Crise nos rastreios oncológicos em Portugal: Impasse ameaça milhares de vidas

Crise nos rastreios oncológicos em Portugal: Impasse ameaça milhares de vidas
Crise nos rastreios oncológicos em Portugal: Impasse ameaça milhares de vidas

Introdução: um impasse que continua a crescer

Crise nos rastreios oncológicos em Portugal: Impasse ameaça milhares de vidas. A prevenção continua a ser um dos maiores desafios da saúde pública em Portugal e, por isso, a Liga Portuguesa Contra o Cancro voltou a alertar para o bloqueio que se arrasta há anos. Assim, apesar de a Europa já ter integrado rastreios ao pulmão, estômago e próstata como práticas essenciais, Portugal permanece parado, o que, consequentemente, coloca em risco milhares de vidas.


Rastreios que não avançam

A LPCC lamentou que, embora exista consenso europeu, o país continue sem implementar de forma eficaz estes rastreios. Assim, enquanto outros Estados-membros consolidam programas regulares, Portugal avança e recua, o que revela uma falha estratégica grave.

O presidente da Liga, Vítor Veloso, sublinhou que a prevenção representa a base de todo o combate ao cancro, e reforçou que, ao investir nos rastreios, o Estado acabaria por gastar muito menos com tratamentos complexos. Além disso, salientou que projetos-piloto anunciados continuam sem sair do papel, o que demonstra um bloqueio inaceitável.

Veloso referiu ainda que apenas o projeto-piloto do cancro do pulmão está tecnicamente implementado, embora nem sequer esteja em funcionamento, enquanto os rastreios ao estômago e à próstata permanecem totalmente estagnados. Assim, o país continua distante do que é recomendado pela Europa, o que é considerado inadmissível pela Liga.


Necessidade urgente de passar da teoria à prática

A LPCC exige que Portugal abandone a inércia e finalmente avance para a prática. Embora exista enquadramento europeu claro e legitimado, continua a faltar vontade executiva. Por isso, Veloso assegura que a Liga continuará a pressionar até que todas as medidas estejam efetivamente resolvidas.

O dirigente reforça que “não está a ser pedido nada extraordinário”, e que os direitos dos doentes oncológicos precisam de ser garantidos, porque a morosidade atual compromete diagnósticos precoces e reduz drasticamente hipóteses de cura.


Tempos máximos de resposta que continuam a falhar

O debate também se centrará nos Tempos Máximos de Resposta Garantida, que continuam longe da realidade desejada. Assim, a LPCC recorda que mais de 8.600 doentes terminaram 2024 ainda à espera da primeira consulta, e quase 80% ultrapassaram o prazo recomendado.

Dados da Entidade Reguladora da Saúde demonstram que, embora tenha havido um aumento das primeiras consultas oncológicas em 2025, 57,9% dos doentes esperaram além do limite legal. Como reforça Vítor Veloso, esta falha tem consequências graves, porque “o cancro não espera”.

Consequentemente, atrasos prolongados fazem com que tumores inicialmente tratáveis se tornem situações críticas, o que aumenta a mortalidade e reduz drasticamente hipóteses de sobrevivência. Por isso, garantir tempos de resposta adequados é essencial para salvar vidas.


Direitos dos doentes continuam a ser ignorados

A Liga alerta que os serviços públicos atrasam a aplicação dos apoios legais e, além disso, criam interpretações burocráticas que dificultam o acesso dos doentes aos seus direitos. Assim, este bloqueio agrava ainda mais a vulnerabilidade das famílias afetadas pela doença.

Além disso, estatísticas recentes mostram que, em 2020, a União Europeia registou 2,7 milhões de novos casos e 1,3 milhões de mortes. Sem medidas urgentes, prevê-se um aumento de 24% até 2035, o que transformará o cancro na principal causa de morte no continente.


Um congresso que procura respostas

O 6.º Congresso Nacional de Prevenção Oncológica e Direitos dos Doentes, que decorre no Porto, reúne especialistas e entidades de toda a Europa com o objetivo de discutir soluções práticas. Assim, o evento, que decorre em simultâneo com o encontro anual da Association of European Cancer Leagues, pretende envolver profissionais de saúde, cuidadores e toda a comunidade.

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