Há eleições que revelam um país e há eleições que o expõem. As presidenciais portuguesas de 2026 pertencem à segunda categoria. Estão a ser uma vergonha! Não pelo voto em si, mas pelo processo, pela televisão, pelas sondagens, pelos ataques rasteiros dos candidatos e pelo ambiente de intimidação moral que se instalou nas redes sociais, mas os partidos do sistema cooperam com os média!
Comecemos pelos factos, porque sem factos não há democracia, apenas barulho:
Os oito candidatos, Henrique Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes, António José Seguro, André Ventura, João Cotrim de Figueiredo, Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, tiveram acesso pleno a debates televisivos um a um, em horário nobre, antes mesmo de alguns terem cumprido integralmente as formalidades legais exigidas, nomeadamente a recolha e validação das 7500 assinaturas pelo Tribunal Constitucional, no qual eu, João Carlos Veloso Gonçalves, como pré-candidato também ganharia com isso e poderia estar num lugar em destaque, que provavelmente me foi retirado, assim bem como a tantos outros!
Enquanto isso, três outros candidatos, com assinaturas reunidas, entregues e aprovadas pelo Tribunal Constitucional, foram excluídos do direito de antena televisivo e com razão. Protestaram. Apresentaram queixas à Comissão Nacional de Eleições. E afastaram-se do processo como acto político de denúncia, recusando legitimar uma desigualdade evidente. Os seus nomes nunca foram devidamente esclarecidos ao público, nem o processo explicado com transparência, o que diz muito sobre o estado da democracia mediática.
Falou-se, inclusive, em boletins já impressos com 14 nomes, numa confusão grave nunca esclarecida, nem quanto ao desperdício de dinheiro público, nem quanto ao risco de votos inválidos por desinformação do eleitor.
Apesar dessas desistências, permaneceram 3 candidaturas no boletim, André Pestana, Manuel João Vieira e Humberto Correia. Os dois primeiros passaram a ter campanha televisiva regular, com vídeos diários. O terceiro não. No caso de Humberto Correia, apenas foi exibida uma fotografia. Sem discurso. Sem vídeo. Sem palavra. Diz-se que não enviou material. Não se sabe. Não foi esclarecido. E numa democracia, o silêncio institucional também é responsabilidade.
Os debates televisivos entre os 8 foram outro capítulo de vergonha. Não foram debates. Foram confrontos azedos, carregados de ressentimento, de vinganças do passado e de assuntos irrelevantes para a política actual.
Falou-se pouco do país e muito menos da emigração, no qual eu queria representar, nada se falou do futuro, mas falou-se muito de egos, de contas antigas e de tretas. Um desperdício de tempo público e de antena pública.
Depois vieram as sondagens. Primeiro colocaram Gouveia e Melo no altar. Depois empurraram-no para baixo. Fizeram o mesmo com Marques Mendes. Hoje surgem gráficos onde André Ventura aparece em primeiro, seguido artificialmente por António José Seguro, João Cotrim de Figueiredo, Luís Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo, enquanto os restantes dos 8 candidatos que debateram são empurrados para 6°, 7° e 8° lugares.
Os 3 candidatos fora dos debates, André Pestana, Manuel João Vieira e Humberto Correia, desapareceram das sondagens.
Isto não é leitura do país. É manipulação para enganar o ceguinho, criando cenários úteis para favorecer um candidato da esquerda e travar quem incomoda. Tudo indica que quem poderá disputar a segunda volta será Marques Mendes ou Gouveia e Melo, e muitos esperam que André Ventura vença a primeira e a segunda volta, tornando-se Presidente da República Portuguesa. Chefe máximo da Nação!
E como se tudo isto não bastasse, surgiram os tempos de antena mais baixos de toda a história recente. Vídeos que recorrem ao grotesco, à humilhação visual, à escatologia. O mesmo autor, André Pestana, produziu o vídeo da sanita, onde André Ventura é empurrado como lixo, e o vídeo da porca a dar de mamar aos porquinhos, identificados como PS, PSD e Chega. Isto não é sátira. É nojo. É badalhoquice política. Um candidato que recorre a este tipo de linguagem não tem dignidade para a Presidência da República e deveria ser punido e afastado do espaço presidencial.
Finalmente, há o clima nas redes sociais. Pessoas que dizem em quem votam são insultadas, catalogadas, chamadas de nomes. Não há civilização nisto. Discordar é legítimo. Insultar é miséria moral.
Tudo isto forma um quadro inquietante. Uma democracia onde a televisão escolhe antes da lei, as sondagens empurram em vez de medir e o debate é substituído por lama.
Ainda assim, algo resiste. A consciência. A memória. A palavra dita sem medo. Enquanto isso existir, a democracia não morreu.
Introdução:
Falou-se publicamente em 14 candidatos e hoje fala-se em 11 candidatos:
Entre uma coisa e outra fica a pergunta que ninguém fechou de forma clara para o cidadão comum, fizeram ou não fizeram a correcção, imprimiram ou não imprimiram boletins novos?
Se imprimiram novos boletins, houve desperdício de milhares e milhares de euros em boletins, pagos pelo contribuinte!
Se não imprimiram, então haverá engano nas urnas, porque ficarão três nomes no papel que já não contam, e cada cruz feita ao engano nesses três candidatos sombra, transforma-se num voto nulo!
E numa eleição para Presidente da República, isto não é brincadeira, é ferida na confiança e é obrigação de sermos esclarecido sem pensarem duas vezes, mas infelizmente vejo tudo confuso.
Imaginamos que os votos estão mesmo com 3 candidatos a mais no boletim de voto, será uma aberração, muita gente irá errar involuntariamente por alguma razão!?


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