Pressão das plataformas
A sensação é clara: os hotéis suíços estão a perder controlo sobre aquilo que sempre foi o seu maior ativo, o preço.
Segundo a HotellerieSuisse, cada vez mais estabelecimentos enfrentam tarifas alteradas por plataformas digitais sem autorização direta.
Em 2025, metade dos hotéis inquiridos já reportou este problema. No ano anterior, eram menos. A tendência preocupa e cresce de forma silenciosa, mas constante.
O mais inquietante é que, em muitos casos, os descontos surgem sem qualquer aprovação prévia. Isto cria uma sensação de desalinhamento entre o que o hotel quer vender e o que o mercado apresenta.
O domínio das OTAs
As chamadas OTAs continuam a moldar o turismo. Apesar de 59% das reservas ainda acontecerem diretamente, a dependência digital é evidente.
A Booking.com domina o setor com mais de 70% das reservas online. Já a Expedia representa cerca de 15%.
Este desequilíbrio cria uma relação difícil. Os hotéis precisam das plataformas, mas ao mesmo tempo sentem-se condicionados por elas.
Na prática, é como se estivessem a jogar um jogo onde as regras mudam sem aviso. E isso gera frustração e incerteza.
A espiral dos preços
O efeito mais visível é a chamada “espiral negativa”. Quando os preços online descem, os hotéis são pressionados a baixar também os seus valores diretos.
Isto enfraquece a margem de lucro e reduz a capacidade de investimento. Alguns hoteleiros já falam de uma competição que deixa de ser saudável e passa a ser sobrevivência.
Mesmo com o fim de certas cláusulas que impediam preços mais baixos nos sites próprios, o impacto indireto mantém-se forte. Rankings, visibilidade e algoritmos continuam a influenciar decisões.
Revenda e perda de controlo
Outro fator crítico é o “multi-sourcing”. Quartos são revendidos em várias plataformas ao mesmo tempo, muitas vezes sem transparência total.
Mais de metade dos hotéis suíços afirma sentir este problema. O resultado é um mercado fragmentado, difícil de monitorizar e ainda mais difícil de controlar.
No fundo, a sensação geral é de perda de autonomia. O produto é o mesmo, mas o caminho até ao cliente já não pertence apenas ao hotel.
Uma mudança inevitável
Talvez não seja possível voltar atrás. O turismo digital veio para ficar.
Mas fica a reflexão: até que ponto a eficiência das plataformas justifica a perda de controlo dos próprios hotéis?
A resposta ainda está em aberto, mas a tensão é cada vez mais visível.
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