Rogério Sampaio regressa a Bolama para os 147 anos da fundação da sua terra natal

Rogério Sampaio regressa a Bolama para os 147 anos da fundação da sua terra natal
Rogério Sampaio regressa a Bolama para os 147 anos da fundação da sua terra natal

A revista Repórter X recebeu a informação que tanto nos honra desde a Guiné-Bissau;

“Estou nas comemorações dos 147 anos da fundação de Bolama, onde nasci. Este momento tem um significado profundo para mim, porque voltar a esta terra é sempre como reencontrar as raízes que nunca se perdem, mesmo quando a vida nos leva para longe.”

Acrescenta com orgulho;

“O Sr. Ulysses S. Grant, que foi o General do exército durante a Guerra Civil Americana e foi o 18º presidente dos Estados Unidos de 1869 a 1877. Em 1870 decidu a disputa entre Portugal e o Reino Unido e atribuiu a ilha de Bolama como sendo portuguesa.”

Nas comemorações dos 147 anos da fundação de Bolama, terra onde nasceu, Rogério Sampaio recorda um episódio da história que poucos conhecem, mas que ajudou a definir o destino daquela ilha e da própria região.

No século XIX, Portugal e o Reino Unido entraram numa disputa diplomática pela posse da ilha de Bolama. O território era estratégico, situado na costa da África Ocidental, e representava uma porta importante para o comércio e para a presença política europeia na região. Para evitar conflito entre as duas potências, decidiu-se recorrer a uma arbitragem internacional.

A decisão coube a Ulysses S. Grant, antigo general da guerra civil americana e então presidente dos Estados Unidos. Em 1870, após analisar os argumentos históricos e jurídicos apresentados pelas duas nações, Grant pronunciou-se a favor de Portugal, reconhecendo oficialmente que a ilha de Bolama era território português. Essa decisão ficou conhecida como a Arbitragem de Bolama e marcou um momento singular na diplomacia internacional do século XIX.

Décadas mais tarde, com a independência da Guiné-Bissau, Bolama passou naturalmente a integrar o novo país africano. Ainda assim, o episódio permanece como um fragmento curioso da história mundial, onde um presidente americano decidiu o destino de uma pequena ilha africana disputada por duas potências europeias.

Rogério Sampaio, antigo sindicalista da Syna na Suíça e hoje aposentado, mantém uma ligação profunda às suas raízes.

Actualmente, depois da reforma, vive em Portugal, mas visita muitas vezes a sua terra natal na Guiné-Bissau, regressando sempre que pode para rever amigos, percorrer as ruas da infância e acompanhar a vida da comunidade.

Entre essas visitas encontra-se também a Escola Zé Djambakus, que continua a ser um lugar de esperança para muitas crianças da região. A antiga escola mantém-se de pé, guardando a memória de gerações que ali aprenderam as primeiras letras, enquanto ao lado se constrói uma nova escola, sinal de que a educação continua a ser um caminho de futuro para Bolama.

Assim, enquanto se celebram os 147 anos da fundação da cidade, recorda-se também que a história de um lugar não se faz apenas de decisões políticas distantes, tomadas em gabinetes de poder. Faz-se sobretudo de pessoas que, mesmo vivendo longe, continuam a regressar à sua terra para cuidar dela, preservar a memória e ajudar a construir o amanhã.

autor Quelhas 

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