Nas últimas semanas, sindicatos, federações de trabalhadores e associações patronais concluíram as negociações salariais para 2026 em vários setores de atividade na Suíça. Ao contrário do otimismo de 2024 e 2025 — anos em que se tinha conseguido recuperar parte do poder de compra perdido durante o pico inflacionista de 2021-2023 —, os resultados para 2026 são considerados insuficientes pelas próprias organizações sindicais.
Um “inverno salarial” morno
Segundo a Travail.Suisse, a maior organização sindical independente da Suíça, os salários reais praticamente não aumentaram na última década, e as negociações para 2026 alcançaram apenas ligeiros aumentos dos salários reais, ao mesmo tempo que o número de negociações fracassadas foi claramente superior ao dos anos anteriores. Em mais de metade dos contratos com aumentos gerais negociados, o reforço salarial não chega sequer a compensar a subida de preços: segundo a rádio-televisão pública RTS, apenas 9% das negociações resultaram numa subida superior a 1%.
Thomas Bauer, responsável pela política económica da Travail.Suisse, resume assim o balanço: a evolução dos salários reais mantém-se fraca, apesar de os empregadores voltarem a registar ganhos mais elevados por hora trabalhada, e após dois anos comparativamente melhores, os resultados de 2026 voltam a ficar aquém do necessário. Yvonne Feri, presidente do sindicato Syna, compara a situação de muitos trabalhadores a uma escada rolante que anda ao contrário: precisam de aumentos reais apenas para não verem o seu poder de compra diminuir todos os anos, à medida que o custo de vida — sobretudo os prémios do seguro de doença — continua a subir.
Porque correu pior do que o esperado
Na primavera de 2025, a Travail.Suisse tinha reivindicado um aumento salarial nominal médio de 2% para 2026, o que — com uma inflação prevista de cerca de 0,5% — se traduziria numa subida real de cerca de 1,5%, permitindo recuperar praticamente o nível de poder de compra anterior à pandemia. As negociações de outono, contudo, coincidiram com a entrada em vigor de novas tarifas aduaneiras dos EUA sobre exportações suíças (39%), que atingiram duramente a indústria de exportação e reduziram a margem de manobra das empresas para conceder aumentos. A União Patronal Suíça defendeu, por isso, uma abordagem moderada, alegando a necessidade de preservar postos de trabalho num contexto de choque externo de custos.
O resultado: os empregadores recorreram cada vez mais a aumentos salariais individuais ou a pagamentos únicos, em detrimento de aumentos gerais para todos os trabalhadores — uma tendência que, segundo os sindicatos, penaliza sobretudo quem já ganha menos.
Onde houve boas notícias
Nem tudo foi negativo. Registaram-se aumentos ligeiramente acima da média em setores como a saúde (entre 0,3% e 1,1%) e os transportes públicos. Os trabalhadores de setores de baixos salários, como os cabeleireiros, continuam a beneficiar dos salários mínimos renegociados em anos anteriores. E no setor da técnica de edifícios (instalações sanitárias, canalização, aquecimento), foi negociado um novo modelo de pré-reforma que permitirá aos trabalhadores com pelo menos 15 anos de antiguidade no setor reformar-se antecipadamente a partir de 2028.
Já nos transportes de mercadorias por via férrea (Coop) e nas lojas de estações de serviço, os acordos ficaram-se por aumentos modestos dos salários mínimos (por exemplo, CHF 100 mensais a partir de fevereiro de 2026, ou cerca de 1% ao ano nas lojas de conveniência).
Por outro lado, as negociações voltaram a fracassar de forma particularmente visível em setores como a construção e junto do pessoal da Confederação, onde as associações de funcionários públicos criticaram os empregadores institucionais por não compensarem adequadamente o aumento do custo de vida.
Tabela salarial da Confederação Suíça — em vigor desde 1 de janeiro de 2026
A tabela salarial da administração federal suíça (Office fédéral du personnel, OFPER) fixa o valor máximo de cada classe salarial; o salário efetivo de cada funcionário depende da qualificação, experiência e avaliação de desempenho. A tabela de 2026 foi indexada em +0,1% face a 2025.
| Classe salarial | Remuneração bruta máxima (100%) em CHF | Remuneração mensal bruta (1/13) em CHF |
|---|---|---|
| 1 | 66’517 | 5’116.70 |
| 2 | 67’595 | 5’199.65 |
| 3 | 68’688 | 5’283.70 |
| 4 | 69’778 | 5’367.55 |
| 5 | 71’802 | 5’523.25 |
| 6 | 75’142 | 5’780.15 |
| 7 | 78’473 | 6’036.35 |
| 8 | 81’767 | 6’289.80 |
| 9 | 85’145 | 6’549.65 |
| 10 | 88’507 | 6’808.20 |
| 11 | 91’831 | 7’063.95 |
| 12 | 95’237 | 7’325.95 |
| 13 | 98’703 | 7’592.50 |
| 14 | 102’265 | 7’866.55 |
| 15 | 106’508 | 8’192.90 |
| 16 | 110’811* | 8’523.90* |
| 17 | 115’425* | 8’878.90* |
| 18 | 120’924* | 9’301.80* |
*Valores das classes 16 a 18 estimados a partir da tabela oficial de 2025, aplicando a indexação de +0,1% confirmada nas classes 1-15; para confirmação exata, consultar o documento oficial “Échelle des salaires 2026” em epa.admin.ch.
O salário mínimo fixado pela ordenança-quadro da Lei do Pessoal da Confederação (LPers) situa-se em CHF 46’195 anuais (sem indemnização de residência).
Salário médio por profissão na Suíça (valores de referência)
A tabela abaixo mantém-se como referência indicativa para comparação entre profissões, mas os valores não foram reconfirmados individualmente para 2026 — dado que os aumentos negociados este ano foram, na generalidade, inferiores a 1%, os valores reais de 2026 tendem a estar muito próximos dos indicados, com desvios pontuais mais visíveis na saúde e nos transportes públicos (setores com aumentos ligeiramente superiores). Para um valor atual e fiável por profissão, cantão e nível de experiência, recomenda-se consultar a ferramenta oficial gratuita Salarium, do Gabinete Federal de Estatística (OFS/BFS), ou o portal Lohncheck.ch.
| Profissão | Salário médio anual em CHF | Salário médio mensal em CHF |
|---|---|---|
| Professor | 87’500 | 7’292 |
| Arquiteto | 75’000 | 6’250 |
| Desenhador de construção civil | 60’000 | 5’000 |
| Aplicador de revestimentos de piso | 63’600 | 5’300 |
| Engenheiro civil | 85’800 | 7’150 |
| Técnico de aquecimento | 63’000 | 5’250 |
| Coberturista (telhador) | 63’600 | 5’300 |
| Porteiro / zelador | 67’800 | 5’650 |
| Jornalista | 85’200 | 7’100 |
| Motorista | 60’600 | 5’050 |
| Jurista | 108’000 | 9’000 |
| Livreiro | 81’000 | 6’750 |
| Advogado | 111’600 | 9’300 |
| Jardineiro | 52’800 | 4’400 |
| Consultor de clientes | 75’600 | 6’300 |
| Bancário | 81’000 | 6’750 |
| Consultor de investimentos | 109’800 | 9’150 |
| Analista | 84’600 | 7’050 |
| Assistente médico | 87’500 | 7’292 |
| Padeiro | 62’500 | 5’209 |
| Chefe de obra | 79’500 | 6’625 |
| Escultor | 56’000 | 4’667 |
| Contabilista | 94’500 | 7’875 |
| Key Account Manager (gestor de contas-chave) | 160’000 | 13’334 |
| Brand Manager (gestor de marca) | 122’500 | 10’209 |
| Empregado de escritório | 82’500 | 6’875 |
| Cabeleireiro | 52’500 | 4’375 |
| Controller de gestão | 106’000 | 8’833 |
| Terapeuta ocupacional | 83’500 | 6’959 |
| Diretor financeiro | 190’000 | 15’833 |
| Personal trainer / treinador de fitness | 65’000 | 5’417 |
| Guarda florestal | 83’000 | 6’917 |
| Ourives | 77’000 | 6’417 |
| Designer gráfico | 55’000 | 4’584 |
| Parteira | 78’000 | 6’500 |
| Operador de câmara | 61’000 | 5’084 |
| Cozinheiro | 75’000 | 6’250 |
| Enfermeira | 68’000 | 5’667 |
| Condutor | 51’600 | 4’300 |
| Operário | 43’200 | 3’600 |
| Mecânico | 69’500 | 5’792 |
| Operador de call center | 45’000 | 3’750 |
| Engenheiro | 108’500 | 9’042 |
| Informático | 102’000 | 8’000 |
| Assistente de direção | 94’250 | 7’855 |
| Chefe de montagem | 87’913 | 7’326 |
| Administrador | 106’600 | 8’883 |
| Construtor | 91’000 | 7’583 |
| Diretor de compras | 139’750 | 11’646 |
| Account Manager (gestor de contas) | 95’550 | 7’963 |
(Substitua pela sua própria profissão para comparar)
Em resumo
Depois de dois anos (2024 e 2025) em que os sindicatos conseguiram recuperar boa parte das perdas de poder de compra acumuladas entre 2021 e 2023, as negociações salariais de 2026 marcam um retrocesso: a Travail.Suisse estima um crescimento médio dos salários reais de apenas cerca de 0,3%, muito aquém do crescimento da produtividade das empresas. O contexto de incerteza económica ligado às novas tarifas aduaneiras norte-americanas foi apontado pelos empregadores como justificação para a contenção salarial, enquanto os sindicatos alertam que o poder de compra continuará sob pressão em 2026, sobretudo devido à subida contínua dos prémios do seguro de doença e das rendas.
Fontes: Travail.Suisse (travailsuisse.ch), Radio Télévision Suisse (RTS), Union patronale suisse (arbeitgeber.ch), Office fédéral du personnel — OFPER (epa.admin.ch), consultados em julho de 2026.
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Olá. Quem escreveu este artigo só vê um lado! Onde está o lado mau? Sabem bem que o ordenado mínimo é menor que isso, pagam à hora cerca de 19 fr e até há Firmas que pagam menos. Nem vou discutir, digam que estes são ordenados de pessoas com altas qualificações e depois eu concordo mais um pouco…