Uma carta de apresentação exige muita atenção e trabalho, mas, apesar de todo o cuidado, há erros que acabam por se infiltrar nela. Estas oito armadilhas devem ser evitadas a todo o custo.
1. Enganar-se no destinatário
Pensa-se, à primeira vista, que não é complicado escrever corretamente o nome da pessoa de contacto ou da empresa a quem se envia a carta de motivação. No entanto, este tipo de erro acontece com mais frequência do que se imagina. Por isso, vale a pena verificar a ortografia duas ou três vezes até ter a certeza de que não há nenhum erro. Não há nada peor do que um recrutador receber uma carta com o seu nome mal escrito. A forma mais segura de evitar este deslize é copiar e colar o nome diretamente de uma fonte fiável, como o site da empresa.
2. Escrever uma carta de motivação “para todos”
Os recrutadores reconhecem imediatamente uma carta de apresentação genérica. É verdade que é mais trabalhoso encontrar inspiração para escrever um texto próprio, mas deve fazê-lo sempre — não caia na tentação de enviar exatamente o mesmo texto para todas as vagas a que se candidata. Em vez disso, crie um modelo de base que possa depois adaptar facilmente a cada oferta específica.
3. Recorrer constantemente a fórmulas feitas
Os recrutadores não apreciam candidatos que usam fórmulas prontas na sua carta, como “Venho por este meio candidatar-me ao cargo de…”. Esta é uma das frases introdutórias mais desinteressantes que se pode escolher. Prefira algo mais direto e pessoal, por exemplo: “Comercial com três anos de experiência profissional, procuro novos desafios…”.
4. Gostaria, poderia, desejaria
O condicional é um tempo verbal a evitar numa carta de motivação. Apesar de parecer mais educado, deve ser banido a favor de afirmações concretas. Frases como “Eu poderia começar a 1 de janeiro…”, “Esta posição poderia encaixar no meu perfil…” ou “Estaria muito interessado neste desafio…” deixam a dúvida: o candidato pode, gostaria, ou quer mesmo? Escreva com a certeza de quem sabe o que quer — por exemplo: “A experiência que adquiri até agora corresponde ao perfil que procuram”, “As minhas competências são uma mais-valia para a vossa empresa” ou “Estou muito interessado na posição que propõem”.
5. Afirmar sem provar
“Dotado de um verdadeiro espírito de equipa…” — qualquer pessoa pode escrever isto. Procure sempre sustentar as suas afirmações com factos concretos: em vez de dizer que tem espírito de equipa, explique que já se integrou com sucesso em equipas grandes e heterogéneas. Da mesma forma, frases como “Sou muito motivado” ou “Sou resistente ao stress” perdem o sentido quando 99% dos candidatos as repetem — seja mais original. Tente antes justificar essas qualidades com experiências concretas, mesmo que não sejam estritamente profissionais: por exemplo, a sua motivação e resistência podem transparecer através da prática intensiva de um desporto. Encontre, ainda assim, o equilíbrio certo: nem exagere nos elogios a si mesmo, nem se subestime.
6. Escrever um romance
Um recrutador recebe diariamente uma grande quantidade de cartas de motivação. Seja o mais conciso possível: idealmente, não exceda uma página A4, organizada em dois ou três parágrafos coerentes. Se tiver várias experiências e qualificações realmente relevantes para o cargo, o texto pode ser um pouco mais longo, mas evite percorrer todo o seu percurso profissional desde o início — concentre-se na experiência mais recente. Só vale a pena mencionar experiências mais antigas se tiverem relação direta com a vaga a que se candidata.
7. Escolher um tipo de letra ilegível
Escolha uma tipografia legível e um tamanho de letra suficientemente grande. Evite fontes decorativas ou pouco convencionais. Um texto denso não fica mais agradável de ler com um tamanho de letra 8 — os tamanhos 11 ou 12 são mais adequados. Se optar por um tamanho demasiado pequeno, corre o risco de a sua carta nem chegar a ser lida até ao fim. Para maior legibilidade, evite também justificar o texto: o alinhamento à esquerda dá ao olhar do leitor um ponto de ancoragem mais natural, o que ajuda a não se perder no parágrafo.
8. Deixar passar erros de ortografia
Erros de ortografia, gramática ou estilo (como repetições) são absolutamente proibidos: mostram falta de cuidado na elaboração da carta. Faça, por isso, um esforço genuíno para a rever com atenção. Algumas dicas úteis:
- Não confie apenas no corretor automático — também ele pode deixar passar erros.
- Depois de escrever a carta, deixe passar um dia antes de a reler. Ao reler imediatamente após a escrita, é fácil não notar vários erros; com algum distanciamento, eles tornam-se muito mais evidentes.
- Aplique o princípio dos “quatro olhos”: peça a outra pessoa para ler o texto. Assim, garante não só a correção da escrita, mas também que tudo o que escreveu é relevante e compreensível para quem o lê por fora.
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