Pedido de atenção urgente à situação de cidadãos portugueses emigrantes na Suíça e denúncia de tratamento desrespeitoso em reunião institucional:
Exmos. Senhores Deputados da Assembleia da República,
Exmo. Senhor Presidente da República,
Exmos. Representantes do Governo Português,
Venho por este meio expressar a minha profunda indignação e preocupação relativamente ao tratamento recebido por cidadãos portugueses emigrantes na Suíça durante uma reunião/debate realizada na Casa do Benfica de Genebra, presidida pela Senhora Cônsul-Geral de Genebra, e que contou com a presença de representantes institucionais, associações, sindicatos, profissionais de saúde e outros intervenientes ligados às problemáticas enfrentadas pela comunidade portuguesa na Suíça.
Muitos de nós participámos nesse encontro com a esperança de sermos ouvidos sobre dificuldades reais que enfrentamos enquanto emigrantes portugueses: doenças incapacitantes, situações familiares delicadas, mães afastadas dos filhos, dificuldades administrativas, apoio insuficiente e outras circunstâncias humanas que exigem compreensão e acompanhamento.
Infelizmente, o que encontrámos foi, no nosso entendimento, falta de escuta, interrupções constantes, ausência de empatia e uma postura que sentimos como desvalorizadora perante pessoas já fragilizadas pelas suas situações pessoais.
Vários participantes sentiram-se impedidos de expor as suas preocupações de forma livre e respeitada. Em vez de apoio institucional, muitos saíram desse encontro com um sentimento de humilhação, abandono e invisibilidade.
Os portugueses emigrantes contribuem durante anos para a sociedade, trabalham, pagam impostos, criam famílias e representam Portugal no estrangeiro.
Não deveriam sentir-se tratados com indiferença quando procuram ajuda ou esclarecimento junto de entidades que deveriam servir e apoiar os cidadãos.
Considero igualmente que é urgente uma mudança de mentalidade relativamente à forma como são encaradas as questões dos portugueses na Suíça. Muitos emigrantes sentem que os consulados e a Embaixada deveriam estar na linha da frente da defesa dos seus direitos e preocupações. No entanto, cresce entre vários cidadãos a percepção de que os seus representantes não estão a cumprir plenamente esse papel de representação e defesa dos interesses da comunidade portuguesa.
Em diversas reuniões realizadas ao longo dos últimos anos, muitos participantes manifestaram descontentamento pelo facto de as questões apresentadas ficarem sem resposta efectiva. É igualmente referido que o Senhor Embaixador raramente marca presença nestes encontros, delegando frequentemente a representação em membros dos consulados.
Na reunião realizada na Casa do Benfica de Genebra, vários participantes consideraram que a condução do debate não esteve à altura da complexidade dos problemas apresentados, deixando a sensação de falta de preparação para responder às preocupações concretas da comunidade.
Esta carta não pretende criar conflito pessoal com qualquer indivíduo, mas sim alertar para a necessidade urgente de:
• Maior respeito e escuta activa dos cidadãos portugueses emigrantes;
• Melhor acompanhamento de situações sociais, familiares e de saúde;
• Transparência e responsabilidade por parte dos representantes institucionais;
• Criação de espaços onde os emigrantes possam falar sem medo de serem interrompidos ou desvalorizados;
• Avaliação das condições em que estes encontros são conduzidos e da forma como os cidadãos são recebidos;
• Maior proximidade da Embaixada e dos Consulados às preocupações reais dos portugueses residentes na Suíça.
Pedimos que esta situação seja analisada seriamente e que a voz dos portugueses residentes no estrangeiro seja finalmente considerada com dignidade.
Ser emigrante não significa ter menos direitos. Ser emigrante não significa aceitar silêncio, desprezo ou falta de humanidade.
Esperamos que o nosso testemunho seja ouvido e que possa contribuir para mudanças reais no tratamento dado aos portugueses fora do país.
Com respeito,
Alice Tavares
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