Fala-se em dezenas de mortos, fala-se em perto de uma centena de feridos, a maior parte deles com queimaduras graves, profundas, que marcam o corpo e a vida para sempre.
Os números ainda oscilam, e é prudente dizê-lo assim, mais ou menos 40 mortos, mais ou menos 100 feridos, porque a verdade definitiva leva tempo. Mas a tragédia já é certa, e irreversível. Entre as vítimas, tudo indica que poderão existir emigrantes, possivelmente portugueses, gente que trabalha, que vive, que celebra, e que confia.
O incêndio ocorreu durante a passagem de ano 2025/6, num espaço de convívio, num bar de montanha, num lugar que deveria ser abrigo e não armadilha.
Apontam-se hipóteses, fogos de artifício, uma chama descuidada, um tecto de madeira que arde como memória seca. Tudo isso será apurado. Mas há uma pergunta que não pode esperar pelas conclusões técnicas, porque é anterior a qualquer faísca.
Onde está a segurança?
A Suíça, diz ser tão rigorosa em tudo, tão exigente com papéis, regras, autorizações, formulários e controlos, onde estava quando dezenas de pessoas ficaram encurraladas num espaço fechado!
Onde estão as saídas de emergência?
Onde estão as portas alternativas, as janelas acessíveis, as escadas de fuga, os acessos a garagens ou zonas de refúgio?
Onde estão os planeamentos que salva vidas quando o pânico começa?
Quando existe apenas uma saída, a história repete-se. Já se repetiu em Portugal, na discotecas Pé-Descalço, em espaços de festa, onde muitos não morreram queimados, morreram esmagados, calcados, empurrados pelo desespero de quem tentava sobreviver e só depois o fogo queimou!
Não é surpresa, é memória. E ignorar a memória é escolher o risco. A Suíça passa muitas mensagens para o exterior que não corresponde à verdade, este espaço nos Alpes é um exemplo de que só havia uma saída e tudo indica que as pessoas que ficaram antes de sofrerem queimaduras foram esmagadas, mas isso os jornais não falam, porque a Suíça esconde o verídico!?
A crítica tem de ser dita desde o início, com argumentos. Se um espaço que acolhe muitas pessoas não garante vias de fuga claras e múltiplas, a responsabilidade não termina no acidente. A responsabilidade sobe. Sobe aos reguladores, aos fiscalizadores, aos municípios, aos cantões, aos governantes.
A ausência de segurança não é azar, é falha estrutural. E falhas estruturais têm sempre responsáveis.
Um país que constrói a sua reputação na ideia de segurança absoluta não pode aceitar mortes como se fossem fatalidades inevitáveis.
Quando não há prevenção, a culpa não é do fogo, é de quem permitiu que ele encontrasse pessoas sem saída.
Este é apenas o início. O resto exige tempo, silêncio e apuramento. Mas a pergunta fica, firme como pedra fria da montanha.
Onde estava a segurança?
autor: João Carlos Quelhas
Revista Repórter X Editora Schweiz


Seja o primeiro a comentar