A Revista Repórter X constatou que não houve representantes da emigração, nem delegados, nem conselheiros nas jornadas parlamentares, e logo surgiram críticas por todo o lado. A realização do Conselho Nacional do Chega levantou dúvidas sobre a forma como os emigrantes portugueses são representados e envolvidos na vida interna do partido, quando este se apresenta como o partido da emigração.
Ontem realizou-se o Conselho Nacional do Chega. Estiveram presentes as distritais, conselheiros e delegados.
Onde estavam os núcleos do Chega?
Onde estavam os conselheiros e os delegados do Chega?
Os emigrantes não podem servir apenas como activo financeiro do Chega. Estamos melhor representados no PS e no PSD. Pelo menos esses partidos têm estruturas espalhadas pelo mundo e maior proximidade aos emigrantes.
O Chega não se pode comportar como um partido de interesses que apenas se aproxima dos emigrantes com a intenção de os utilizar financeiramente.
Conselheiros do partido nos vários países, o partido não quer. Quer controlar os emigrantes a partir de Lisboa.
Esta é uma questão que ultrapassa um único partido político e que há muito é debatida pelas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
Os emigrantes portugueses representam uma parte importante do eleitorado nacional. São cidadãos que trabalham, investem, mantêm laços com Portugal e participam activamente na vida democrática do país. Contudo, continua a existir, entre muitos, a sensação de que a sua participação é valorizada sobretudo em períodos eleitorais, ficando depois afastados dos centros de decisão.
Se existem núcleos partidários no estrangeiro, qual é a sua capacidade real de intervenção?
Se existem conselheiros e delegados, até que ponto são ouvidos?
Porque continuam tantas decisões relacionadas com as comunidades portuguesas a ser tomadas exclusivamente a partir de Lisboa?
A crítica aponta precisamente para essa centralização e para a alegada falta de proximidade entre as estruturas partidárias e os portugueses residentes fora do território nacional.
Durante décadas, os partidos do poder, do passado e do presente, habituaram-se a olhar para os emigrantes como eleitores à distância. Os emigrantes não podem continuar a ser dirigidos a partir dos centros partidários instalados em Lisboa, sem voz própria, sem autonomia e sem capacidade real de decisão. Poder-se-ia dar mais voz aos Conselheiros das Comunidades Portuguesas e aos Deputados pelo Círculo da Europa.
Naturalmente, trata-se de uma posição crítica que poderá não ser partilhada por todos. Contudo, as questões levantadas merecem reflexão e debate.
Portugal não termina nas fronteiras nacionais. Portugal também vive nas comunidades portuguesas espalhadas pela Europa, América, África e Oceânia.
E quando surgem vozes a questionar se os emigrantes estão a ser ouvidos ou apenas dirigidos à distância, a pergunta permanece:
Os partidos políticos querem emigrantes com voz própria ou emigrantes controlados a partir de Lisboa?
Essa é uma questão que continua sem resposta clara para muitos portugueses residentes no estrangeiro.
O CHEGA não se pode afirmar o partido dos emigrantes quando nem um conselheiro ou um delgado saído da imigração esteve representado, como estiveram as distritais. Onde estiveram os núcleos do Chega da Europa e do resto do mundo?
A Revista Repórter X defende que os emigrantes devem ser ouvidos, respeitados e representados. Como sempre, continuará a acompanhar estes temas com independência, isenção e compromisso com a verdade.
Revista Repórter X
Revista Repórter X / Repórter Editora
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