Polícia suíço despedido por mensagens WhatsApp racistas. A crise provocada pelos grupos WhatsApp racistas continua a crescer e, por isso, um gendarme do cantão de Vaud foi despedido. Embora a decisão tenha surpreendido muitos colegas, ela resulta, acima de tudo, do envolvimento direto do agente em conversas consideradas incompatíveis com a função policial. Além disso, o processo promete prolongar-se, porque o visado deverá recorrer.
Desde o verão, quando a Câmara de Lausanne revelou a existência destes grupos, a polémica tem aumentado e, consequentemente, várias corporações enfrentam forte escrutínio. O agente despedido, que trabalhou durante anos na polícia de Lausanne, integrou posteriormente a Police Riviera em 2020 e, depois disso, ingressou na gendarmaria vaudoise em 2022. Apesar desta mudança de trajetórias, ele permaneceu ligado aos grupos de mensagens onde circulavam conteúdos racistas, antissemitas e misóginos.
Segundo a investigação da televisão suíça, os 2500 registos de conversas analisados revelam um clima profundamente problemático, o que, portanto, agravou a posição do agente. Em outubro de 2018, por exemplo, outro polícia partilhou a fotografia de um colega a segurar uma placa nazi, enquanto sorria. Imediatamente, o agente agora despedido comentou: “Eu compro se ele vender!”. Este comentário, embora curto, foi considerado determinante na avaliação disciplinar.
Outros agentes de Lausanne sob investigação
Ao mesmo tempo, a Câmara de Lausanne continua a avaliar a situação de vários agentes. A 1 de setembro, oito polícias foram suspensos e, por conseguinte, enfrentam processos internos. Entre eles, um agente já foi despedido e contestou a decisão em tribunal, o que demonstra como a crise se tornou jurídica e institucional.
Além disso, cinco continuam suspensos, sendo que dois chegaram a ficar sem salário. No entanto, graças a um recurso bem-sucedido no Tribunal Cantonal, estes dois recuperaram a remuneração. Agora, a autarquia aguarda o parecer da Comissão Paritária antes de decidir se mantém ou não a intenção de os despedir.
Paralelamente, um dos polícias envolvidos abandonou a corporação, embora as circunstâncias permaneçam pouco claras. Outro foi reintegrado após avaliação interna.
Assim, a situação mantém-se instável e, por isso, a confiança da população enfrenta novo desgaste. A cada nova revelação, cresce a pressão para uma reforma estrutural das práticas internas.
Tensões na polícia do Oeste lausannois
A polémica estendeu-se igualmente à polícia do Oeste lausannois. Um agente que trabalhou em Lausanne entre 2014 e 2020, e que integrou ativamente os grupos de WhatsApp visados, ingressou nesta força policial em dezembro de 2024. Porém, o seu passado digital acabou por emergir novamente.
O Comité de Direção quer agora aceder às 2500 páginas de conversas para avaliar a situação. Todavia, o agente, com apoio jurídico, recusa entregar estes dados. Em resultado desse impasse, o Comité decidiu afastá-lo do serviço operacional e atribuir-lhe apenas funções administrativas.
Deste modo, o caso demonstra como a crise ultrapassa fronteiras internas e provoca conflitos entre corporações. Além disso, levanta questões urgentes sobre controlo interno, transparência disciplinar e critérios de recrutamento.
Impacto institucional e social
Este escândalo, que começou como um problema restrito a um grupo de mensagens, transformou-se rapidamente numa crise institucional. Agora, muitas vozes exigem reformas profundas, sobretudo porque a confiança pública na polícia depende de rigor, transparência e responsabilidade.
Enquanto isso, continuam a surgir documentos, relatos e versões contraditórias. Assim, cada nova decisão disciplinar molda não apenas o futuro dos agentes envolvidos, mas também a credibilidade de todas as forças policiais da região.


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