderam avançar com um abaixo-assinado dirigido ao Embaixador e ao Cônsul de Portugal, exigindo mais atenção aos casos sociais e humanos ligados à emigração portuguesa na Suíça.
A crítica estende-se igualmente à tradução utilizada durante um dos encontros. Quelhas considera que o tradutor deveria ser português, alegando diferenças de grafia e dialecto em relação ao português do Brasil.
Entre revolta, desilusão e sentimento de abandono, permanece uma acusação dura, a de que muitos emigrantes Lesados continuam sem respostas enquanto se multiplicam eventos públicos que, segundo os críticos, pouco mudam na vida real daqueles que mais precisam de ajuda.
autor: Quelhas
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