Presidente da Assembleia defende mais diálogo e maior inclusão dos portugueses no estrangeiro
Na cerimónia de posse dos novos membros da Comissão Nacional de Eleições (CNE), o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, defendeu, com firmeza, a importância de um maior esforço de negociação política. Ao mesmo tempo, apelou à urgência de combater a abstenção, especialmente no que toca às comunidades emigrantes, muitas vezes travadas por barreiras administrativas.
Negociar é fundamental, independentemente da geografia política
Desde logo, Aguiar-Branco sublinhou que a missão do Parlamento vai muito além da fiscalização do Governo. Com efeito, lembrou que cabe também à Assembleia designar entidades externas, como a CNE, que garantem o funcionamento de um Estado de Direito democrático.
Embora as maiorias parlamentares mudem, os equilíbrios se alterem e os protagonistas políticos se renovem, o Presidente da Assembleia defendeu que certos princípios devem permanecer imutáveis. Entre esses princípios, destacou a vontade de negociar, de construir soluções conjuntas e de procurar consensos que verdadeiramente sirvam os cidadãos.
Eleição da nova CNE é exemplo de consenso democrático
Como prova concreta de que a política pode ser construtiva, Aguiar-Branco destacou a eleição da nova CNE, aprovada por 85% dos Deputados. Esta ampla maioria foi possível graças a uma lista única, representativa dos vários grupos parlamentares.
Este resultado, segundo o presidente da Assembleia, deve ser visto como um sinal positivo de que, mesmo num ambiente político marcado pela diversidade partidária, é possível construir pontes e reforçar a credibilidade das instituições democráticas.
Transparência e igualdade: pilares de uma democracia funcional
Adicionalmente, Aguiar-Branco realçou que a nova Comissão tem a responsabilidade de trabalhar em prol da democracia, garantindo a igualdade de oportunidades entre partidos, a transparência eleitoral e o direito constitucional ao voto.
Importa referir que, em Portugal, não se verifica qualquer suspeita sistemática sobre a integridade dos resultados eleitorais. No entanto, o Presidente advertiu que nenhum valor democrático está garantido para sempre. Por isso, defendeu a adoção de uma postura ativa de inconformismo democrático, especialmente perante os desafios da atualidade.
A abstenção no estrangeiro é um alerta grave para a democracia
Um dos principais focos do discurso de Aguiar-Branco foi a elevada taxa de abstenção entre os emigrantes portugueses. Segundo os dados apresentados, cerca de 80% dos cidadãos no estrangeiro abstêm-se, e cerca de 30% dos votos são nulos.
Estes números, segundo o responsável, não são meras estatísticas. Pelo contrário, representam milhares de cidadãos afastados da vida democrática devido a obstáculos burocráticos, desmotivação ou falta de confiança.
É urgente simplificar o voto no estrangeiro
Face a este cenário preocupante, o Presidente da Assembleia afirmou, de forma clara, que é urgente simplificar o processo de votação no estrangeiro. Para isso, defendeu que é necessário:
- Tornar o voto mais simples e seguro;
- Melhorar a comunicação e a informação eleitoral;
- Garantir acessibilidade ao voto em todos os países;
- Modernizar os meios de votação, sem comprometer a segurança.
Segundo Aguiar-Branco, a cidadania não pode depender da distância. Assim, votar deve ser um direito acessível, não uma tarefa complexa e desmotivadora.
A responsabilidade é partilhada entre CNE e Parlamento
Ainda nesse contexto, o Presidente deixou claro que a responsabilidade de combater a abstenção nas comunidades emigrantes não cabe apenas à CNE. Pelo contrário, este é um desafio que também interpela o Parlamento, que legisla e decide os moldes em que decorrem os atos eleitorais.
Assim, é fundamental que os deputados e os partidos assumam um papel mais proativo na promoção da participação cívica, criando condições legais e operacionais que incentivem os emigrantes a votar.
Composição da nova Comissão Nacional de Eleições
Importa referir que a nova composição da CNE resultou de uma lista única apresentada ao plenário da Assembleia da República. Esta lista, aprovada por 194 votos a favor, contou com apenas 11 votos em branco e dois nulos, o que reforça a ideia de consenso.
A lista de membros efetivos integra representantes de todos os grupos parlamentares:
- Teresa Leal Coelho (PSD)
- Fernando José Silva (Chega)
- Fernando Anastácio (PS)
- Ana Rita Andrade (Iniciativa Liberal)
- André Wemans (Livre)
- Sérgio Manuel Pratas (PCP)
- Rodrigo Roquete (CDS)
Foram ainda nomeados como suplentes:
- Jorge Paulo Oliveira (PSD)
- Filipe Arrais Lima Bacelar (PS)
- Natércia Lopes (Livre)
- Helena Casqueiro (PCP)
- Ana Cristina Delgado (CDS)
Conclusão: reforçar a democracia com inclusão e diálogo
Em suma, o discurso de José Pedro Aguiar-Branco reafirma os princípios fundamentais da democracia portuguesa e aponta para a necessidade de maior diálogo político e inclusão cívica, sobretudo dos portugueses no estrangeiro.
Só assim será possível garantir uma democracia mais participada, inclusiva e representativa para todos.


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