Seguros duplos, cartas de ameaça e um processo pendente em tribunal. Chegou à redacção da Revista Repórter X um caso que expõe, sem maquilhagem nem rodeios, o modo como o sistema suíço de seguros pode falhar gravemente quando várias entidades erram em cadeia e nenhuma assume a responsabilidade a tempo.
(É assim nos seguros é assim noutros assuntos como temos vindo a falar, é só seguir a nossa página Revista Repórter X Editora Schweiz e Infosuiça e dará conta de tudo…!)
No centro da situação está a Assura, que activou um seguro obrigatório de saúde enquanto outro seguro do mesmo tipo continuava activo noutra seguradora. Esse duplo seguro não surgiu por iniciativa do cidadão, mas porque a KPT não procedeu à rescisão do contrato anterior. Perante essa omissão, a Assura avançou, criando uma situação de Krankenkasse dupla, algo que a lei não prevê e que o bom senso rejeita.
O erro inicial da KPT abriu a porta. A decisão da Assura de avançar sem confirmar o encerramento do contrato anterior agravou o problema. O resultado foi simples e brutal, seguros obrigatórios em duplicado, confusão administrativa e pressão financeira sobre quem sempre cumpriu.
A situação não ficou por aqui. O mesmo vendedor envolvido neste processo celebrou posteriormente novos seguros complementares para vários membros da mesma família, sem rescindir os contratos já existentes noutras seguradoras, nomeadamente na Helsana e na INNOVA.
Mais uma vez, surgiram seguros duplos, agora no campo dos extras, não por escolha, mas por falha grave de procedimento.
Importa deixar claro um ponto essencial, os seguros complementares continuaram a ser pagos regularmente às seguradoras onde estavam validamente activos anteriormente. À Assura não foi pago qualquer valor, nem relativo ao seguro obrigatório, nem relativo aos seguros extra.
Apesar disso, começaram a surgir cartas de ameaça, processos de cobrança e linguagem intimidatória, como se o medo pudesse substituir a razão. Mas aqui não há medo, há seriedade contra corrupção!?
O caso encontra-se actualmente no Tribunal da Segurança Social. Ainda assim, as ameaças continuaram. A insistência em pressionar um cidadão quando o processo já está em tribunal não é apenas desnecessária, é reveladora de uma cultura que prefere intimidar a esclarecer.
Há ainda um elemento adicional que reforça o padrão de desorganização. A Assura deve uma comissão de cerca de mil francos, resultante da angariação de seguros junto de uma família. Esse valor foi pago por erro a uma terceira pessoa, que o devolveu por não lhe pertencer. Apesar disso, a seguradora nunca voltou a transferir a comissão para quem de direito, mantendo indevidamente um montante que não lhe pertence.
Este caso levanta questões sérias. Quem fiscaliza as seguradoras quando activam contratos sem confirmar rescisões. Quem responde pelos erros dos vendedores. Quem protege o cidadão quando o sistema cria seguros duplos e depois ameaça quem não deve nada. E que confiança pode existir quando até comissões reconhecidas ficam retidas sem explicação.
A Suíça gosta de se apresentar como terra de rigor e exactidão. Mas é nos detalhes da vida dos mais simples que esse rigor é verdadeiramente posto à prova. Quando o erro é sempre empurrado para quem paga, algo está profundamente errado.
A Revista Repórter X continuará a acompanhar este caso e outros semelhantes. Porque cada seguro duplicado é um abuso. Cada ameaça indevida é uma violência silenciosa. E cada falha assumida tarde demais é um retracto de um sistema que precisa, urgentemente, de ser confrontado com a verdade. Pede-se ao tribunal indemnizações ás duas seguradoras por erros administrativos, abuso de poder e ameaça constante e atentado à saúde mental e psicológica de toda a família.
autor: Quelhas


Seja o primeiro a comentar