Ucranianos podem mudar contas da Suíça

Ucranianos podem mudar contas da Suíça
Ucranianos podem mudar contas da Suíça

Uma mudança que parecia inevitável

Quando a Suíça ativou o estatuto S para refugiados ucranianos, em 2022, muita gente acreditava que seria uma solução temporária. A guerra parecia distante, mas havia esperança num regresso rápido à normalidade.

Hoje, essa ideia parece cada vez mais irrealista. O conflito continua e milhares de famílias ucranianas já construíram uma nova rotina em território suíço. Algumas crianças frequentam escolas locais, enquanto muitos adultos tentam integrar-se no mercado de trabalho.

A partir de março de 2027, os primeiros beneficiários poderão obter uma autorização de residência B, após cinco anos no país. E é precisamente aqui que começa a polémica.

O peso financeiro preocupa os cantões

Com o novo estatuto, os cidadãos ucranianos terão acesso a apoios sociais semelhantes aos dos cidadãos suíços. Para muitos cantões e comunas, isso representa um aumento significativo das despesas públicas.

No cantão de Vaud, os custos adicionais podem chegar aos 100 milhões de francos. Destes, cerca de 25 milhões estarão ligados ao aumento da ajuda social. Os restantes 75 milhões surgem devido ao fim da participação financeira da Confederação.

Na Argóvia, as autoridades já falam em despesas adicionais próximas dos 30 milhões de francos. Algumas comunas receiam até futuras subidas de impostos.

Confesso que compreendo os dois lados desta discussão. Por um lado, é impossível ignorar o drama humano vivido pelos refugiados. Muitas destas pessoas perderam tudo. Por outro, também percebo a preocupação crescente das autoridades locais perante contas públicas cada vez mais pressionadas.

Uma decisão que divide opiniões

O debate político promete intensificar-se nos próximos meses. O Departamento Federal de Justiça e Polícia está a estudar alterações às regras atuais. O objetivo passa por limitar a igualdade de tratamento na ajuda social entre titulares do visto B e cidadãos suíços.

Já a UDC defende uma posição mais dura. O partido quer impedir a passagem automática para a autorização B.

A verdade é que esta situação mostra como guerras longas acabam sempre por ter consequências muito além das fronteiras do conflito. E, sinceramente, parece-me que a Suíça ainda está a tentar encontrar um equilíbrio entre solidariedade e sustentabilidade financeira.

Será possível manter os dois? Essa é provavelmente a pergunta que muitos contribuintes suíços começam agora a fazer.

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