Patrões na Suíça ultrapassam limites no recrutamento ao exigirem comprovativos de dívidas

Patrões na Suíça ultrapassam limites no recrutamento ao exigirem comprovativos de dívidas
Patrões na Suíça ultrapassam limites no recrutamento ao exigirem comprovativos de dívidas

Uma exigência que me surpreendeu

Recentemente deparei-me com algo que me deixou desconfortável. Algumas empresas pedem o extrato do registo de dívidas durante o recrutamento. Sim, mesmo para funções sem ligação financeira.

Confesso que fiquei incrédulo. Sempre associei esse tipo de exigência a cargos muito específicos. Um exemplo claro seria trabalhar num casino ou gerir dinheiro diretamente. Mas para funções comuns? Não faz sentido.

Percebo agora que não sou o único a sentir isto. Há cada vez mais candidatos a relatar situações semelhantes. Alguns até desistem de concorrer. E honestamente, compreendo essa decisão. Ninguém quer sentir-se julgado antes de mostrar o seu valor.

Onde termina o direito da empresa?

Segundo especialistas em direito do trabalho, estas exigências têm limites claros. A empresa só pode pedir esse tipo de informação se for relevante para a função.

Ou seja, profissões como contabilista ou bancário podem justificar esse pedido. Fora disso, a situação torna-se questionável. E muitas vezes ultrapassa o aceitável.

Na prática, parece existir uma zona cinzenta. Algumas empresas aproveitam-se dela. Isso cria um desequilíbrio entre quem recruta e quem procura trabalho.

Transparência ou invasão?

Outro ponto que me faz refletir é o tema do registo criminal. Aqui, a discussão é ainda mais sensível.

Os especialistas em recursos humanos falam em transparência. Mas a lei dá margem ao candidato para não responder. Em certos casos, pode até mentir se a pergunta for ilegal. E isso diz muito sobre o problema.

Na minha perspetiva, o recrutamento devia basear-se em competências e não em julgamentos pessoais. A confiança constrói-se, não se impõe.

Uma prática que merece debate

Sinto que este tema ainda não é discutido o suficiente. Estamos a normalizar práticas que podem afastar bons profissionais.

No final, todos perdem. As empresas, que deixam escapar talento. E os candidatos, que se sentem desvalorizados.

Talvez esteja na altura de questionarmos isto com mais seriedade. Até onde deve ir o poder de um recrutador?

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