Uma luta de anos em sofrimento que se estende aos políticos portugueses. Há lutas que não se escolhem, impõem-se. Há sofrimentos que não terminam quando o acidente acaba, prolongam-se no tempo, nos corredores das instituições, no silêncio das respostas que nunca chegam.
Domício R. Gomes é um Lesado, com L grande, porque carrega no corpo e na vida as marcas de um acidente de trabalho ocorrido a 15 de Novembro de 2017, em Versoix, e porque se recusa a aceitar que a injustiça se transforme em regra.
Nesse dia, às 10h40 da manhã, numa obra situada na Route de Suisse 95, a vida mudou. O responsável da obra não se encontrava no local. O acidente ficou registado, o processo abriu-se, mas a verdade nunca foi plenamente reconhecida.
Depois de 7 anos, o que permanece não é a reparação, é a dor!
As consequências físicas são claras e persistentes. Fortes dores na cabeça e no pescoço, medicação constante, tratamentos sucessivos, repouso absoluto.
O corpo envelhece antes do tempo. A dor não passa. A idade avança, o desgaste acumula-se.
Mas esta não é apenas a história de um acidente. É a história de um percurso de abandono institucional. Sempre que um Lesado da SUVA insiste, sempre que luta, surgem as chamadas “perturbações”, rótulos vagos e convenientes usados contra qualquer doente que tenha sofrido um acidente e que lute contra a SUVA ou contra a AI / IV / SVA.
(O mesmo acontece com pais de crianças a quem retiram os filhos, tentando fazer de todos nós malucos, doidos ou parasitas.)
Estes são os chamados profissionais que estudaram para dar cabo da vida dos outros, recorrendo a exames fictícios, relatórios falsos e avaliações forjadas.
O desgaste psicológico surge depois, não como causa, mas como consequência.
Anos sem uma revisão séria do processo. Respostas consideradas “verdadeiramente forjadas”. Falta de coragem institucional para receber o Lesado presencialmente. Tratamento indigno, como se fosse um mentiroso, uma pessoa não grata, apenas por não concordar com decisões fraudulentas. Pedir direitos não é crime. Pedir o que falhou não é crime. Crime é abandonar.
Perante este muro, o Domício decidiu falar também no plano político.
“É aqui que entram os nossos políticos portugueses.”
Pediu ajuda directa aos representantes do Estado português, exigindo intervenção, responsabilidade e humanidade. Os nomes são claros e públicos:
o Embaixador de Portugal em Berna, Júlio Vilela, os cônsules Gonçalo Mota e Maria Leonor, bem como os deputados da emigração Carlos Gonçalves e José Dias Fernandes, ao conselheiro, António Guerra Íria, junto de quem expôs a situação e solicitou orientação e ajuda, numa tentativa de não ficar sozinho perante um sistema fechado.
Mais do que isso, Domício enviou uma carta formal através dos sites oficiais da Presidência da República e do Governo de Portugal.
Nessa carta deixou um pedido claro e grave, “preciso de médico e advogado que não sejam do sistema, que sejam isentos e não pertençam a essas instituições.”
Um pedido que revela desespero, mas também lucidez, a consciência de que quem pertence ao sistema raramente o enfrenta.
A correspondência segue “em todas as direcções”, como numa guerra.
Não uma guerra de armas, mas de resistência. Cartas para seguradoras, tribunais, autoridades suíças, representantes diplomáticos, políticos portugueses, órgãos de comunicação social. Uma guerra contra o cansaço imposto, contra o silêncio, contra a estratégia de deixar o tempo passar até que o Lesado desista.
Domício enumera ainda tudo aquilo que não fez. Não apresentou queixa contra o responsável da obra, nem contra os serviços de urgência, nem contra a ambulância que parou para reabastecer, nem contra o hospital que recusou um exame à cabeça, nem contra médicos, avaliadores, advogado ou fisioterapeuta.
Não por concordância, mas por respeito. Respeito pelas instituições, pela Suíça, país onde gosta de viver. Mais tarde, porque a saúde já não permitia e os meios financeiros desapareceram.
Depois das decisões dos tribunais, veio a pobreza. “É isto que os safa.”
O desgaste, a falta de recursos, o cansaço extremo. E ainda a humilhação, quando se riem dos Lesados e lhes chamam coitadinhos.
Hoje, esta voz já não é apenas individual. É o reflexo de muitos Lesados na Suíça, trabalhadores, pais e crianças, doentes, cidadãos esmagados por mecanismos frios e desumanizados.
Daí o apelo final, lançado com visão de futuro, se nada mudar, será preciso unir forças, nem que para isso seja necessário criar uma associação, transformar dores isoladas numa voz colectiva impossível de ignorar.
Não escreve por vingança. Escreve por verdade. Não fala por ódio. Fala por dignidade. E lembra que o futuro só se constrói com coragem, memória e respeito pela condição humana. Tudo o resto é silêncio cúmplice.
Esperamos mais do próximo presidente da República Portuguesa, acreditamos que pode mudar Portugal e olhar melhor, com melhores olhos pelos emigrantes…!
Retirado do email de Domício Gomes enviado a várias individualidade e expressamente autorizado fazer notícia para a Revista Repórter X e Infosuiça.


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