Uma viagem entre Zurique e Maiorca levou uma passageira a denunciar aquilo que considera serem incoerências graves nos procedimentos de segurança aeroportuária, questionando diferenças de tratamento, regras contraditórias e medidas que, na sua opinião, estão cada vez mais afastadas da realidade das pessoas.
Prof. Ângela Tinoco relata que, pela primeira vez na vida, viajou de Zurique para Maiorca sem mostrar qualquer identificação além do bilhete adquirido pela internet. Já na viagem de regresso, exactamente no mesmo trajecto, mas em sentido inverso, foi obrigada a apresentar documentação.
A passageira questiona por que razão num lado da viagem não foi necessário qualquer controlo de identidade e no outro passou a ser obrigatório, apesar de se tratar da mesma ligação aérea entre a Suíça e uma ilha espanhola.
No relato enviado à Revista Repórter X, sublinha ainda que Maiorca pertence a Espanha, mas é uma ilha, considerando estranha a diferença de critérios aplicada entre aeroportos europeus.
As críticas não ficaram apenas pela documentação. Segundo descreve, na viagem de Zurique para Maiorca não teve de retirar casaco, anéis, fios nem cinto durante o controlo de segurança. Já no regresso foi obrigada a retirar o casaco e o cinto antes de passar pelas máquinas.
Prof. Ângela Tinoco considera que muitas destas medidas não fazem sentido lógico. Afirma que os aeroportos possuem equipamentos capazes de detectar objectos perigosos, quer estejam numa bandeja quer estejam escondidos na roupa da própria pessoa.
Questiona, por isso, onde está realmente o problema em passar com um casaco vestido, uma vez que qualquer objecto suspeito acabaria igualmente por ser detectado pelas máquinas de segurança.
Outro ponto referido prende-se com o cinto. Segundo afirma, o cinto tinha apenas uma fivela metálica que nunca chegou sequer a activar qualquer alarme.
“Um cinto não é uma faca nem uma pistola”, refere no testemunho enviado à Revista Repórter X, acrescentando que retirar o cinto ou o casaco não impede ninguém de esconder objectos noutros locais, incluindo bolsos ou roupa interior.
A passageira critica ainda aquilo que considera ser um excesso de fixação de alguns funcionários, defendendo que muitas decisões parecem depender mais da observação humana do que da própria tecnologia disponível.
Relata também que, se esconder o cinto debaixo da camisa, normalmente ninguém diz nada, mas desta vez, por estar visível, acabou por ser obrigada a retirá-lo.
A situação que mais indignação lhe causou esteve relacionada com a água transportada na bagagem.
Segundo conta, conseguiu viajar da Suíça para Maiorca com água sem qualquer problema. Já no regresso, a água foi imediatamente proibida.
No entanto, familiares que viajavam com bebés conseguiram passar com água depois de esta ter sido analisada no aeroporto.
Para Prof. Ângela Tinoco, esta situação demonstra falta de coerência. Considera que, se a água pode ser analisada para bebés, também deveria poder ser analisada para adultos que afirmem necessitar dela, sobretudo pessoas doentes ou fragilizadas.
No testemunho enviado, levanta ainda outra questão prática, perguntando o que acontece a uma pessoa que não tenha dinheiro suficiente para comprar água dentro da área do aeroporto, onde os preços são normalmente elevados.
Refere que alguém pode ter apenas uma nota alta, não existir troco, falhar uma máquina automática ou simplesmente não conseguir efectuar a compra naquele momento.
A passageira entende que água e sumos são necessidades básicas, ao contrário de perfumes, chocolates ou outros produtos vendidos nas zonas comerciais dos aeroportos.
Por esse motivo, considera que muitas destas restrições acabam por favorecer um negócio interno baseado na obrigatoriedade de comprar dentro das áreas de embarque.
Durante o episódio, Prof. Ângela Tinoco afirma ter reclamado junto dos funcionários do aeroporto, mostrando-se nervosa perante aquilo que considera uma situação ilógica e injusta.
Segundo relata, os funcionários limitaram-se a responder que “ali era obrigatório”.
Apesar disso, manteve a sua posição crítica, defendendo que o facto de algo ser regra não significa automaticamente que seja justo ou coerente.
A passageira refere ainda que a incoerência se torna mais evidente pelo facto de, num aeroporto, ter conseguido viajar com água e até com um pequeno objecto cortante, enquanto no outro teve de retirar cinto e casaco como se representasse uma ameaça.
Num tom de ironia, chegou mesmo a comentar que numa próxima situação poderia até deixar cair as calças ao retirar o cinto, comentário que provocou risos entre as pessoas presentes.
Apesar da brincadeira, sublinha que existem efectivamente roupas largas e circunstâncias em que situações embaraçosas podem acontecer.
Prof. Ângela Tinoco esclarece que não pretende qualquer acto provocatório, mas entende que episódios deste género revelam um sistema aeroportuário muitas vezes incoerente, desigual e distante da realidade concreta das pessoas que diariamente utilizam os aeroportos.
Prof. Ângela Tinoco
Revista Repórter X / Repórter Editora
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