Segundo a OCDE 50% dos portugueses satisfeitos com a saúde

Segundo a OCDE 50% dos portugueses satisfeitos com a saúde
Segundo a OCDE 50% dos portugueses satisfeitos com a saúde

Segundo a OCDE 50% dos portugueses satisfeitos com a saúde. Embora a saúde continue a ser uma das maiores prioridades nacionais, surge agora um novo retrato sobre a forma como os portugueses percecionam o sistema de cuidados. Assim, com base no mais recente relatório “Panorama da Saúde 2025” da OCDE, torna-se evidente que a satisfação geral permanece moderada, apesar de vários indicadores positivos. Portanto, este artigo analisa esses dados de forma clara, ativa e acessível, oferecendo uma visão completa e atualizada.


Satisfação dos portugueses com o acesso à saúde

De acordo com o relatório, pouco mais de metade dos portugueses afirma estar satisfeita com a disponibilidade de cuidados de saúde de qualidade. Além disso, esta percentagem fica abaixo da média de 64% dos países pertencentes à OCDE, o que demonstra uma perceção menos favorável em Portugal. Ainda assim, importa destacar que Portugal supera a média internacional em cinco dos dez indicadores mais relevantes, reforçando a ideia de que o desempenho real é mais forte do que a satisfação expressa.


Acesso universal a cuidados essenciais

Em primeiro lugar, o relatório sublinha que toda a população portuguesa tem acesso a um conjunto básico de serviços de saúde, o que continua a ser um ponto central do sistema. Contudo, apenas 58% dos cidadãos declara satisfação com a disponibilidade de cuidados de qualidade, uma percentagem que revela espaço de melhoria. Apesar disso, apenas 2,4% dos portugueses reportou necessidades de saúde não satisfeitas, um valor significativamente inferior à média de 3,4% entre os países analisados.


Indicadores de qualidade do sistema de saúde

Quando se observam os indicadores específicos de qualidade, Portugal apresenta resultados expressivos. Por exemplo, 99% das crianças com um ano receberam a vacina contra difteria, tétano e tosse convulsa, um valor acima da média da OCDE. Do mesmo modo, 56% das mulheres portuguesas fizeram rastreio ao cancro da mama, percentagem alinhada com os restantes países.

Além disso, verificaram-se 236 internamentos evitáveis por cada 100.000 habitantes, um número que representa um desempenho superior à média da OCDE, situada nos 473 internamentos. No entanto, a mortalidade aos 30 dias após enfarte agudo do miocárdio chegou aos 7,1%, ligeiramente acima da média de 6,5%. Por outro lado, a mortalidade após acidente vascular cerebral atingiu 9,3%, igualmente acima da média internacional.


Gastos em saúde e sustentabilidade futura

Outro ponto crucial refere-se ao investimento em saúde. Portugal gasta cerca de 4.500 euros por pessoa, valor inferior à média da OCDE. Este montante corresponde a 10,2% do PIB nacional, enquanto a OCDE investe cerca de 9,3% do total do seu PIB em cuidados de saúde.

Ainda assim, as projeções apontam para um aumento de aproximadamente 1,5 pontos percentuais da despesa pública em saúde até 2045. Esse crescimento será impulsionado principalmente pela evolução tecnológica, pelo envelhecimento populacional e pelas expectativas crescentes dos utilizadores relativamente ao que o sistema deve oferecer. Portanto, a sustentabilidade financeira torna-se um tema cada vez mais determinante para o futuro da saúde em Portugal.


Recursos humanos no setor da saúde

O relatório destaca também o número de profissionais disponíveis. Em Portugal, existem 5,8 médicos por cada mil habitantes, um valor bastante acima da média da OCDE, situada nos 3,9. Contudo, o número de enfermeiros é mais baixo do que o desejado, registando apenas 7,6 por cada mil habitantes, face aos 9,2 da média internacional. A OCDE alerta ainda que os números relativos aos médicos podem estar sobrestimados, já que incluem todos os licenciados, incluindo os não praticantes.

Simultaneamente, a organização sublinha que um em cada nove empregos nos países da OCDE pertence à área da saúde ou apoio social, tendência que deverá continuar a crescer.


Esperança de vida e mortalidade

Portugal apresenta uma esperança média de vida de 82,5 anos, superando a média internacional em 1,4 anos. Além disso, a esperança de vida global nos países da OCDE continua a recuperar após o impacto da pandemia, alcançando os 81,1 anos.

No que toca à mortalidade evitável, Portugal regista 117 mortes por 100.000 habitantes, valor inferior à média de 145. Também a mortalidade tratável apresenta desempenho positivo, situando-se nos 63 óbitos, quando a média internacional chega aos 77. Importa referir que a taxa de suicídio é igualmente mais baixa do que a média internacional, fixando-se nos oito casos por 100.000 habitantes.


Estilos de vida e fatores de risco

O relatório destaca igualmente elementos associados aos hábitos e comportamentos dos cidadãos. A prevalência do tabagismo diário em Portugal é de 14,2%, ligeiramente inferior à média da OCDE. Contudo, o consumo de álcool é mais elevado, atingindo 11,9 litros per capita, face aos 8,5 litros registados nos restantes países.

Outro ponto preocupante prende-se com os níveis de atividade física. Em Portugal, 56% dos adultos não pratica exercício suficiente, uma percentagem muito acima da média internacional, que se situa nos 30%. Mesmo assim, a obesidade autodeclarada revela valores mais positivos, fixando-se nos 16%, abaixo dos 19% observados na OCDE.

Assim, torna-se evidente que os estilos de vida continuam a desempenhar um papel determinante na saúde da população, influenciando de forma direta tanto a mortalidade como a qualidade de vida.


Conclusão

Em síntese, o relatório da OCDE mostra um sistema de saúde português com resultados robustos e indicadores sólidos, embora a perceção pública nem sempre acompanhe esse desempenho. Portanto, a melhoria na satisfação dos cidadãos dependerá não só do reforço dos recursos humanos e da eficiência dos serviços, mas também de políticas focadas na prevenção, literacia em saúde e promoção de estilos de vida saudáveis.

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