As televisões estão a fustigar os telejornais com o assunto do hantavírus. As imagens repetem-se, os especialistas multiplicam-se, os alertas aumentam e o medo volta a entrar lentamente pelas portas das casas, como um vento frio que sopra entre as frinchas sem pedir licença.
O autor João Carlos Quelhas da Revista Repórter X pensa exactamente como pensou no coronavírus. Antes do coronavírus chegar, já existiam vídeos, séries e produções televisivas a prever cenários semelhantes. Tudo parecia ficção, mas muitas peças já estavam colocadas no tabuleiro muito antes da tragédia bater à porta da humanidade.
A OMS – Organização Mundial de Saúde volta agora a surgir no centro das atenções, enquanto os grandes poderes mundiais aparecem novamente ligados aos discursos do medo, das ameaças globais e das respostas coordenadas. Para muitos cidadãos, cresce cada vez mais a desconfiança em relação à forma como os acontecimentos são apresentados e conduzidos.
O Quelhas descreve essa figura invisível do poder como “o anticristo misterioso”, alguém sem escrúpulos, que estuda para destruir e não para ajudar a humanidade. Uma visão dura, polémica e frontal, mas assumida publicamente pelo autor, que relembra que também durante a covid-19 foi atacado pelas suas posições e críticas, embora afirme que mais tarde muitos lhe deram razão em vários pontos das suas análises.
Segundo as notícias internacionais e aquilo que está a ser transmitido pelas televisões portuguesas, os casos associados ao hantavírus surgiram num navio de cruzeiro, com passageiros isolados, evacuações médicas e monitorização sanitária apertada. As autoridades internacionais garantem que acompanham a situação, enquanto o medo mediático cresce de hora para hora.
Mas para o Quelhas, a questão vai muito além da doença. O autor levanta interrogações profundas sobre os interesses económicos e geopolíticos que se movimentam sempre em redor das grandes crises mundiais. O petróleo, ouro, armamento, farmacêuticas, medo colectivo, tudo isso, segundo esta visão crítica, faz parte de uma engrenagem global onde os mais frágeis acabam sempre esmagados.
“Mais um vírus para varrer quem já pouco presta para a sociedade”, escreve o Quelhas, numa reflexão amarga sobre o envelhecimento da população, os custos da saúde e o silêncio que muitas vezes cobre guerras, crises sociais e sofrimento humano.
Estas são posições que representam a visão pessoal do autor Quelhas, num tempo em que cresce o afastamento entre os povos e as instituições internacionais. A confiança perdeu-se em muitos sectores da sociedade e milhões de pessoas olham hoje para organismos mundiais e líderes políticos com desconfiança, revolta e cansaço.
Enquanto o mundo observa o caso do hantavírus e as notícias continuam a abrir telejornais, permanece uma pergunta antiga, pesada e inquietante, se o medo está realmente ao serviço da protecção da humanidade ou se também serve interesses maiores que caminham nas sombras do poder.
autor: Quelhas
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