Suíça divide-se sobre imigração: Não a uma Suíça a dez milhões

Suíça divide-se sobre imigração: Não a uma Suíça a dez milhões
Suíça divide-se sobre imigração: Não a uma Suíça a dez milhões

Tendência nas sondagens

A iniciativa «Pas de Suisse à 10 millions», promovida pela UDC, está a conquistar terreno entre os eleitores suíços. Embora o tema continue sensível, um inquérito recente indica uma vantagem significativa para o campo do sim.

De facto, segundo uma sondagem realizada no final de novembro para os meios 20 Minutes e Tamedia, 48% dos participantes declaram apoiar, ou tender a apoiar, o texto que exige um controlo muito rigoroso da imigração. Entretanto, 41% manifestam oposição e 11% assumem ainda não ter decidido.

Além disso, este cenário não surpreende o politólogo Pascal Sciarini, da Universidade de Genebra. O especialista afirma que, apesar do entusiasmo atual, a votação ainda está longe, razão pela qual é normal existir «uma empatia inicial pelo princípio». Acrescenta que, além disso, o clima internacional continua desfavorável à migração, tanto na Suíça como noutros países europeus. O investigador sublinha igualmente que os cidadãos ainda não ponderaram todas as consequências de um eventual sim à iniciativa, incluindo possíveis riscos para os acordos bilaterais.

Polarização entre direita e esquerda

O estudo revela que a clivagem política é muito marcada. Assim, entre os eleitores da UDC, o apoio atinge 88%, uma aprovação praticamente unânime. Em contraste, à esquerda, a rejeição é ampla: 73% dos simpatizantes socialistas e 72% dos Verdes são contra o texto.

Além disso, mesmo entre os Vert’libéraux, 64% rejeitam a proposta, enquanto o Centro se mostra dividido, com 42% de sim e 43% de não. Já entre os apoiantes do PLR, 46% aceitam a iniciativa, ao passo que 38% a recusam.

Este último dado surpreende Sciarini, que recorda que o eleitorado liberal-radical costuma priorizar a economia. E, por isso, sublinha que a Suíça precisa de mão de obra estrangeira para manter a sua dinâmica económica. O politólogo considera que esta tendência resulta do desvio à direita promovido pela anterior presidência do PLR, que aproximou o partido das posições da UDC. Assim, prevê que o setor económico terá dificuldade em recuperar terreno neste debate.

Diferenças entre gerações

No que diz respeito à idade, as faixas entre os 18 e os 64 anos mostram-se relativamente favoráveis ao texto, com índices de aceitação que variam entre 47% e 51%. Contudo, entre os reformados, a tendência inverte-se, já que 49% rejeitam a proposta e apenas 46% a aprovam.

Sciarini, porém, relativiza estes números, explicando que os mais velhos são também os mais decididos: apenas 5% permanecem indecisos. Os restantes grupos etários apresentam entre 14% e 16% de indefinição, o que pode alterar substancialmente o equilíbrio futuro.

Consequências possíveis

A iniciativa pretende impedir que a população residente ultrapasse os dez milhões até 2050. Além disso, sempre que o número ultrapassar os 9,5 milhões, o Governo e o Parlamento teriam de agir.

A proposta prevê igualmente que pessoas admitidas a título provisório deixem de obter autorizações de residência ou nacionalidade. E, caso estas medidas se revelem insuficientes, a Suíça deveria então denunciar o acordo de livre circulação com a União Europeia — um passo com consequências profundas.

O Conselho Nacional já rejeitou o texto em setembro, e o Conselho dos Estados deverá fazer o mesmo, seguindo a orientação da sua comissão.

Impacto regional e económico

Observa-se também uma diferença relevante entre contextos urbanos e rurais. De facto, tanto as zonas suburbanas como as áreas rurais apoiam a iniciativa com 51%. Todavia, nas cidades, 49% declaram rejeitá-la, contra 39% que a apoiam.

Além disso, o rendimento influencia notoriamente a opinião. Assim, 65% dos inquiridos com menos de 4000 francos mensais votariam a favor, enquanto apenas 36% rejeitam. Nos escalões acima dos 16 000 francos, a tendência inverte-se: 49% recusam a iniciativa, contra 40% que a apoiam.

Sublinha-se que estas diferenças sociais revelam uma forte perceção de insegurança económica, que continua a alimentar o debate sobre imigração.

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