Trabalhadores portugueses ficam encurralados durante confronto entre o sindicato Unia e operários locais
Portugueses envolvidos em caos em Basileia: Manifestantes tentam forçar porta de estaleiro. Imagens exclusivas divulgadas pelo jornal 20 Minutes mostram momentos de tensão num estaleiro em Basileia, Suíça, onde operários portugueses ficaram trancados dentro das instalações enquanto manifestantes do sindicato Unia tentavam forçar a porta com uma barra de ferro.
O vídeo, captado por trabalhadores no interior, mostra um homem com boné do Unia a golpear repetidamente a porta, acompanhado por outros homens encapuzados e vestidos com roupa do sindicato. Do outro lado, os portugueses, visivelmente assustados, tentavam impedir a invasão.
O incidente, ocorrido durante uma greve no setor da construção, gerou enorme polémica e levantou sérias dúvidas sobre a escalada de violência sindical na Suíça.
Manhã de caos e medo no estaleiro
Segundo relatos recolhidos pelo 20 Minutes, vários autocarros do sindicato Unia chegaram ao local ao amanhecer. O sindicato tinha convocado uma paralisação geral, mas alguns estaleiros, como o de Volta, mantiveram as atividades normais, o que gerou revolta entre os sindicalistas.
Um encarregado de obra relatou no LinkedIn que vários manifestantes mascarados e possivelmente alcoolizados entraram no estaleiro gritando palavras de ordem e exibindo barras de ferro. “Vieram exigir respeito, mas o comportamento foi o oposto do que pregavam”, afirmou.
Os trabalhadores portugueses e suíços que estavam no interior trancaram-se no vestiário por medo. Alguns chegaram a ligar para a polícia, enquanto as portas eram violentamente batidas do lado de fora.
“Quando pessoas aparecem armadas e procuram provocar o caos, isso deixa de ser uma manifestação — é uma agressão”, lamentou o responsável pela obra.
Sindicato acusado de radicalização
De acordo com Daniel Allemann, presidente da Sociedade dos Empreiteiros da região da Basileia, há uma tendência crescente de radicalização dentro de certos grupos ligados ao sindicato.
Ele denunciou que, além das portas forçadas, houve gruas manipuladas, pneus furados e tomadas elétricas danificadas com espuma expansiva, impedindo o trabalho em vários locais.
O empresário recordou ainda que situações semelhantes já ocorreram há três anos, e que este episódio não é um caso isolado. “Durante quebras sindicais anteriores, alguns membros do Unia mostraram comportamentos cada vez mais agressivos”, sublinhou.
Unia nega violência e fala em desinformação
Perante as acusações, o sindicato Unia negou qualquer ato de violência. Em comunicado, a organização afirmou que nenhum dos seus membros estava armado e que as informações divulgadas distorcem os factos.
“O nosso papel é sempre o de acalmar tensões e garantir manifestações pacíficas”, destacou o Unia, que acusa Daniel Allemann de espalhar desinformação para prejudicar a imagem do movimento sindical.
“Não houve participantes armados, nem tumultos, nem agressões”, garante o texto oficial.
O sindicato reforça que repudia toda a forma de violência e considera estas notícias uma tentativa de enfraquecer as reivindicações legítimas dos trabalhadores do setor da construção.
Portugueses pedem respeito e segurança
Os trabalhadores portugueses envolvidos no incidente afirmam sentir-se injustamente expostos e pedem mais respeito e proteção por parte das autoridades suíças.
“Queremos apenas trabalhar em paz e ser tratados com dignidade”, disse um dos operários filmados no local.
O governo cantonal de Basileia anunciou que abrirá uma investigação independente para esclarecer os factos. Entretanto, o caso abriu um debate intenso sobre os limites entre protesto sindical e violência organizada.
A linha entre a reivindicação legítima e a agressão tornou-se perigosamente ténue.
Pode ver o vídeo aqui
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