A realidade que me revoluciona
Portugal: a ajuda que se nega às mães e a facilidade com que lhes tiram os filhos. Eu estava sentado no sofá a ver as notícias, e vi, e ouvi, esta triste realidade que me obrigou a escrever. Ao invés de retirar uma criança para doação a uma mãe, tenho a obrigação de dizer que o Estado deveria dar-lhe uma pensão de ajuda para criar a criança, ninguém mais cuida tão bem de um filho do que uma mãe, e isto revoluciona-me o coração, porque assim também dão aos imigrantes que nem querem trabalhar, aos imigrantes de todo o lado, aos ciganos, que vivem de subsídios, etc., e, em primeiro lugar, deveriam estar os nossos.
Ser pobre não é ser criminoso
Ser pobre não é ser criminoso, é apenas caminhar com menos no bolso, mas com o mesmo amor no peito, a mesma força de proteger um filho, a mesma dignidade que nenhum gabinete jurídico tem o direito de negar.
Um sistema que falha as mães
Vi no noticiário o caso de uma mãe que levou do hospital a filha de quatro meses que lhe tinha sido retirada para adopção, e sindo que o país vive às avessas. Enquanto se estendem apoios generosos a quem chega de fora, enquanto se distribuem subsídios e pensões sem demora a quem nunca descontou para a Segurança-Social, nega-se a uma mãe portuguesa o simples auxílio que lhe permitiria manter o seu filho ao lado do coração e dar-lhe colo.
É mais rápido tirar do que ajudar, mais fácil separar do que sustentar. Quando não acodem aos nossos em Portugal, na Suíça fazem vista grossa, porque é negócio, é disto que se trata!
Aquela mãe, fragilizada pela pobreza, não recebeu ajuda; o tribunal impôs-lhe uma decisão fria e tentou arrancar-lhe o que mais amava. Quando fugiu com a criança, acusaram-na de criminosa, e a própria justiça agiu como tal ao tentar impedir que ela voltasse a ver a filha. E o país chama a isto protecção de menores, quando, na verdade, alimenta um sistema que se tornou negócio, logo é corrupção, é desumano, um ciclo vicioso que cresce em todo o mundo à custa de lares desfeitos. Não se reforçam famílias, desmantelam-nas, não se curam feridas, aprofunda-se o corte. O mundo está viciado! E por isso escrevo, porque ser pobre não é crime, nem falha moral, nem motivo para apagar o riso de uma criança dentro da própria casa. A justiça retira em vez de apoiar e, ao fazê-lo, pratica abandono disfarçado e corrupção; assim, deixa de exercer autoridade.
Artigo escrito por: João Carlos Veloso Gonçalves, ‘Quelhas’ Revista Repórter X


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