Portugueses envolvidos em fraude milionária a seguradoras na Suíça

Portugueses envolvidos em fraude milionária a seguradoras na Suíça
Portugueses envolvidos em fraude milionária a seguradoras na Suíça

Caso expõe esquema organizado

Portugueses envolvidos em fraude milionária a seguradoras na Suíça. Em São Galo, um grupo de trabalhadores da construção, incluindo portugueses, é acusado de simular acidentes de trabalho para obter cerca de 600 mil francos em indemnizações indevidas.
O processo envolve suspeitas de burla qualificada e branqueamento de capitais.

As autoridades sublinham que todos os arguidos beneficiam da presunção de inocência.
Ainda assim, o principal acusado reconheceu grande parte dos factos descritos na acusação.


Principal arguido no centro da rede

Antes de mais, o alegado líder do esquema terá recrutado cúmplices na Suíça e no estrangeiro.
Além disso, falsificava currículos para facilitar a contratação no setor da construção.
Dessa forma, garantia salários mais elevados e, consequentemente, subsídios de acidente superiores.

Segundo os procuradores, o arguido controlava contas bancárias e endereços de email dos cúmplices.
Por outro lado, organizava alojamento, transporte e marcações médicas em território suíço.
Assim, o esquema manteve-se ativo durante vários meses sem levantar suspeitas imediatas.


Acidente inicial levanta suspeitas

Em março de 2021, Santiago B., nome fictício, iniciou funções como gruista em Zurique.
Poucas semanas depois, declarou ter sofrido uma queda num estaleiro de construção.
Segundo o seu relato, terá embatido com o rosto numa tábua e lesionado o tornozelo.

No entanto, os exames médicos não detetaram fraturas nem lesões estruturais relevantes.
Apesar disso, os médicos prescreveram medicação e declararam incapacidade total temporária.
Posteriormente, essa incapacidade foi sucessivamente prolongada durante vários meses.


Sintomas persistentes sem explicação clínica

Meses depois, Santiago B. continuou a relatar dores intensas e perda de sensibilidade nos pés.
Além disso, afirmou não conseguir conduzir nem subir escadas.
Contudo, exames de ressonância magnética não revelaram anomalias significativas.

Mesmo assim, os certificados médicos mantiveram a incapacidade laboral até abril de 2022.
Entretanto, o arguido já teria assinado contrato com outro empregador no Liechtenstein.
Este facto era desconhecido pelas autoridades médicas suíças na altura.


Novo acidente e duplo benefício

Pouco depois de iniciar funções no Liechtenstein, Santiago B. declarou novo acidente laboral.
Segundo a declaração, tropeçou num objeto de betão e sofreu uma contusão no pé.
Mais uma vez, recebeu baixa médica prolongada, desta vez por quase um ano.

Consequentemente, acumulou indemnizações de acidente na Suíça e no Liechtenstein.
De acordo com a acusação, recebeu mais de 100 mil francos de forma fraudulenta.
Por isso, o Ministério Público acusa-o de burla profissional e branqueamento de capitais.


Julgamento em procedimento acelerado

O julgamento decorre no Tribunal Distrital do Rheintal, em São Galo.
Trata-se de um processo acelerado, focado apenas nos aspetos formais.
Isto acontece porque o arguido aceitou a acusação e confessou os factos essenciais.

Ainda assim, os juízes terão de validar juridicamente os termos do acordo.
Até à decisão final, mantém-se a presunção de inocência legal.


Descoberta de uma fraude alargada

Entretanto, a investigação revelou que o caso não se limitava a um único trabalhador.
Pelo contrário, surgiram indícios de uma rede estruturada de falsos acidentes.
Segundo o Ministério Público, Santiago B. começou a recrutar conhecidos enquanto estava de baixa.

O esquema incluía instruções claras para simular acidentes poucos dias após a contratação.
O objetivo era convencer médicos e seguradoras da existência de lesões profissionais.
Assim, os falsos acidentes multiplicaram-se em vários cantões suíços.


Relatos semelhantes em vários cantões

Na Argóvia, um trabalhador alegou ter sido atingido por pedras durante escavações.
Em Zurique, outro afirmou ter escorregado a caminho da casa de banho.
No Liechtenstein, um terceiro declarou ter caído de dois metros numa pedreira.

Além disso, surgiram relatos de dores no ombro após quedas com carrinhos de mão.
No total, a acusação identifica catorze cúmplices presumidos.
Todos eles aguardam julgamento sob o princípio da presunção de inocência.


Trabalho ativo durante baixas médicas

Segundo os procuradores, alguns arguidos continuaram a trabalhar no estrangeiro.
Apesar disso, deslocavam-se à Suíça para consultas médicas regulares.
Muitos utilizavam autocarros de longa distância para evitar levantar suspeitas.

Além disso, Santiago B. alterava currículos para exagerar experiência profissional.
Essa estratégia permitia salários mais altos e indemnizações diárias mais elevadas.
Um dos casos envolve um homem sem emprego estável há vários anos.


Médicos enganados pela encenação

Durante meses, os médicos não detetaram sinais clínicos objetivos.
Ainda assim, certificaram incapacidades prolongadas devido à coerência dos sintomas.
Segundo a acusação, as queixas não podiam ser refutadas por exames médicos.

Alguns arguidos simulavam sofrimento extremo durante as consultas.
Outros utilizavam ortóteses apenas durante os exames médicos.
Há ainda suspeitas de uso deliberado de medicação forte para sustentar a fraude.


Prejuízos elevados para seguradoras

Como resultado, foram realizados exames, fisioterapia e prescrições desnecessárias.
Esses atos geraram mais de 50 mil francos em custos médicos inúteis.
No entanto, o maior prejuízo resultou das indemnizações diárias pagas.

A Suva terá pago mais de 300 mil francos indevidamente.
Outras seguradoras também foram afetadas pelo esquema.

No total, segundo o Ministério Público, o esquema terá causado um prejuízo global de aproximadamente 600 mil francos, envolvendo várias seguradoras na Suíça e no Liechtenstein.


Investigação e consequências penais

Segundo a Suva, a fraude foi descoberta após uma denúncia externa.
As autoridades admitem que estes esquemas são difíceis de detetar.
Além disso, redes organizadas adaptam métodos e ocultam provas eficazmente.

Para Santiago B., o Ministério Público pede uma pena de 36 meses de prisão.
Deste total, 14 meses deverão ser cumpridos efetivamente.
Atualmente, o arguido encontra-se em prisão preventiva.

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