Comboios alemães não são a preferência do povo suíço

Comboios alemães não são a preferência do povo suíço
Comboios alemães não são a preferência do povo suíço

População rejeita decisão dos CFF
Comboios alemães não são a preferência do povo suíço. A polémica em torno da aquisição de novos comboios voltou a ganhar força, sobretudo porque, embora os suíços valorizem fortemente a produção nacional, os CFF decidiram contratar 116 composições de dois andares ao grupo alemão Siemens. Além disso, segundo um inquérito 20 Minutes/Tamedia, 68% dos participantes rejeitam esta escolha, o que demonstra uma divergência profunda entre a empresa pública e os cidadãos. Apenas 33% dos inquiridos apoiam a decisão, o que reforça o desfasamento entre expectativas públicas e decisões estratégicas.

Idade e local de residência influenciam opiniões

Embora homens e mulheres apresentem opiniões semelhantes, observa-se que as faixas etárias revelam sensibilidades distintas. Assim, os participantes entre 35 e 49 anos mostram-se ligeiramente menos críticos, já que 58% rejeitam o contrato. Contudo, todas as outras categorias etárias exibem entre 64% e 67% de respostas negativas, o que evidencia um descontentamento transversal. Para além disso, os residentes em meio urbano demonstram uma oposição mais reduzida, com 55% a discordar, enquanto os habitantes de zonas suburbanas e rurais atingem 67% e 68%, respetivamente. Entretanto, os níveis de rendimento não parecem alterar significativamente as posições dos inquiridos.

Preferências políticas mostram forte divisão

Os dados revelam também diferenças relevantes entre famílias políticas. Assim, os simpatizantes da UDC surgem como os mais críticos, já que 81% rejeitam a escolha dos CFF. Logo depois, os apoiantes do PLR e do Centro apresentam níveis de oposição de 64% e 65%. Entretanto, mesmo à esquerda, onde a rejeição é ligeiramente inferior, 55% dos eleitores socialistas e 56% dos Verdes manifestam desacordo. Já os Verdes Liberais revelam-se particularmente divididos, com 46% de opiniões negativas e 44% positivas, refletindo um posicionamento mais equilibrado.

Stadler Rail recorre à via judicial

A situação tornou-se ainda mais tensa porque a empresa suíça Stadler Rail decidiu contestar a decisão junto do Tribunal Administrativo Federal. O contrato, avaliado em quase dois mil milhões de francos, teria sido atribuído à Siemens apenas por ser 0,6% mais barata, segundo a construtora suíça. O presidente do conselho de administração, Peter Spühler, sublinhou que, após uma análise aprofundada, a empresa continua sem perceber a avaliação feita pelos CFF, reforçando a necessidade de esclarecimentos formais.

O inquérito foi realizado entre 27 e 30 de novembro, envolvendo quase 11 mil participantes, com uma margem de erro de 2,8%.

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