Salários em Genebra alcançam recorde. O mais recente relatório estatístico revela um cenário salarial que continua a destacar o cantão de Genebra no contexto nacional. Assim, embora a realidade varie entre sectores, o salário mediano anual de 2024 atingiu 7893 francos mensais, valor que, por sua vez, supera de forma expressiva os 7024 francos registados na média suíça. Além disso, este montante inclui contribuições sociais, indemnizações e ainda a parte proporcional do décimo terceiro mês, o que reforça a representatividade desta mediana.
Ao mesmo tempo, importa notar que as diferenças entre sectores, níveis de formação e funções continuam bastante acentuadas. Por isso, as disparidades salariais revelam-se estruturais e persistentes.
Setores em que se ganha mais
Os dados do Ocstat demonstram que os sectores de topo se posicionam muito acima da mediana cantonal. Dessa forma, os serviços financeiros lideram com um salário mediano de 12 682 francos, consolidando-se como a área mais lucrativa. Logo depois surgem o comércio grossista e a reparação automóvel, impulsionados pelo comércio internacional de matérias-primas, que atingem 10 835 francos.
Em simultâneo, as telecomunicações registam 10 828 francos, a produção de equipamento de transporte chega aos 10 480 francos e as atividades de investigação e desenvolvimento apresentam uma mediana de 9775 francos. Portanto, estes sectores mantêm-se como polos económicos de maior valorização salarial.
Setores menos remunerados
Em contraste evidente, as áreas com menor remuneração continuam a concentrar-se nos serviços pessoais e na indústria leve. Assim, a hotelaria e restauração registam 4745 francos, a indústria alimentar 4678 francos e os serviços como lavandarias, cabeleireiros e estética ficam nos 4647 francos. Além disso, a indústria têxtil e do vestuário apresenta o valor mais baixo, com apenas 4539 francos. Estas diferenças evidenciam, portanto, um mercado laboral heterogéneo e fortemente segmentado.
Impacto decisivo da formação e da função
Quando analisada a formação, a desigualdade torna-se ainda mais visível. Por exemplo, os trabalhadores com formação universitária recebem um salário mediano de 11 270 francos, enquanto os diplomados de escolas profissionais superiores ou HES atingem 9152 francos.
Por outro lado, os titulares de um CFC obtêm 6945 francos, ao passo que quem não possui formação profissional completa recebe apenas 5294 francos. Consequentemente, o nível de estudos continua a ser um fator determinante na progressão salarial.
A função desempenhada reforça estas diferenças. Assim, o pessoal sem responsabilidades de chefia ganha 6887 francos, os quadros inferiores 10 943 francos e os quadros médios e superiores alcançam 14 400 francos. A hierarquia permanece, portanto, um dos elementos mais marcantes na diferenciação dos rendimentos.
Diferenças entre baixos e altos salários

A análise estatística mostra que um quarto dos trabalhadores recebe mais de 10 720 francos mensais, enquanto outro quarto obtém menos de 5935 francos. Desta forma, os extremos salariais continuam a definir o mercado laboral do cantão.
Setor público com variações menores
O sector público apresenta diferenças salariais menos pronunciadas do que o sector privado, devido a grelhas remuneratórias mais uniformes. Assim, entre titulares de um CFC, os salários no sector público são cerca de 22,6% superiores. Contudo, no caso dos universitários, o sector público paga menos 6,2% do que o sector privado.

Diferenças de género e nacionalidade
Apesar da estabilidade observada na última década, persistem desigualdades entre grupos populacionais. As mulheres continuam a ganhar menos, com um salário mediano de 7804 francos, valor 2% inferior ao dos homens, que atingem 7961 francos. Além disso, as pessoas de nacionalidade estrangeira recebem salários 20,8% mais baixos do que os cidadãos suíços.


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