Quase 90 mil assinaturas na Suíça contra rendas abusivas. O povo decidirá

Quase 90 mil assinaturas na Suíça contra rendas abusivas. O povo decidirá
Quase 90 mil assinaturas na Suíça contra rendas abusivas. O povo decidirá

Assinaturas revelam pressão social

Quase 90 mil assinaturas na Suíça contra rendas abusivas. O povo decidirá. A recolha acelerada de assinaturas para a iniciativa contra os aluguéis abusivos está a transformar-se num sinal político claro na Suíça. Embora o texto ainda não tenha atingido as 100 mil assinaturas necessárias, já reuniu quase 90 mil em apenas seis meses. Assim, torna-se evidente que a população será chamada às urnas. Além disso, este impulso mostra como o tema habitação domina o debate público.

Movimento cresce apesar da resistência

A deputada Jessica Jaccoud, membro do comité da Asloca, explica que o ritmo da recolha não surpreende. De facto, quando se fala com as pessoas na rua, elas ouvem com atenção. E isso acontece porque os orçamentos familiares estão cada vez mais pressionados por rendas que sobem continuamente. Assim, este problema tornou-se, segundo a deputada, a segunda maior preocupação das famílias no que toca ao poder de compra. Muitos cidadãos sentem que os valores atuais dos alugueres afetam diretamente a sua qualidade de vida.

Além disso, as dificuldades atingem todas as gerações. Por exemplo, os jovens têm cada vez mais dificuldade em sair de casa, já que faltam apartamentos a preços acessíveis. Em simultâneo, muitos casais perguntam-se se poderão ter um segundo filho no espaço reduzido disponível. E, por sua vez, vários reformados ponderam abandonar as suas comunidades, procurando municípios ou até cantões onde o custo da habitação seja mais baixo.

Proposta quer rendas baseadas nos custos reais

Entretanto, o avanço da iniciativa surpreende alguns observadores, sobretudo porque muitas propostas anteriores em defesa dos inquilinos falharam. O caso mais recente ocorreu em Zurique, onde os eleitores rejeitaram uma iniciativa para promover mais habitação acessível. No entanto, Jessica Jaccoud rejeita qualquer comparação. De acordo com a deputada, o texto atual não pretende criar mecanismos de pré-compra para os municípios, o que muitos interpretam como uma interferência excessiva do Estado. Pelo contrário, a iniciativa quer que os alugueres reflitam os custos reais, garantindo aos proprietários rendimentos considerados justos.

Do lado dos opositores, o número de assinaturas recolhidas não impressiona. Olivier Feller, deputado liberal e secretário-geral da Federação Romanda Imobiliária, afirma que esperava uma entrega mais rápida, tendo em conta a crise habitacional. No entanto, reconhece que o tema deve ser debatido com seriedade.

Foco deve ser a construção, dizem críticos

Para Feller, atuar sobre os preços não resolve o problema central: a falta de oferta. Em locais como Lausanne, explica, o mercado está tão saturado que é difícil encontrar habitação, mesmo para quem dispõe de meios financeiros elevados. Por isso, sugere que seria mais eficaz flexibilizar as regras de construção. Além disso, recorda que, em muitas regiões, já é obrigatório reservar parte dos novos edifícios para habitação a renda controlada.

Por sua vez, Sidney Kamerzin, do Centro, sublinha que as necessidades variam significativamente entre cantões. Para ele, uma solução uniforme para todo o país criaria um sistema demasiado complexo e potencialmente caro. Zurique, afirma, beneficiaria de permitir aos municípios adquirir mais facilmente terrenos para construir habitação social. Porém, isto não faria sentido em regiões como o Valais ou o Jura.

Controlo de rendas divide opiniões

A deputada Jaccoud discorda frontalmente. Para ela, sem um mecanismo automático de controlo das rendas, a carga recai sempre sobre os inquilinos. Além disso, sublinha que muitos proprietários obtêm hoje rendimentos considerados excessivos e movidos pela especulação. E reforça que o acesso à habitação é um direito básico, devendo portanto existir limites aos lucros obtidos.

Enquanto isso, o debate promete intensificar-se, já que o alojamento continua a ser um dos temas mais sensíveis do país. E, como tudo indica, os eleitores terão a última palavra.

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