Ryanair alerta para má reputação de Portugal e exige ação urgente do governo para melhorar o controlo de fronteiras. Nos últimos dias, os aeroportos portugueses, especialmente o Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, enfrentaram uma crise sem precedentes. Passageiros, muitos deles extracomunitários, têm sido confrontados com longas filas e atrasos significativos no controlo de fronteiras. A Ryanair, uma das principais companhias aéreas que opera em Portugal, não hesitou em apontar responsabilidades e exigir medidas imediatas.
O novo sistema EES: Uma introdução problemática
A partir de 12 de outubro de 2025, entrou em vigor o Entry/Exit System (EES), um sistema europeu de controlo de fronteiras que visa substituir os tradicionais carimbos nos passaportes por registos eletrónicos. Embora a intenção seja modernizar e agilizar o processo, a implementação tem sido marcada por falhas técnicas e falta de pessoal. No Aeroporto de Lisboa, por exemplo, passageiros têm enfrentado esperas superiores a quatro horas, uma situação que a Ryanair considera “inaceitável”.
A reação da Ryanair: Apelo ao governo português
A companhia aérea irlandesa expressou publicamente a sua preocupação com a situação. Jade Kirwan, diretora de comunicação da Ryanair, afirmou que “os passageiros estão a sair do avião e a ter de esperar duas horas e meia, quase o mesmo tempo que durou o voo em muitos casos, só para poderem sair da zona restrita e apanhar um táxi”. Além disso, a empresa alertou que mais de 270 passageiros perderam os seus voos devido a atrasos no controlo de fronteiras nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro.
Comparação internacional: A situação em outros países
A Ryanair também fez comparações com outros países da União Europeia que implementaram o EES. Enquanto em Portugal os passageiros enfrentam longas esperas, em países como Suécia, Estónia, Chéquia e Letónia, o sistema tem funcionado sem grandes problemas. Em Dublin, por exemplo, com um tráfego de 36 milhões de passageiros, o tempo médio de espera é inferior a cinco minutos. Em Madrid, com cerca de 35 milhões de passageiros, a média é de 3 minutos e 54 segundos. Esses dados reforçam a crítica da Ryanair à gestão portuguesa do novo sistema.
Impacto no turismo e na reputação de Portugal
Além dos transtornos para os passageiros, a situação tem repercussões negativas para o turismo em Portugal. A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) manifestou-se preocupada com as longas filas e tempos de espera nos aeroportos, que colocam em causa a imagem do turismo nacional. Francisco Calheiros, presidente da CTP, afirmou que “a preocupação se tem adensado nos últimos dias, tendo em conta os problemas vividos no aeroporto de Lisboa e de Faro”.
Medidas propostas pela Ryanair
Para resolver a situação, a Ryanair propõe várias ações:
- Reforço de Recursos Humanos: Contratação de mais pessoal para os balcões manuais e ativação permanente das e-gates.
- Intervenção Governamental: Caso a ANA não tenha capacidade para resolver, o Governo deve intervir diretamente.
- Uso de Recursos Militares: Em situações extremas, considerar o apoio do Exército para agilizar o processo de controlo de fronteiras.
A companhia aérea também alertou para a necessidade de ação urgente antes do aumento do tráfego no verão de 2026.
A implementação do EES em Portugal revelou-se problemática, afetando não apenas os passageiros, mas também a imagem do país no cenário internacional. A Ryanair, juntamente com outras entidades do setor, exige medidas imediatas para resolver a situação e evitar danos irreparáveis ao turismo português.
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