
Presidenciais: na raiz do problema, o sistema dos partidos tradicionais e a falsa democracia em Portugal. Portugal chega a mais um ciclo presidencial cansado a 18 de Janeiro de 2026, desconfiado e ferido. Falei de 8 candidatos e, não falei de mais candidatos, porque ando a nadar na pouca informação, na informação confusa, não sabemos exctamente quem são todos os candidatos e por isso escrevi sobre estes, os mesmos que estão na linha da frente a dar entrevistas desajustadas feitas pelas televisões. Um nojo! Não por falta de leis, mas pelo uso selectivo delas. O problema não nasce nos candidatos apenas, nasce no sistema político-mediático que há décadas governa, comenta, escolhe e protege. PS e PSD, com o apoio alternado de CDU, Bloco de Esquerda e PAN, ocuparam o poder desde o 25 de Abril de 1974, sustentaram governos, aprovaram orçamentos, fecharam os olhos à corrupção miúda e graúda, e deixaram o país escorrer para um estado de descrédito profundo.
Os Presidentes da República do sistema, longe de serem árbitros firmes, foram gestores do silêncio. Uns sorriram, outros comentaram, outros abraçaram, mas poucos enfrentaram. Assim se banalizou o cargo, assim se normalizou o erro, assim se deixou que a política se transformasse em espectáculo e o espectáculo em critério.
No centro desta engrenagem está a Comunicação Social, sobretudo RTP, SIC e TVI, acompanhadas pelos grandes jornais. Não informam apenas, decidem. Escolhem quem existe e quem não existe. Criam debates antes da lei, promovem candidatos sem assinaturas, fabricam sondagens, constroem inevitabilidades artificiais. Quem tem máquina aparece, quem tem apenas verdade desaparece. Isto não é democracia plena, é encenação de teatro.
A Emigração Portuguesa, espalhada pela Suíça, França, Luxemburgo e outros países, surge como vítima maior deste modelo. Votam mal, votam tarde, ou nem votam. Boletins que não chegam, votos que não são contados porque não tem o Cartão de Cidadão, direitos que não contam, silêncio político quase total. São lembrados em discursos vazios e esquecidos nas decisões reais. Cidadãos de segunda num país que se diz de todos.
É neste chão rachado que nasce toda a denúncia seguinte. Nada do que vem depois é acaso. Tudo é consequência. O sistema escolheu proteger-se, e ao fazê-lo excluiu quem não lhe pertence.
As palavras de Ossanda Liber, fundadora do movimento Nova Direita, intervém como voz política independente e crítica frontal do sistema político-mediático português, tal como o crítico e escritor Português João Carlos “Quelhas” ou o Professor Gil Garcia do MAS, não surgem como comentário lateral, surgem como acusação frontal ao coração do sistema político-mediático. Denuncia-se o escândalo de candidatos sem as 7.500 assinaturas legais terem acesso privilegiado a tempo de antena, enquanto outros, que cumpriram ou estavam muito próximos de cumprir a lei, foram empurrados para o silêncio. Isto não é falha técnica, é escolha política. Não é distracção, é método.
O João Carlos “Quelhas” afirma sem rodeios que não há democracia efectiva quando a comunicação social decide quem existe antes da lei decidir. Os oportunistas são identificados, PS, PSD e satélites do sistema, partidos que governaram, erraram, protegeram-se mutuamente e agora fingem pluralismo. Neste quadro, André Ventura surge como a única ruptura visível, não porque seja perfeito, mas porque é o único que fala dos emigrantes reais, não dos emigrantes decorativos. O Chega aparece como a única força que levou a emigração ao Parlamento com nome, rosto e denúncia concreta através da Revista Repórter X que denuncia e apoia os Lesados da SUVA e Pais que a KESB retira crianças para adopção. Defende o emigrante para não pagar o RNH / Emigrante Não Residente, é contra o imposto de IRS sobre o rendimento da Reforma, defende o emigrante sobre a Dupla Tributação, reclama sobre os impostos do IMI e taxas de Luz, Gás, Água e Resíduos quando não gastam. Aqui não há romantismo, há escolha dura entre sistema e ruptura.
Fala-se no voto eletrônico e todos querem ser pais do voto eletrônico para se mostrarem politicamente, disse o ex. Deputado Paulo Pisco, que foi ele que apresentou, depois surge o Deputado José Dias Fernandes e outros que apresentaram o voto eletrônico e a montanha pariu um rato! Este ponto é estrutural e fecha o arco moral de todo o trabalho. Não há eleição justa quando o voto não chega às casas. A Repórter X descreve factos concretos, famílias inteiras na Suíça sem boletim de voto, apenas um ou dois votos por agregado, cidadãos recenseados impedidos de exercer um direito constitucional.
Não é queixa vaga, há acção directa, contacto com o Cônsul, denúncia ao Deputado Europeu do Chega, participação formal no sítio Oficial do Governo Português, e o caso chega à Assembleia da República.
Afirma-se aqui algo essencial, o emigrante não pede favores, exige respeito. O sistema de voto postal é denunciado como falhado, injusto e ultrapassado. Defende-se a mudança, incluindo voto sem Cartão de Cidadão e soluções modernas. O emigrante é pessoa, não instrumento. O voto não é moeda de troca, é soberania.
Sem voto não há democracia, sem igualdade não há República, e sem respeito pelos emigrantes o país trai-se a si próprio.
O segundo pilar desta acusação assenta num facto concreto, repetido, documentado e nunca verdadeiramente resolvido, o direito de voto dos emigrantes portugueses. Nas últimas eleições legislativas, em especial no universo dos cidadãos recenseados nos consulados da Suíça, verificaram-se situações graves, famílias inteiras que não receberam o boletim de voto, casas onde apenas um elemento conseguiu votar, lares inteiros silenciados por falha administrativa que o Estado insiste em tratar como incidente isolado.
Não foi um acaso. Foi um padrão. E quando um padrão se repete, deixa de ser erro para passar a ser falha estrutural.
A denúncia não ficou no lamento nem na conversa de café. Houve intervenção directa, queixa apresentada presencialmente no Consulado-Geral de Portugal em Zurique, contacto político com o Deputado pelo Círculo da Europa, José Dias Fernandes e denúncia formal através dos canais oficiais do Governo da República Portuguesa. O assunto chegou à Assembleia da República, o que prova que não se tratou de imaginação nem exagero, mas de matéria suficientemente grave para subir ao plano parlamentar.
Ainda assim, nada mudou de forma estrutural. O sistema de voto postal continua frágil, ineficaz e injusto. Assim interessa ao PSD e PS, só que o PS teve azar em não conseguir um Deputado pela Europa e perdeu para o PSD e mesmo assim foi por uma tangente de 700 votos na Europa, senão era eleita a Dona Edite Teixeira da Interkran pelo CHEGA nomeada pelo André Ventura e indicada pelo João Carlos Veloso Gonçalves, Delegado do CHEGA no Consulado de Portugal em Zurique, no entanto manteve-se José Dias Fernandes pelo CHEGA e ganhou como Deputado o JOSÉ MANUEL FERREIRA FERNANDES do PSD, no entanto foi “mamar” para outro lado como sabemos e ficou lá o Deputado Carlos Gonçalves da mesma cor política e, agora estamos-lhe a dar um voto de confiança.
O Estado português continua a recusar seriamente o voto electrónico seguro, mantendo um modelo ultrapassado que exclui milhares de cidadãos que trabalham, vivem e contribuem fora do território nacional. Não é incapacidade técnica, é falta de vontade política.
Aqui nasce uma verdade dura, o emigrante é útil enquanto remessa dinheiro, enquanto aparece em fotografias de campanha, enquanto enche salas em jantares partidários. Mas quando chega o momento de garantir direitos plenos, o sistema falha, encolhe e adia. Há problemas graves na emigração e a resposta é NÃO dos Consulados, Embaixadas, Secretário das Comunidades Portuguesas, Ministro dos Negócios Estrangeiros, para não falar nos Conselheiros das Comunidades Portuguesas, que não tem voto na matéria. O emigrante não pede favor, exige respeito, representação e justiça, como qualquer cidadão. Quem tem pelouros deve zelar por eles e representar quem lhes deu o voto de confiança!
Este ponto liga-se a tudo o que virá depois. Quem é excluído do voto é mais facilmente excluído do debate. Quem não decide eleições é facilmente ignorado nos estúdios. A ferida começa no envelope que não chega e acaba no candidato que nunca é convidado.
A Revista Repórter X falou ao longo de 10 textos sobre as presidenciais para 18 de Janeiro de 2026 no palco televisivo ilegítimo e da distorção deliberada da legalidade. João Carlos Quelhas falou da fraude moral que contamina estas presidenciais, o palco televisivo concedido a quem não cumpriu a lei, e negado a quem a respeitou. Aqui não há zona cinzenta, há regra escrita e há violação prática. A lei exige 7.500 assinaturas para uma candidatura presidencial. Não exige fama, não exige sondagens, não exige simpatia mediática. Exige assinaturas. Confirmo, quem é excluído da Comunicação Social é excluído do debate e não tendo voz, não tem assinaturas suficientes legíveis, isto é, porque muitos conseguiram as assinaturas depois de entrarem nos debates, foi o meu caso.
Apesar disso, assistiu-se ao escândalo de ver candidatos sem candidatura formalmente validadas ocuparem debates televisivos nacionais, como se a lei fosse um detalhe opcional. Casos concretos foram apontados e nunca desmentidos, nomes que apareceram em horário nobre enquanto ainda admitiam publicamente desistir, apoiar terceiros ou sequer duvidar da própria corrida. Isto não é pluralismo, é encenação.
O episódio mais claro desta farsa foi o confronto directo entre André Ventura, do CHEGA, e Jorge Pinto, do LIVRE. Em directo, perante o país, Ventura expôs o óbvio que muitos fingiam não ver, Jorge Pinto não tinha reunido as assinaturas exigidas por lei. Não era candidato validado. E, mesmo assim, estava ali, sentado, a falar como se fosse igual aos outros. Essa foi a banhada política que rasgou o pano e mostrou o palco por trás e assim foi com os debates de Catarina Martins do BLOCO!
Enquanto isso, pré-candidatos com milhares de assinaturas reais, trabalho no terreno, estruturas montadas e cumprimento efectivo das exigências, foram empurrados para o silêncio absoluto. Sem debates, sem entrevistas, sem explicação ao público. A mensagem foi clara, quem não pertence ao sistema não existe, mesmo que cumpra a lei. Quem pertence ao sistema existe antes de a cumprir.
Aqui a responsabilidade não é apenas dos partidos, é sobretudo da comunicação social, que decidiu substituir o Tribunal Constitucional como filtro da democracia. As televisões passaram a escolher quem é candidato aos olhos do povo, criando uma legalidade paralela, mediática, arbitrária e não escrutinada.
Este ponto é decisivo, porque desmonta a narrativa da normalidade democrática. Quando a lei é aplicada a uns e ignorada para outros, não há eleição limpa, há jogo viciado. E quando isso acontece à vista de todos, sem consequência, instala-se a convicção mais perigosa de todas, a de que respeitar as regras é para ingênuos.
O João Carlos Quelhas acusa os partidos do sistema e da promiscuidade com a comunicação social, pois revelam aquilo que muitos pressentem e poucos dizem sem medo, a aliança tácita entre os partidos tradicionais e a comunicação social, um pacto antigo, silencioso, mas eficaz, que decide quem entra na sala e quem fica à porta. PS, PSD, e as forças que com eles governaram, CDU, Bloco de Esquerda, PAN, e até o Livre, alternavam-se no poder, sustentaram governos, aprovaram orçamentos, partilharam responsabilidades e agora apresentam-se como se fossem novidade. Não são. São continuidade.
Estes partidos construíram um sistema onde a política se recicla em comentário televisivo e o comentário regressa à política com verniz de independência. Ministros tornam-se comentadores, comentadores tornam-se candidatos, candidatos regressam aos estúdios, e o ciclo fecha-se sobre si próprio. O Palácio de Belém, em vez de ruptura, passa a ser prémio de carreira. O povo assiste, mas não escolhe verdadeiramente.
A comunicação social é peça central desta engrenagem. RTP, SIC, TVI, Público, Expresso, Correio da Manhã, não actuam apenas como observadores, actuam como porteiros do regime. Definem agendas, seleccionam convidados, constroem inevitabilidades e empurram para a sombra tudo o que não encaixa. Também grave é a forma que praticam os debates, se é que aquilo são debates, a maioria atacam-se em vez de chegarem a um bom senso e ouvirem-se mutuamente e mais grave, pois o entrevistador numa entrevista ocupou mais de 50% a falar na guerra na Ucrânia em vez de falar nos problemas da emigração! Não se trata de opinião, trata-se de estrutura de poder.
Enquanto os partidos do sistema beneficiam de décadas de presença, máquinas organizadas e acesso permanente aos microfones, quem surge de fora enfrenta um deserto. Não há reportagens sobre recolha de assinaturas, não há entrevistas de enquadramento, não há espaço para explicar propostas. Distorcem os procedimentos quando um indivíduo quer ser candidato para ele desistir. O silêncio não é neutro, o silêncio mata politicamente.
É por isso que candidatos ligados ao sistema aparecem nos debates mesmo antes de cumprirem os requisitos legais, e pré-candidatos independentes, mesmo com milhares de assinaturas reais, são tratados como se não existissem. A Comunicação Social justifica-se com critérios variáveis, ora sondagens, ora relevância, ora representatividade parlamentar. Nenhum desses critérios está na lei. Todos servem para excluir.
Os partidos tradicionais sabem-no e beneficiam-se disso. Criticam-se em público, mas protegem o sistema em conjunto. Andam em jantaradas juntos! A divergência acaba onde começa o risco de ruptura. Aí, fecham fileiras. A democracia transforma-se em teatro controlado, onde as escolhas são aparentes e o resultado é previsível.
Este ponto é fundamental porque explica tudo o resto. Explica porque certos nomes surgem em todos os ecrãs. Explica porque outros desaparecem dos motores de busca na internet. Explica porque a emigração não tem voz. Explica porque o melhor candidato pode ficar de fora sem escândalo nacional. Não é falha, é método.
A banhada política de André Ventura a Jorge Pinto:

Este ponto fixa um momento-chave, quase pedagógico. Em directo, perante o país, André Ventura expõe aquilo que muitos sabiam e poucos ousavam dizer, Jorge Pinto não tinha reunido as assinaturas exigidas por lei. A palavra “banhada” não é insulto, é descrição factual de um desmascaramento político.
Um candidato sem legitimidade formal teve palco televisivo, enquanto outros com legitimidade material foram excluídos. Aqui o texto acusa não apenas o candidato, mas o sistema inteiro, partidos, televisões, directores de informação e reguladores silenciosos. A indignação não é pessoal, é institucional. Fala-se mesmo em responsabilidade jurídica, porque permitir isto é faltar ao respeito aos portugueses, aos que assinam, aos que acreditam, aos que ainda levam a democracia a sério. Aqui cristaliza a farsa, a lei vale para uns, o microfone vale para outros.
O João Carlos Quelhas escreveu que pode acontecer a André Ventura o mesmo que aconteceu a Sá Carneiro, pois todos têm medo que o sistema lhe têm, o grande ponto incide sobre a figura que quebra o desenho previsível destas presidenciais, André Ventura, líder do CHEGA, jurista de formação, político por confrontação e não por herança. A sua presença altera o tabuleiro porque não nasce do consenso, nasce do conflito, e o sistema, quando não controla, teme.
Ventura não vem do circuito fechado dos comentadores reciclados, nem da longa carreira partidária acomodada. Entra na política a dizer o que não se dizia, a tocar nas feridas que foram varridas para debaixo do tapete durante décadas, corrupção tolerada, justiça lenta e selectiva, imigração tratada com hipocrisia, emigração esquecida, promiscuidade entre poder político, económico e mediático. Não pede licença, não fala para agradar, e isso explica a reacção violenta que provoca.
Para o sistema político-mediático, Ventura é perigoso, não porque seja perfeito, mas porque não pertence às famílias que governam Portugal desde o pós vinte e cinco de Abril. PS, PSD e as forças que com eles se revezaram no poder sabem que ele rompe o pacto tácito de silêncio. Por isso tentam isolá-lo, caricaturá-lo, empurrá-lo para fora da legitimidade democrática, chamando-lhe rótulos em vez de enfrentarem os temas que levanta.
Nos debates televisivos, a diferença é visível. Enquanto uns repetem fórmulas gastas e discursos decorados, Ventura entra como elemento perturbador. Não se limita a responder, expõe contradições, desmonta incoerências e, quando necessário, denuncia a fraude do próprio palco onde está. Foi isso que aconteceu quando revelou, em directo, que um dos presentes não tinha sequer as assinaturas exigidas por lei, fazendo ruir a encenação montada pelas televisões.
A ligação de Ventura à emigração não é decorativa. É uma das poucas figuras políticas que levou de forma consistente os problemas dos emigrantes à Assembleia da República, voto falhado, exclusão eleitoral, casos de famílias atingidas por sistemas estrangeiros sem defesa adequada. É neste ponto que se compreende o apoio claro e assumido de João Carlos Veloso Gonçalves, “Quelhas”, ex pré-candidato independente e Delegado do Chega no Consulado-Geral de Portugal em Zurique. Não é apoio cego, é apoio político consciente, feito em nome da unidade e da ruptura.
Há também crítica interna, e ela existe. A decisão de Ventura de avançar para a Presidência da República é vista como erro estratégico por quem entende que, num regime semi presidencialista, a verdadeira transformação exige um Governo. Essa divergência não é escondida, é assumida. Ainda assim, a escolha foi não dividir, porque dividir favorece apenas o sistema instalado. Aqui há maturidade política, não culto da personalidade.
O medo que o sistema tem de Ventura mede-se pelo esforço para o afastar. Sondagens fabricadas, cenários artificiais de segunda volta, perguntas laterais, tentativas de o reduzir a polémica permanente. Nada disso apaga o essencial, Ventura representa, hoje, a única ruptura visível com o bloco político que governou, sustentou e protegeu o mesmo modelo durante décadas.
Este ponto é central porque explica a violência simbólica do ataque que lhe é feito. Não se ataca com tal fúria quem é irrelevante. Ataca-se quem ameaça. E o que está em causa não é apenas um homem, é a possibilidade de o povo escolher fora do guião escrito nos estúdios.
Agora vamos referir alguns pontos dos candidatos e começo por:

Henrique Gouveia e Melo surge como independente, mas independente apenas no rótulo. A sua imagem foi construída na pandemia, num tempo de medo e obediência. Para alguns foi símbolo de organização, para muitos outros ficou associado à frieza, à opacidade e à ausência de humanidade num período de dor. Não tem percurso político, não tem enraizamento democrático, não vive a realidade da emigração actual. O Almirante sem raízes, que quer ser dono da nação portuguesa! Nasceu em Moçambique, terra que nunca foi Portugal, apenas colónia sustentada por um império que já não tinha fôlego para se manter. Não nasceu em território português, não respirou o chão que molda o sentir da pátria, não traz no berço o pulsar antigo das aldeias, das serras e das cidades que fazem de um Presidente o guardião da identidade nacional. A lei pode ampará-lo, mas o simbolismo não o reconhece como filho da terra. A lei pode aceitá-lo, mas a Presidência exige alma, não comando.
Luís Marques Mendes representa o candidato moldado pelo comentário político. Décadas no PSD, cargos relevantes, oportunidades reais, obra fraca. Hoje tenta vestir independência, mas o passado pesa. Portugal já experimentou presidentes fabricados nos estúdios e conhece bem o resultado, proximidade sem firmeza, palavras sem protecção, presença sem autoridade. Figura moldada ao longo de anos no aparelho partidário, deu mais nas vistas como comentador televisivo na SIC do que enquanto governante com poder efectivo. Teve pastas importantes e influência directa, mas deixou um rasto pálido, sem rasgo nem marca que fizesse o país erguer a cabeça com respeito. Fez quase tudo dentro do partido, menos chegar a primeiro-ministro, e é sobretudo pelos estúdios de televisão que o povo o recorda, não pelos corredores do poder. Ao avançar para a Presidência da República, tenta agora vestir pele de lobo, como se fosse possível desligar de um dia para o outro a longa história que o prende ao PSD. Mas o passado não se despe como um casaco velho. A acusação pública de Henrique Gouveia e Melo, ao chamá-lo “cavalo de Tróia do PSD”, ficou dita em praça aberta e não se apagou. Pesa sobre ele como pedra imóvel, lembrando que Belém não é palco de comentário, é lugar de autoridade, firmeza e coragem que até hoje não mostrou.
António José Seguro, candidato do PS, regressa tarde e inseguro. Foi líder, teve tempo, teve espaço, deixou pouco. Divide o próprio partido e não mobiliza o país. A Presidência não é lugar para compensações de carreira nem para regressos sem chama. Carrega um nome pesado e um percurso que não se impôs. Apresenta-se como homem que hesita, que avança com cautela excessiva, mais marcado pela dúvida do que pela convicção. Pode ter vontade de servir, mas a vontade não substitui a firmeza nem apaga o tempo perdido. Num país cansado, a Presidência exige rumo, não nostalgia, e pede coragem acesa, não passos medidos pelo medo de falhar. Seguro surge como sombra do próprio tempo e do próprio partido, figura que regressa, quando já poucos recordam o seu passo discreto, homem que atravessou cargos sem deixar marca profunda, navegando silenciosamente enquanto o país mudava à sua volta. Há quarenta anos deixávamos a tormenta revolucionária, agora entramos noutra transformação, e Portugal não precisa de um Presidente que faça as pazes, mas de alguém que indique o caminho. Ele não está seguro de nada, um indivíduo que pouco ou nada fez enquanto teve cargos no PS e, desaparecido há muitos anos, reaparece quase do nada, já ninguém se lembrava dele.
João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, surge claramente beneficiado pela comunicação social. Ex-director de televisão, promovido por sondagens e debates, aparece repetidamente levado ao colo, enquanto outros foram empurrados para a sombra. A desigualdade mediática é evidente, não nasce do mérito, nasce do mecanismo. Actualmente exerce mandato no Parlamento Europeu e traz no currículo a passagem pela direcção-geral de um grande canal televisivo, onde permaneceu entre 2010 dois e 2012. Com percurso profissional sólido, avançou para a candidatura presidencial envolto num ambiente mediático favorável, construído mais por exposição contínua do que por confronto real de ideias. A televisão que conhece por dentro acompanha-o com benevolência, ao mesmo tempo que exclui vozes incómodas e alternativas fora do sistema. Sondagens surgem a empurrá-lo para cenários de segunda volta, debates repetem o seu nome até à exaustão, e o espaço público é moldado para o apresentar como opção inevitável. O que se vê não é neutralidade, é engenharia de visibilidade. Não é pluralismo, é selecção. O sistema protege quem lhe é próximo e afasta quem o questiona. Há ainda acusações públicas antigas, vindas do próprio meio jornalístico, que apontam para práticas de pressão, silenciamento e subordinação da liberdade de imprensa a interesses empresariais. Esses episódios não pertencem apenas ao passado, repetem-se hoje sob outras formas, com exclusão, pagamentos e critérios opacos na escolha de quem pode falar ao país. Nada disto é acaso. É continuidade. A mesma mão invisível que ontem calou jornalistas, hoje cala candidatos. Assim se confirma que a comunicação social do sistema continua a decidir quem aparece e quem desaparece, quem sobe e quem é apagado da vida pública. Portugal não escolhe em igualdade quando a informação deixa de ser ponte e passa a ser filtro.
António Filipe, da coerência ideológica às contradições do sistema, candidato apoiado pela CDU, rosto histórico do PCP. A sua vida política fez-se dentro das instituições, autarquias, Assembleia da República, vice-presidências parlamentares, comissões e debates constitucionais. António Filipe carrega consigo polémicas que o afastam de uma parte significativa do eleitorado. A leitura que faz de Cuba, recusando chamar ditadura a um regime marcado por décadas de repressão, pesa. Não é lapso, é posição consciente. O mesmo sucede com a guerra na Ucrânia. Condena formalmente a invasão, mas relativiza responsabilidades e aponta o dedo ao Ocidente, rejeitando o envio de armas e criticando alianças militares. Fala a partir de uma matriz ideológica clara, sem improviso, mas essa clareza choca com a sensibilidade de um país que, mesmo cansado do sistema, não acompanha esse enquadramento. No contexto destas presidenciais, António Filipe surge como peça de rearrumação da esquerda. A sua candidatura empurra outros para a margem, fragiliza lideranças concorrentes e divide um espaço já enfraquecido. Está a meio caminho, tolerado, mas não promovido. António Filipe seria preferível a muitos outros, lembrando que Portugal já teve, no passado, uma chefe de governo vinda do PCP, Maria de Lurdes Pintasilgo, que governou com isenção num período difícil. Esta memória não é detalhe, é prova de que a História é mais complexa do que os rótulos fáceis. António Filipe representa, assim, um paradoxo. É coerente num sistema incoerente, é sério num palco de encenação, mas traz consigo uma bagagem ideológica que o impede de falar a um país mais amplo. Não é candidato de ruptura, mas também não é boneco do sistema mediático. É, talvez, o último político de uma escola que se extingue.
Catarina Martins, figura que durante anos foi apresentada como rosto renovador da esquerda portuguesa, mas que chega a estas presidenciais carregando mais passado do que futuro. Entrou na política pelo Bloco de Esquerda, partido que prometia romper com o sistema e acabou por se sentar confortavelmente à mesa do poder. Durante a geringonça, Catarina Martins não foi espectadora, foi sustentáculo. Apoiou governos do PS, viabilizou orçamentos, fechou os olhos quando lhe convinha e ergueu a voz apenas quando o ciclo político já se encontrava em desgaste. Governar cansa, mas governar sem assumir responsabilidade cansa ainda mais o povo. Quando hoje critica a degradação da saúde, da habitação, da justiça ou da educação, esquece-se de um detalhe essencial, esteve lá quando podia ter mudado alguma coisa. Teve força parlamentar, teve palco, teve influência. O resultado está à vista, o Bloco encolheu, perdeu deputados, perdeu relevância e perdeu ligação ao país real. A palavra não chegou para compensar a ausência de transformação concreta. Catarina Martins fala da Troika, de Passos Coelho, do passado conveniente, enquanto evita encarar o seu próprio legado. Chama a um adversário de “bully político”, mas não percebe que o rótulo fácil regressa como boomerangue. Quem chama extrema-direita abre espaço para ser chamado extrema-esquerda. A linguagem simplista empobrece a democracia e infantiliza o debate. Catarina indignou-se com as escutas a António Costa, classificando-as como gravíssimas. Mas quem sustentou politicamente esse Governo tinha o dever de escrutinar antes, não depois. A indignação tardia soa a cálculo e não a princípio. Como diz o povo, comeu com eles e agora estranha o sabor. Catarina Martins fala de tudo, menos de quem vive fora. Não toca no problema dos emigrantes, não exige voto electrónico, não fala da exclusão dos emigrantes nos boletins de voto. Para quem se diz defensora dos direitos humanos, o esquecimento é ensurdecedor. A emigração não rende votos fáceis, logo não rende discurso. A Presidência da República exige outra densidade.
Jorge Pinto, do Livre, concentra-se como num espelho a soma das contradições do sistema político-mediático português. Nada começa nele, mas tudo se denuncia através dele. A sua candidatura não é apenas fraca, é sintoma. Apresenta-se como homem da esquerda, vindo de um partido que se diz fora do sistema, mas que vive à sombra dele. O Livre não tem peso popular, não tem implantação real, mas teve aquilo que outros não tiveram, palco televisivo, debates, tempo de antena, visibilidade. Um privilégio que não nasce da força, mas da conveniência mediática. Diz que desiste a favor de António José Seguro, depois diz que afinal preferia Sampaio da Nóvoa, confessa que esperou até ao fim por outro candidato que nunca apareceu, e chega ao ponto de afirmar que não quis ser “pobre tolo”. Quem fala assim não lidera, revela-se. Um candidato que entra a pedir desculpa por existir não está preparado para representar a República. Mais grave ainda, afirma que poderia dissolver o Parlamento se a direita mexesse na Constituição. Então afinal desiste ou dissolve. Combate ou abandona. Ninguém sabe, talvez nem ele. Um país não se governa com frases que se anulam a si próprias. Jorge Pinto participa em debates sem ter reunido as 7.500 assinaturas, enquanto outros candidatos, com milhares de assinaturas validadas, são excluídos. A pergunta impõe-se, quem tem palco sem cumprir regras, quem cumpre regras sem palco. Isto não é democracia, é encenação. Jorge Pinto transforma-se assim no símbolo involuntário de um sistema que escolhe candidatos dóceis, hesitantes, incapazes de romper verdadeiramente. Recebeu o palco e desperdiçou-o. Falou quando outros foram calados. E ao fazê-lo revelou o pior do regime, não a sua força, mas a sua pobreza. A política não é um reality show. A Presidência da República não é um ensaio. Quem entra para desistir insulta quem assinou, quem acreditou e quem ficou de fora. A candidatura de Jorge Pinto não caiu, foi exposta. E ao cair, mostrou como a comunicação social e os partidos do sistema manipulam a ideia de escolha.
O meu apoio assumido a André Ventura e a ruptura consciente com o sistema instalado, enquanto Delegado do Chega no Consulado-Geral de Portugal em Zurique, nasce de uma escolha clara, feita com consciência política, com leitura do regime e com sentido de futuro. O apoio a André Ventura, candidato do Chega, não nasce do acaso, nasce da constatação dura de que o sistema político-mediático português não admite verdadeira ruptura. Depois de atravessar o caminho árduo da pré-candidatura independente, que embora aguardava apoio do Chega, mas André Ventura avançou e a minha consciência era apoiá-lo, mesmo depois de reunir milhares de assinaturas sem partido, sem televisão e sem máquina, tornou-se evidente que a democracia portuguesa não funciona em pé de igualdade. Uns entram nos estúdios antes de cumprir a lei, outros cumprem quase tudo e ficam à porta. Uns são empurrados para os debates, outros empurrados para o silêncio. Perante este quadro, persistir isolado seria apenas servir o espectáculo que o sistema deseja. A desistência não foi rendição, foi acto político consciente. Não se tratou de medo, nem de falta de convicção, mas de recusa em dividir o espaço de ruptura e, por essa via, beneficiar exactamente aqueles que sempre governaram, PS, PSD e as suas extensões parlamentares, CDU, Bloco de Esquerda, PAN, todos corresponsáveis pelo estado do país, pela degradação dos serviços públicos e pelo abandono sistemático da emigração. O apoio a André Ventura surge porque, no meio de candidatos reciclados, comentadores promovidos e figuras moldadas pela televisão, ele permanece como o único fora do eixo tradicional do poder. Não é unanimidade, nunca será, mas é ruptura. E num tempo cansado, a ruptura vale mais do que a falsa harmonia. Este apoio é também indissociável da defesa dos emigrantes, tema que os outros evitam como quem evita o fogo. Falhas no voto, boletins que não chegam, famílias inteiras privadas de direitos, ausência de soluções como o voto electrónico seguro. Só o Chega levou estas questões de forma consistente à Assembleia da República, através do Deputado pelo Círculo da Europa, José Dias Fernandes, rompendo o silêncio cúmplice dos partidos do sistema. Aqui assume-se igualmente a função exercida na diáspora, Delegado do Chega no Consulado-Geral de Portugal em Zurique, não como título decorativo, mas como trabalho concreto, contacto directo com injustiças reais, denúncias formais e intervenção institucional. A emigração não é bandeira de campanha, é vida diária, é gente de carne e osso. Há, contudo, lucidez crítica. Reconhece-se que num regime semi-presidencialista a força maior está no Governo e não em Belém. Reconhece-se que André Ventura teria maior margem como Primeiro-Ministro. Mas a política também se faz de contextos, e neste contexto específico, apoiar a candidatura presidencial de Ventura é impedir que o sistema se recomponha por dentro com mais um rosto dócil. Este ponto é, por isso, mais do que apoio, é acusação. Acusação a um regime que fabrica candidatos, a uma comunicação social que decide quem existe, a partidos que falam de democracia enquanto a esvaziam. E é também declaração de fidelidade a uma ideia simples, Portugal precisa de verdade, não de encenação, precisa de coragem, não de consensos ocos.

Não me calo e tenho ideias idênticas ao André Ventura, pois digo, os governos do sistema, dos Presidentes que calaram e da comunicação social como pilar do regime tenho de me expressar sem medo, porque toco no coração do problema, aquele que muitos contornam e poucos enfrentam. O mal não está apenas nos candidatos, está no terreno que os produz. Os governos do sistema, PS e PSD, com as suas coligações variáveis e os seus parceiros de ocasião, CDU, Bloco de Esquerda, PAN, governaram Portugal directa ou indirectamente durante décadas. Mudaram os rostos, mudaram os slogans, mas mantiveram o mesmo modo de operar, poder concentrado, responsabilidades diluídas, e uma cultura de impunidade discreta. Foi este sistema que deixou definhar o Serviço Nacional de Saúde, que normalizou listas de espera como se fossem destino, que tolerou a promiscuidade entre política, autarquias e interesses económicos, que aceitou uma justiça lenta para os fracos e ágil para os fortes. Foi este sistema que empurrou milhares de portugueses para fora do país e, depois, tratou a emigração como rodapé da República, útil para remessas, incómoda para direitos. Os Presidentes da República oriundos deste mesmo ventre político não foram meros espectadores. Alguns sorriram, outros comentaram, outros fizeram pedagogia televisiva, mas quase todos evitaram o confronto sério com o regime que os sustentou. Sancionaram leis, fecharam os olhos aos abusos, normalizaram falhas graves no voto dos emigrantes, e transformaram Belém num palco de presença mediática em vez de consciência institucional. Calaram quando deviam falar, e falaram quando já nada mudava. E sobre tudo isto paira a comunicação social, não como observadora neutra, mas como arquitecta do espaço político. RTP, SIC, TVI, e os grandes jornais, Público, Expresso, Correio da Manhã, deixaram de cumprir a função de escrutínio para assumir a de filtro. Decidem quem entra no debate, quem é omitido, quem sobe nas sondagens e quem desaparece dos motores de busca. Criam inevitabilidades, fabricam segundas voltas, repetem nomes até à exaustão, e chamam a isso informação. A desigualdade não é subtil, é estrutural. Uns têm horas de antena antes de cumprir a lei, outros cumprem a lei e não têm antena nenhuma. Uns são tratados como estadistas em potência, outros como notas de rodapé. A democracia fica assim reduzida a encenação, com escolhas aparentes e resultados previsíveis. Este ponto afirma, sem rodeios, que o sistema político português funciona em simbiose com o sistema mediático. Um alimenta o outro. Os governos produzem poder, a comunicação social legitima-o. Quem ameaça romper este ciclo é atacado, ridicularizado ou silenciado. Não por acaso, mas por método. É neste contexto que a ruptura se torna necessária. Não por gostar do conflito, mas por necessidade histórica. Um país não se renova com os mesmos actores, nem se salva com os mesmos guias. Enquanto o sistema continuar fechado sobre si próprio, continuará a gerar desconfiança, abstenção e descrença. Para terminar não podia deixar de salientar o presidente mais fraco do sistema, Marcelo Rebelo de Sousa, este é o retracto mais duro e mais longo, porque é o retracto do poder em fim de linha. Marcelo Rebelo de Sousa é apresentado como producto directo da televisão, criado como comentador, embalado pela TVI, transformado em Presidente pelo afecto mediático e não pela estatura institucional. Um presidente que não se livra das polêmicas da Casa Pia abafada, silêncio perante ofensas a Portugal em Angola, contradições constantes, casos familiares, o episódio das gémeas brasileiras, a defesa de reparações históricas dos países colonizados por Portugal sem mandato popular, a confusão entre afecto pessoal e interesse nacional. Surge a acusação grave, o Presidente mais conflituoso desde 1974, um homem que evita comentar porque ele próprio é a polémica. A lei dos estrangeiros, os migrantes, os gestos públicos contraditórios, os abraços mediáticos e as decisões firmadas em silêncio constroem um retrato de incoerência. Aqui não se escreve para agradar, escreve-se para registar. A humanidade esquece e a história registra e agora posto isto, os portugueses podem escolher o melhor presidente, para fraco tivemos o Dr. Prof. Marcelo!…
Artigo escrito por: João Carlos Veloso Gonçalves, ‘Quelhas’ Revista Repórter X


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