Portugal perde dentistas e salários ficam para trás

Portugal perde dentistas e salários ficam para trás
Portugal perde dentistas e salários ficam para trás

Uma realidade que já não dá para ignorar

Tenho pensado muito neste tema e quanto mais leio, mais me preocupa. Algo não bate certo em Portugal.

Enquanto muitos dentistas portugueses fazem as malas para países como a Suíça, surgem dados arrepiantes que mostram um aumento constante de profissionais estrangeiros a entrar.

Segundo números recentes, já existem 705 dentistas brasileiros a trabalhar em Portugal. Representam 43% de todos os estrangeiros no setor.

E o mais impressionante: um novo dentista brasileiro é autorizado a trabalhar a cada quatro dias úteis.

Isto não é pontual. É tendência.

Um país que forma, mas não retém

Portugal continua a formar centenas de dentistas todos os anos. Profissionais bem preparados, com cursos exigentes e anos de investimento.

Mas depois?

Muitos não ficam.

Saem porque não conseguem construir uma carreira estável. Encontram salários baixos, contratos frágeis e concorrência excessiva.

E aqui começa o problema:
estamos a criar talento… para exportar.

Mais profissionais, menos valorização

Ao mesmo tempo que os portugueses saem, entram profissionais estrangeiros, sobretudo brasileiros, mas também italianos e espanhóis.

Só para teres ideia:

  • 705 brasileiros
  • 394 italianos
  • 203 espanhóis

Num total de mais de 13.000 dentistas em Portugal.

Agora pensa comigo:
com este nível de oferta, como é que os salários vão subir?

A resposta é simples: não vão.

O impacto direto nos salários

Num mercado saturado, o poder de negociação desaparece.

Clínicas têm sempre alternativas. Se um profissional pede melhores condições, há outro disponível.

E isso cria um efeito perigoso:

  • salários estagnados
  • pressão para baixar preços
  • precariedade constante

Se este ritmo continuar, os dentistas portugueses — e até outros médicos — nunca vão acompanhar os aumentos salariais que a economia deveria permitir.

O verdadeiro problema continua por resolver

O mais frustrante é que isto não acontece por falta de necessidade.

Portugal continua com problemas sérios de acesso à saúde oral. Muitas pessoas simplesmente não vão ao dentista.

Ou seja:
não falta oferta — falta procura com capacidade financeira.

Além disso, há uma concentração absurda nos grandes centros. Lisboa e Porto estão saturados. O interior continua com carência.

Um ciclo que se repete

O que vemos hoje é um ciclo difícil de quebrar:

Portugal forma profissionais → não consegue absorver → eles saem → outros entram → o mercado continua saturado.

E no meio disto tudo, ninguém resolve a raiz do problema.

Uma reflexão inevitável

Não tenho nada contra os profissionais estrangeiros. Procuram melhores condições, tal como os portugueses fazem lá fora.

Mas é impossível ignorar o impacto. O Estado deveria criar forma de guardar os nossos e tentar bloquear os de fora.

Se continuarmos a aumentar a oferta num mercado já saturado, estamos a condenar toda uma geração de profissionais a salários baixos e instabilidade.

E isso levanta uma questão séria:

até quando vai Portugal aceitar perder os seus profissionais enquanto desvaloriza os que ficam?

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