Se a Maria da Fonte cá estivesse, já tínhamos feito uma revolução contra os Cabrais!
Quando a política começa a vender títulos em vez de resolver problemas reais, o povo deve parar, pensar e perguntar quem ganha verdadeiramente com o espectáculo.
Antes das eleições há promessas, discursos, sorrisos e palavras bonitas. Depois das eleições, muitas vezes fazem o que bem entendem, como se a voz do povo servisse apenas para colocar papéis nas urnas e desaparecer logo a seguir no silêncio dos gabinetes.
E é precisamente aqui que nasce a desconfiança de muitos povoenses perante esta conversa da passagem da Póvoa de Lanhoso de vila a cidade.
Para muitos, isto não passa de marketing político. Um brilho artificial usado por quem está instalado na Câmara Municipal para criar impacto mediático, apresentar obra simbólica e alimentar uma imagem de progresso que, na prática, pode não mudar absolutamente nada na vida real das pessoas.
A Junta de Freguesia deve ter cuidado para não se vender a este tipo de estratégia, mesmo que a tentem envolver directamente no processo. Porque envolver instituições locais também pode servir para repartir responsabilidades e criar a ilusão de consenso popular. E quando a política começa a trabalhar mais a aparência do que a substância, nasce aquilo que o povo conhece há séculos, a velha arte de iludir sem resolver.
Mas o povoense não nasceu ontem.
João Carlos Quelhas, da Revista Repórter X, acredita que ainda existe muita gente na Póvoa de Lanhoso com capacidade de raciocínio, memória e sentido crítico para não se deixar ludibriar por palavras cuidadosamente embrulhadas em promessas de modernidade.
Porque seguindo o próprio raciocínio apresentado pelos defensores da medida, surge uma pergunta simples e dura.
Se dizem que vai ficar tudo exactamente igual, os impostos, os apoios, o estatuto de baixa densidade e até a organização administrativa, então afinal para quê esta pressa toda em mudar o título?
Dizer que tudo ficará na mesma e ao mesmo tempo defender a necessidade urgente da passagem a cidade soa, para muitos, a conversa contraditória. Porque é impensável acreditar que uma alteração desta dimensão exista apenas para colocar uma palavra diferente nas placas e nos documentos oficiais.
E se realmente não houver vantagens concretas para a população, então mais vale estarem quietos.
Uma terra não cresce por decreto.
Não é a palavra “cidade” que cria empregos, fixa jovens, melhora acessos, combate o abandono ou traz riqueza às famílias. O progresso verdadeiro constrói-se com indústria, comércio, habitação, serviços, investimento sério e condições de vida dignas.
Caso contrário, corre-se o risco de transformar uma identidade histórica num simples cartaz político de ocasião.
E o povo, esse velho juiz silencioso das terras minhotas, pode até ouvir tudo, mas nem sempre acredita em tudo aquilo que lhe querem vender.
Revista Repórter X / Repórter Editora
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