Portugueses sentem-se cada vez mais inseguros

Portugueses sentem-se cada vez mais inseguros
Portugueses sentem-se cada vez mais inseguros

Portugueses sentem-se cada vez mais inseguros: entende o que está por trás desta tendência preocupante. A perceção de segurança em Portugal tem vindo a alterar-se de forma significativa e, por isso, é fundamental compreender o que está a alimentar este sentimento. Assim, um recente estudo divulgado pela Associação de Apoio à Vítima (APAV) revela que os portugueses demonstram níveis crescentes de insegurança no seu quotidiano, ainda que o país continue, de forma geral, a ser considerado seguro. Além disso, os dados oficiais mostram discrepâncias relevantes entre a perceção pública e os crimes efetivamente reportados.

Uma sensação de insegurança em crescimento

Antes de mais, importa destacar que, de acordo com este estudo, uma em cada três pessoas teme ser vítima de agressão ou assalto, o que representa um aumento notório em relação a 2023. Igualmente, esta tendência ganhou força desde a pandemia de Covid-19, período durante o qual se registou uma mudança profunda no comportamento social. Assim, todas as áreas analisadas pela APAV apresentam saldos negativos na perceção de segurança, especialmente quando se observam regiões como a Grande Lisboa.

Além disso, esta sensação afeta com maior incidência mulheres, idosos e indivíduos pertencentes a classes sociais mais baixas, que relatam maior vulnerabilidade em espaços públicos.

Medos mais frequentes entre os portugueses

Por outro lado, quando questionados sobre os seus receios, os inquiridos apontam como principais locais de insegurança os transportes públicos noturnos, estádios de futebol e zonas de diversão. Da mesma forma, mais de metade teme que o seu veículo seja furtado ou danificado, e 44% receiam um assalto à residência.

Surpreendentemente, 12% admitem sentir medo dentro da própria habitação, o que demonstra um impacto psicológico importante. Além disso, 95% acreditam que grupos como mulheres, idosos, migrantes e pessoas LGBTI+ são mais vulneráveis à violência, reforçando o caráter social desta questão.

Ainda que 63% dos portugueses afirmem sentir-se seguros no dia-a-dia, a sensação de segurança tem perdido força progressivamente, o que revela um cenário subtil de preocupação coletiva.

Dados oficiais contrariam medo da criminalidade violenta

Apesar de a criminalidade violenta ser vista como a principal ameaça, o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) indica que o crime mais reportado é a violência doméstica, posicionada apenas em quarto lugar na perceção pública. Desta forma, portugueses colocam a criminalidade violenta, o cibercrime e o tráfico de droga como maiores ameaças, mesmo que os dados estatísticos mostrem outra realidade.

Segundo os autores do estudo, esta discrepância deve-se à constante exposição mediática de crimes violentos, o que cria a perceção de que podem ocorrer a qualquer momento. Assim, a comunicação social desempenha um papel crucial na formação do medo coletivo.

A falta de confiança na justiça agrava o problema

Ainda mais alarmante é o facto de 9% dos inquiridos ter sido vítima de crime nos últimos 12 meses, o valor mais elevado desde 2012. Contudo, mais de metade destas vítimas não apresentou queixa, alegando falta de confiança no sistema de justiça. Portanto, este défice de confiança torna-se um problema social profundo, difícil de eliminar, mesmo entre aqueles que admitem apresentar queixa no futuro.

Em conclusão, este sentimento crescente de insegurança em Portugal não está inteiramente alinhado com os dados oficiais, mas sim com fatores emocionais, mediáticos e sociais que condicionam a perceção pública. Assim, torna-se essencial reforçar políticas preventivas, investir em comunicação clara e restaurar a confiança nas instituições judiciais, contribuindo para uma sociedade mais tranquila e informada.

No entanto, se esta tendência persistir, é provável que os portugueses continuem a olhar por cima do ombro, mesmo quando afirmam sentir-se seguros.

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