Uma trajetória promissora ameaçada
Menina adotada por suíço pode ser deportada após 16 anos na Suíça. Gabriela Purtschert, pesquisadora doutora em microbiologia, vive na Suíça há 16 anos e domina fluentemente o idioma local. Apesar de ter formação completa e emprego num órgão federal, ela corre risco de deportação. O motivo oficial do governo suíço? O contrato de trabalho terminou.
À primeira vista, a sua vida parece seguir o roteiro de qualquer cidadão suíço: ensino médio concluído, estudos universitários, mestrado e doutoramento. No entanto, Gabriela enfrenta um obstáculo inesperado. Apesar de possuir competências altamente valorizadas, ela poderá ser forçada a deixar o país.
Raízes suíças e um detalhe jurídico decisivo
O drama de Gabriela remonta a Pfaffnau, no cantão de Lucerna, onde a sua família tem raízes profundas. Curiosamente, cerca de cem suíços residentes no Equador partem deste mesmo vilarejo, incluindo os seus pais.
Gabriela nasceu no Equador e consta como filha de um suíço e de uma suíça, mas manteve apenas a cidadania equatoriana. O motivo é específico: um cidadão suíço adotou-a no exterior, mas o processo só se tornou juridicamente válido quando ela atingiu a maioridade. Por isso, as autoridades não lhe concederam automaticamente a cidadania suíça.
O pai adotivo de Gabriela, Norberto Purtschert, sempre manteve laços fortes com as tradições suíças. Desde pequena, Gabriela sonhava em estudar na Suíça, influenciada pelos valores e cultura transmitidos pela família.
Educação e integração plena
Aos 16 anos, Gabriela passou o primeiro mês na Suíça, experiência que reforçou o seu desejo de estudar no país. A empresa familiar financiava a estadia de descendentes suíços, e ela beneficiou-se desta oportunidade.
No entanto, sem cidadania, Gabriela não podia frequentar cursos profissionais suíços, mas conseguiu ingressar no ensino universitário. Para tal, passou um ano na Alemanha como au pair, aprendeu alemão, completou exames preparatórios e concluiu o diploma federal de ensino médio.
Seguiu-se a graduação em Biologia e Ciências Ambientais na Universidade de Zurique, mestrado em Microbiologia e doutoramento, totalizando onze anos de formação altamente qualificada. Durante esse período, construiu uma vida plena na Suíça, fez amizades duradouras e integrou-se culturalmente.
Autorizações de residência e obstáculos legais
Apesar de viver há 16 anos na Suíça, Gabriela enfrenta um problema legal sério. Como estudante de país terceiro, tinha autorização de residência limitada. Após concluir os estudos, obteve outra permissão graças ao emprego na Agroscope, centro federal de investigação agrícola.
Contudo, o contrato de trabalho terminou em janeiro de 2025, e o departamento de migração considerou que o “propósito de residência expirou”. Mesmo com pedido de prorrogação, a autorização não foi renovada, obrigando-a a deixar o país até outubro.
O departamento de migração alegou que Gabriela não demonstrou integração profunda, apesar de viver há mais tempo na Suíça do que muitos cidadãos com passaporte suíço. O desemprego tornou-se um fator decisivo, mesmo que qualquer pessoa possa ficar sem emprego temporariamente.
Um futuro incerto e a luta por permanência
A situação tem sido emocionalmente desgastante. Gabriela deseja continuar a construir a sua vida na Suíça e contribuir com o seu conhecimento. Ela lamenta profundamente ter de deixar o país, embora seja altamente qualificada e integrada.
O pai, que mantém uma visão romantizada da Suíça, não consegue compreender a realidade que a filha enfrenta. Para Gabriela, voltar ao Equador seria apenas uma escolha pessoal, não uma imposição.
Atualmente, Gabriela realiza um estágio na indústria alimentícia, especializando-se em alimentos de origem vegetal. Espera que esta experiência lhe permita conseguir um novo emprego e, assim, evitar a deportação. A sua luta é também um alerta para políticas de imigração rígidas que podem afastar talentos altamente qualificados.
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