As eleições no Consulado-Geral de Portugal em Zurique tinham duas filas que ultrapassavam os 200 metros para cada lado. Filas longas, compactas, lentas, onde o passo era de caracol e a paciência ia sendo gasta metro a metro. Só na fila, em média, durou 3h00. Um cidadão esperou cerca de 2h40, desde a chegada ao Consulado às 15h10 até ao momento do voto, às 17h50. É este o tempo real, concreto, que um cidadão demorou apenas para exercer o seu direito de voto.
Estavam 4 graus, um vento miúdo a cortar a face da cara, e as pessoas iam congelando devagar, presas a essa espera prolongada, corpo imóvel, tempo suspenso. O frio não era apenas do ar, era também do tempo alongado na fila, para quem queria cumprir um dever cívico.
A esta espera somava-se o caminho. Uns chegaram de comboio ou de autocarro, dependentes dos transportes públicos, horários rígidos e ligações sucessivas. Outros vieram de carro, percorrendo muito, mas muito mais quilómetros, vindos de outras cidades, atravessando estradas e tempo, para depois regressarem dentro do próprio cantão de Zurique. Para muitos, o voto não começou na fila, começou horas antes, em deslocações longas e cansativas.
Havia apenas 4 mesas de voto para tanta aderência, poucas mesas para tanta gente. À entrada, os Cartões de Cidadão eram recolhidos, depois aguardava-se cerca de 10 minutos numa sala interior, e só então cada pessoa era chamada pela ordem do nome ou do Cartão de Eleitor. Cada um votou no candidato preferido à Presidência da República, cada um dobrou o envelope em 4 dobras, recebemos de volta o Cartão de Cidadão, e regressamos ao frio. O tempo passado dentro mal deu para aquecer o corpo, quanto mais aliviar o cansaço. Não havia chá quente e muito menos tempo.
Verifiquei o que foi publicado por várias vezes na Revista Repórter X e na InfoSuíça, os boletins apresentam 14 candidatos, apesar de 3 deles terem sido anulados pelo Tribunal Constitucional. É previsível que haja votos inválidos, não por culpa de quem vota, mas por desleixo de quem organiza e informa. Quando o erro é evitável e não é evitado, a responsabilidade é clara. Sabemos que há ainda analfabetos, pessoas idosas, etc., que possam confundir ou não o candidato ou simplesmente ter a ideia de votar num dos candidatos desistentes.
Há informação de que durante todo o Domingo, dia 18 de Janeiro, a afluência foi elevada, tal como no Sábado anterior, dia 17 de Janeiro de 2026.
Correu tudo dentro da normalidade. Mas a normalidade não devia incluir pessoas a gelar em filas intermináveis, deslocações longas e dispendiosas, nem exigir quase 3 horas de espera a quem apenas quer votar. O passado ensina-nos a resistir, o presente exige verdade, e o futuro pede respeito, organização e dignidade para quem exerce um direito fundamental.
Era necessário o voto eletrônico para não passarmos por este sacrifício. Sabemos, e como já disse anteriormente, que há pessoas com pouca escolaridade e velhos, mas há gente nova que também não sabe aderir ao voto electrónico, mas contudo seria mais eficaz. Há famílias inteiras que não foram votar. No voto eletrônico talvez houvesse menos abstenção, há sempre um neto, um filho que pode instruir e ajudar a votar electronicamente.
O voto por carta funciona bem, o problema é que os boletins de voto não chegam, perdem-se muitos pelo caminho ou então não os enviam com medo que mude o sistema político em Portugal, isto porque sabem que os emigrantes têm outras ideias que a maioria dos portugueses residentes não têm. Se uns folhetos de voto não chegam, outros chegam e o eleitor não coloca o Cartão de Cidadão, logo é um voto anulado. Seja o voto eletrônico, seja o voto por correspondência, é melhor que o voto presencial. Ninguém deveria colocar o Cartão de Cidadão nos envelopes para a eleição e votação por carta e devolver à Comissão Nacional de Eleições, é simples, quando recebemos o correio registado, já vêm os nossos dados e logo estamos salvaguardados da identificação de que somos os próprios, mesmo que seja um familiar a levantar a carta, pois o boletim de voto já traz todos os nossos dados.
Nas filas ouviram-se várias opiniões, ninguém apelou ao voto, até porque sabem que é proibido, também por bom senso e educação cultural, mas falou-se em haver eleições e, em caso de eleições presidenciais, outros espaços para votarem, tais como escolherem umas 4 Associações dispersas, primeiro para não ser tão longe para muitos, depois para que os contribuintes e eleitores se dividissem, para não estarem horas na fila e, por fim, para que houvesse mais espaço onde entravam por uma porta e saíam por outra porta. O que se verificou no Consulado de Zurique é que a porta afunilada do Consulado dava para entrar e para sair, um pouco apertados. Todas as pessoas que fizeram parte das mesas de voto e interajuda técnica poderiam ser distribuídas por essas Associações para manter o respeito e fazerem um trabalho sério e digno. Aqui também o fizeram, mas quem congelou, quase se arrependeu de ter ido votar.
autor: Quelhas autor Quelhas, Repórter X / Repórter Editora – YouTube


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