A discussão sobre imigração voltou a incendiar a política suíça. Desta vez, tudo gira em torno da iniciativa da UDC “Não à Suíça de 10 milhões”. A proposta será votada a 14 de junho e já está a provocar um debate intenso.
Ao ler os cenários apresentados por um estudo da Ecoplan, fiquei com a sensação de que o país pode entrar num verdadeiro teste de resistência. As consequências parecem bem mais profundas do que apenas limitar a imigração.
Filas que podem mudar o dia a dia
Atualmente, mais de 400 mil trabalhadores atravessam diariamente as fronteiras para trabalhar na Suíça. É uma rotina quase invisível para muitos suíços. Mas isso pode mudar rapidamente.
Sem os acordos de Schengen e Dublin, França, Alemanha e Itália poderiam voltar a aplicar controlos sistemáticos. O resultado seria brutal para cidades fronteiriças como Genebra, Basileia ou o Ticino.
Segundo o estudo, os tempos de espera acumulados poderiam ultrapassar 422 mil horas por dia útil. Só de imaginar filas de vários quilómetros já parece um cenário difícil de aceitar.
Esperar mais de uma hora para entrar no país deixaria de ser exceção. Passaria a fazer parte da rotina.
Economia sob enorme pressão
O impacto económico também preocupa. A Ecoplan estima uma possível queda de 3,9% no PIB suíço. Isso representa perdas relevantes para empresas e famílias.
Muitos setores dependem fortemente de trabalhadores estrangeiros. Hospitais, hotéis, restaurantes e empresas de serviços seriam dos mais afetados.
O cenário mais pessimista aponta para algo ainda mais sério: quase dois terços dos trabalhadores fronteiriços poderiam desistir de trabalhar na Suíça.
Na prática, algumas empresas poderiam deslocar operações para outros países. Ainda assim, existe um detalhe curioso. Os salários poderiam subir ligeiramente em certas áreas devido à falta de mão de obra.
Turismo e segurança em risco
O turismo também não escaparia aos danos. Destinos famosos como Saint-Moritz ou a região da Jungfrau poderiam perder visitantes asiáticos devido às novas exigências de vistos.
As perdas estimadas variam entre 300 e 800 milhões de francos.
Outro ponto delicado envolve a segurança. Sem acesso ao sistema Schengen, a Suíça perderia ferramentas importantes no combate ao terrorismo e ao crime organizado.
Pessoalmente, acho interessante como este debate revela uma divisão crescente entre segurança, soberania e necessidades económicas. Há quem veja a iniciativa como uma proteção necessária. Outros acreditam que o preço poderá ser demasiado elevado.
Jean-Luc Addor, ligado à UDC, considera que existe exagero nas previsões mais alarmistas. Para ele, a cooperação europeia continuará a existir porque interessa a todos os lados.
Ainda assim, fica a dúvida: vale a pena correr este risco?
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