Refugiados ajudam a construir a maior festa de luta suíça por falta de voluntários

Refugiados ajudam a construir a maior festa de luta suíça por falta de voluntários
Refugiados ajudam a construir a maior festa de luta suíça por falta de voluntários

Refugiados ajudam a construir a maior festa de luta suíça por falta de voluntários. A Fête Fédérale de Luta Suíça e dos Jogos Alpinos (FFLS), que terá lugar no final de agosto no cantão de Glaris, está a ser organizada com o apoio essencial de refugiados e requerentes de asilo. Devido à escassez de voluntários, os organizadores recorreram, de forma inovadora, a trabalhadores do setor do asilo. Esta colaboração não só ajuda na logística do evento, como também promove a inclusão social e a integração ativa dos recém-chegados à Suíça.

Uma resposta rápida à falta de voluntários

Desde meados de julho, dezenas de refugiados provenientes do Afeganistão, Síria, Ucrânia e vários países africanos estão envolvidos nas obras do recinto da FFLS, no aeródromo de Mollis. Como o número de voluntários registados era insuficiente, o cantão de Glaris decidiu agir rapidamente. Assim, as autoridades, em parceria com o comité organizador, implementaram um programa de emprego destinado a pessoas do setor do asilo.

Dessa forma, os refugiados passaram a desempenhar tarefas cruciais, como a montagem de tendas e estruturas temporárias, essenciais para acolher os mais de 350 mil visitantes esperados no evento. Esta ação não só resolveu um problema logístico urgente, como também trouxe uma dimensão social profundamente positiva à iniciativa.

Uma missão com impacto humano e social

De acordo com Carlo Bommes, membro do Comité de Organização da FFLS, os refugiados mostraram algum ceticismo no início. No entanto, com o passar dos dias, tornaram-se extremamente empenhados e demonstraram grande satisfação no trabalho. Esta experiência revelou-se, segundo ele, uma “missão muito integradora”.

Ao mesmo tempo, Christine Saredi, chefe do setor de Asilo do cantão de Glaris, sublinhou que a iniciativa não é apenas funcional, mas também um gesto de inclusão. De facto, ela permite que os refugiados participem ativamente numa das maiores celebrações culturais da Suíça, reforçando assim o sentimento de pertença à sociedade de acolhimento.

Uma celebração grandiosa à escala nacional

Por outro lado, é importante destacar que a Fête Fédérale de Luta se realiza apenas de três em três anos, o que aumenta ainda mais a sua importância. Este ano, o evento decorre entre os dias 29 e 31 de agosto e estima-se que atrairá cerca de 56.500 pessoas apenas na arena central, para além das mais de 350.000 visitantes em todo o recinto.

Para garantir o sucesso logístico da festa, cerca de 100 militares e 10 chefes de obra trabalham diariamente há semanas no local. Além disso, materiais de grandes eventos internacionais, como os da Fórmula 1, estão a ser reutilizados, mostrando uma gestão eficiente e sustentável dos recursos.

A tradição da luta suíça e os preparativos meticulosos

Sem dúvida, o elemento mais emblemático da festa será a colocação de 37 toneladas de serradura, que servirão para formar sete ringues onde 274 lutadores suíços se enfrentarão em combates tradicionais. Este detalhe demonstra o nível de planeamento e dedicação envolvido na organização de um evento que preserva a identidade cultural suíça.

Portanto, a FFLS não é apenas uma festa desportiva, mas também um momento de encontro entre gerações, culturas e regiões do país. Cada detalhe foi cuidadosamente pensado para garantir uma experiência única para atletas, visitantes e todos os que contribuíram para a sua concretização.

Glaris supera ceticismo e mostra que é capaz

Quando Jakob Kamm, atual presidente do comité organizador, propôs trazer a FFLS para o cantão de Glaris, enfrentou críticas e ceticismo. Muitos consideraram o evento demasiado ambicioso para uma região com apenas 40.000 habitantes. Houve também receios financeiros, especialmente após o défice registado na edição anterior em Pratteln, em 2022.

Contudo, ao longo de 15 anos de trabalho, Jakob Kamm manteve-se firme e visionário. Hoje, os resultados falam por si: o evento está totalmente autofinanciado e conta com apoios de peso, como o da Migros, que celebra o seu centenário no recinto, com a presença de 30.000 colaboradores.

Um exemplo de sustentabilidade financeira e solidariedade

O orçamento total do evento está estimado entre 35 e 40 milhões de francos suíços, conforme o site oficial da FFLS. Esta soma foi assegurada graças ao envolvimento de patrocinadores, bilheteiras, voluntariado e trabalho colaborativo com o setor público. Além disso, ao envolver refugiados no processo organizativo, o evento demonstra como é possível combinar economia, cultura e responsabilidade social.

Em forma de agradecimento, os refugiados que participaram na montagem do recinto terão a oportunidade de assistir ao evento a partir da tribuna dos voluntários. Esta oferta simbólica reforça o espírito de inclusão e respeito que caracteriza esta edição da festa.


Conclusão: uma festa que vai muito além da luta

Em suma, a edição de 2025 da Fête Fédérale de Luta Suíça destaca-se não só pela sua dimensão desportiva e cultural, mas também pela sua capacidade de adaptação e compromisso social. Ao integrar refugiados nas fases de preparação, os organizadores conseguiram não apenas resolver uma crise de voluntariado, como também criar uma oportunidade única de integração.

Assim, Glaris não só recebe uma das maiores festas do país, como também dá ao mundo um exemplo de como tradição, inovação e solidariedade podem caminhar lado a lado. Neste contexto, a FFLS de 2025 já se tornou histórica, mesmo antes de começar.

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