Na Póvoa de Lanhoso, onde a memória se mantém firme desde os dias da Revolta da Maria da Fonte, há gestos que não passam despercebidos. Há imagens que não são inocentes. E há silêncios que pesam mais do que palavras.
Quando o presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Dr. Frederico Castro, se deixa fotografar ao lado de Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, não está apenas a posar para um retracto. Está a escolher um lado da história. Está a aceitar, ainda que por um instante, a sombra de um percurso político marcado por condenações por fraude fiscal e branqueamento de capitais, com pena de prisão cumprida. Isto não é detalhe, é matéria grave, registada e conhecida.
O Dr. Frederico Castro já está dentro da polémica sobre a suposta cidade da Póvoa de Lanhoso e do discurso mentiroso persente os povoenses. Melhor não se colar a “isaltinos”, para não ser uma cópia!
A política não vive de ingenuidades. Vive de sinais. E este sinal é claro como a água que desce da serra, aproximação, normalização, indiferença perante o peso do passado.
Pode haver quem desvalorize, quem diga que é apenas uma fotografia. Não é. Nunca é. Nunca será!
A Póvoa de Lanhoso não é um palco de conveniências, é uma terra com identidade, com dignidade, com gente que sabe distinguir entre o certo e o duvidoso. E quem a representa não pode caminhar ao lado de polémicas como se fossem medalhas de experiência.
Não se pede perfeição. Pede-se carácter. Pede-se memória. Pede-se respeito por uma comunidade que não merece ver o seu nome associado a trajectos que dividem, que ferem a confiança e que levantam dúvidas legítimas.
Ainda há tempo para explicar, ainda há tempo para recuar. Mas cada dia que passa sem palavra, sem esclarecimento, torna a imagem mais pesada, mais definitiva, mais difícil de apagar.
Porque governar é mais do que decidir, é saber onde se fica quando a história olha de frente.
autor: Quelhas.
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