Votação demonstra recusa clara
Suíça rejeita impostos para herdeiros milionários. Os eleitores suíços rejeitaram de forma contundente a proposta da Juventude Socialista, que pretendia criar um imposto de 50% sobre heranças superiores a 50 milhões de francos. Assim, a chamada “iniciativa para o futuro” foi afastada por 78,3% dos votos, reforçando, portanto, a resistência do país a alterações fiscais profundas. Além disso, o escrutínio contou com uma participação de 43%, o que, embora moderado, mantém a tendência habitual da política helvética.
A rejeição foi transversal ao país e, por isso, nenhum dos 26 cantões apoiou a proposta. De facto, o voto negativo foi especialmente expressivo em Appenzell Rhodes-Interiores, onde 91% dos cidadãos recusaram o imposto. Logo a seguir surgiram Schwytz, com 90,6%, e Nidwald, com 89,3%. Este resultado evidencia uma oposição nacional muito firme à tributação das grandes fortunas.
Diferenças regionais marcadas
Embora todas as regiões tenham rejeitado a iniciativa, algumas mostraram resistência ligeiramente menor. Assim, Basileia-Cidade apresentou o resultado menos negativo, com 66,6% de votos contra. Logo depois apareceram Genebra, com 68,15%, e Neuchâtel, com 68,6%, todos eles tradicionalmente mais progressistas.
Já nos restantes cantões francófonos, Vaud rejeitou o texto com 70,6%, o Jura com 70,9% e Friburgo com 74,6%. O Valais votou “não” com 83,5%. Berna também rejeitou a iniciativa com 76,3%, embora a capital federal tenha sido uma das raras exceções: a cidade de Berna aprovou a proposta por uma margem mínima de 50,75%. Este pequeno desvio reforça a complexidade política do país.
Além disso, nos principais cantões germanófonos, os resultados seguiram a mesma linha: Argóvia recusou o texto com 84,3%, os Grisões com 82,7% e Zurique com 74,8%.
Reações dos defensores do “não”
A vitória do “não” foi rapidamente celebrada por representantes liberais e pelo setor empresarial. A conselheira aos Estados Johanna Gapany considerou que “a população percebeu que tributar 50% de uma herança equivaleria a um verdadeiro ataque do Estado”. Paralelamente, a União Suíça das Artes e Ofícios afirmou que o resultado demonstra o reconhecimento da importância das empresas familiares e do espírito empreendedor.
Economiesuisse, por sua vez, sublinhou que o eleitorado terá sido sensível ao risco de vendas forçadas de empresas e às potenciais consequências económicas. Assim, a organização defendeu que a iniciativa, ao tentar financiar políticas climáticas através da tributação das grandes fortunas, colocava em causa a estabilidade económica.
Críticas da Juventude Socialista
Em contrapartida, a Juventude Socialista acusou o lobby económico de promover “a campanha de difamação mais intensa de sempre”. Segundo a organização, o debate foi manipulado por “afirmações falsas e alarmismo”, impedindo um diálogo sério sobre desigualdade e clima. No entanto, a Juventude Socialista garantiu que continuará a lutar por justiça fiscal e sublinhou que “os mais ricos continuam protegidos, mas não deixarão de escapar ao escrutínio público”.
O Partido Socialista também destacou que a iniciativa permitiu discutir a concentração crescente de riqueza. Além disso, o seu co-presidente Cédric Wermuth afirmou que, enquanto os ultra-ricos aumentarem o poder económico e contribuírem para emissões poluentes sem compensação, o partido continuará a defender maior equidade fiscal.


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