Vaud debate direito político para estrangeiros. O cantão de Vaud prepara-se para decidir, no próximo domingo, uma questão que volta a agitar o debate político. Embora os eleitores tenham rejeitado em setembro o alargamento do direito de voto comunal aos estrangeiros, o tema regressa agora, contudo, num nível superior. Assim, os cidadãos deverão pronunciar-se sobre uma iniciativa popular que pretende permitir que residentes estrangeiros possam votar e ser eleitos a nível cantonal, desde que vivam há três anos em Vaud e há dez anos na Suíça.
Além disso, a proposta é promovida pelo movimento cidadão Ag!ssons, que tenta derrubar uma barreira que permanece intacta na maioria do país. Apenas Neuchâtel e Jura concedem atualmente estes direitos políticos. Por outro lado, importa recordar que uma iniciativa semelhante foi rejeitada por 69% dos votantes em 2011, o que demonstra a persistência das divisões sobre o tema.
Contudo, se o “sim” vencer agora, o corpo eleitoral aumentará de 456 mil para 568 mil votantes, o que alterará significativamente o panorama democrático do cantão. Este impacto numérico é frequentemente sublinhado pelos defensores e pelos opositores, que avaliam de forma diferente as suas consequências.
Clivagem esquerda-direita
A esquerda manifesta um apoio firme à proposta. O PS, os Verdes, os Vert’libéraux e várias ONG defendem que cerca de um terço da população permanece excluída da participação política apenas por não possuir nacionalidade suíça. Muitos destes residentes, afirmam, vivem há décadas no cantão, trabalham, contribuem para a economia e, além disso, estão plenamente integrados. Por isso, consideram que manter estas pessoas afastadas das decisões públicas perpetua uma verdadeira “fratura democrática”.
Todavia, a direita ergue uma barreira clara ao projeto. O PLR, a UDC e a Liga Vaudoise argumentam que o direito de voto cantonal deve estar indissociavelmente ligado à naturalização. Assim, defendem que conceder esse direito sem cidadania plena criaria um estatuto de “meio-cidadão”, considerado inaceitável e perigoso para a coerência institucional.
O Conselho de Estado recomenda igualmente o voto contra, embora reconheça que os objetivos de integração são louváveis. No entanto, insiste que a via adequada continua a ser a naturalização tradicional, que já oferece um quadro estável e reconhecido.
Outros dois temas em votação
Para além desta iniciativa, os eleitores de Vaud deverão ainda decidir sobre duas outras questões cantonais. A primeira proposta pretende conceder direitos políticos às pessoas sob curatela de alcance geral, estimadas em cerca de 1400. Os defensores da mudança alegam que tal garantiria igualdade de tratamento e estaria em conformidade com as normas internacionais.
Todavia, parte da direita receia que estas pessoas possam ser alvo de manipulações ou apresentar dificuldades de discernimento suficientes para comprometer o processo democrático. Por isso, a proposta cria um debate sensível, onde se confrontam princípios de inclusão e garantias de proteção.
A segunda questão pretende autorizar os Vaudois residentes no estrangeiro a participar na eleição dos conselheiros aos Estados, tal como já fazem para o Conselho Nacional. Esta alteração interessa a cerca de 25 mil expatriados.
Além disso, tanto o Conselho de Estado como quase todo o Parlamento cantonal apoiam esta modificação constitucional, considerando que reforça a ligação democrática com a diáspora vaudoise. Por conseguinte, esta proposta deverá enfrentar menos resistência do que as outras.
Debate decisivo para o futuro político
O domingo eleitoral promete, assim, marcar um momento crucial para o cantão. A decisão sobre o direito político dos estrangeiros poderá alterar profundamente a definição de cidadania em Vaud. Em simultâneo, as outras duas votações testarão a capacidade do sistema político de integrar públicos até agora excluídos.
Num contexto em que a participação democrática se debate com desafios contemporâneos, a escolha dos Vaudois permitirá medir a abertura do cantão à ampliação do seu corpo cívico.


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