Ontem, Genebra assistiu a cenas que nos deixam com um nó no estômago. Manifestantes entraram em confronto com a polícia, incendiaram carros e quebraram as janelas de um banco — tudo em nome do protesto contra a cimeira do G7. Os manifestantes atiraram garrafas, pedras, pedaços de cimento e artigos pirotécnicos contra as forças de segurança, e vários edifícios foram alvo dos protestos, incluindo os escritórios da PricewaterhouseCoopers e a sede da União Internacional de Telecomunicações.
Que fique claro desde o início: o direito à manifestação é sagrado. É um pilar da democracia, uma conquista civilizacional que custou sangue e sacrifício a gerações antes de nós. Ninguém deveria questionar o direito de cidadãos saírem à rua para expressar a sua indignação. E havia, ontem em Genebra, razões legítimas para protestar. Muitos compareceram para questionar o G7, que consideram um símbolo da concentração de poder político e económico. São preocupações reais, que merecem ser ouvidas e debatidas.
Mas o que aconteceu em Genebra não foi isso. Ou pelo menos, não foi só isso.
As forças de segurança estimaram que cerca de 600 manifestantes eram integrantes do chamado “Black Bloc”, uma tática de protesto político que consiste em se agrupar em manifestações em um bloco unido, visível e móvel. Estes grupos não foram a Genebra para ser ouvidos. Foram para destruir. E existe uma diferença fundamental entre os dois.
Quando se parte vidros, quando se incendeia um automóvel, quando se atiram pedras e petardos contra polícias que estão simplesmente a fazer o seu trabalho, perde-se toda a autoridade moral para reclamar qualquer causa. A violência não é um argumento — é a ausência dele. É a confissão de que se abriu mão da razão em favor do caos.
O mais triste é que o protesto teve cerca de 7.000 participantes e foi maioritariamente pacífico, segundo a polícia local. Havia ali pessoas genuínas, com convicções genuínas, que viram a sua mensagem ser sequestrada e manchada por uma minoria violenta que não representa ideologia nenhuma — apenas destruição pela destruição.
E a polícia? Respondeu com gás lacrimogéneo e canhões de água. Meios proporcionais, certamente defensáveis. Mas a questão que se coloca é esta: quando alguém atira pedaços de cimento e pirotecnia contra um agente da autoridade, porque é que esse agente tem de se limitar a proteger-se passivamente? Quando a lei é agredida com violência deliberada, a lei tem o direito — e o dever — de responder com firmeza. Não com brutalidade gratuita, nunca. Mas com a força necessária para repor a ordem e proteger o bem comum.
É uma linha ténue, mas existe. E é preciso tê-la clara.
Genebra é uma cidade que acolhe o mundo — sede de organizações internacionais, símbolo de diplomacia e de valores humanistas. Ver as suas ruas transformadas em campo de batalha por quem afirma lutar por um mundo mais justo é, no mínimo, uma contradição dolorosa.
Protestar é um direito. Destruir é um crime. E confundir os dois não serve nenhuma causa — apenas alimenta o caos.
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