Os novos portugueses: Descobre quem são de onde vêm e onde vivem.
A cada ano, milhares de pessoas escolhem Portugal como o seu novo lar, e muitas delas tornam-se oficialmente “novos portugueses”. Contudo, nem todos vivem cá. De facto, mais de metade dos cidadãos com cartão de cidadão português residem no estrangeiro. Além disso, a maioria é composta por israelitas, e 52% são homens.
Enquanto o país debate as mudanças na Lei da Nacionalidade, cresce também a curiosidade sobre quem são, afinal, estas novas vozes que integram a identidade portuguesa moderna.
A nova vaga de cidadãos portugueses
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), 46.840 estrangeiros obtiveram nacionalidade portuguesa em 2024, representando um aumento de 13% face a 2023. Ou seja, mais 5.500 novos cartões de cidadão foram emitidos num só ano.
Contudo, mais de metade dessas pessoas vivem fora de Portugal, principalmente em Israel, onde residem mais de 17 mil novos cidadãos portugueses. Além disso, há comunidades expressivas no Brasil, Angola, Cabo Verde e Ucrânia, que seguem na lista das moradas fiscais associadas a estes novos portugueses.
Por outro lado, 20.624 pessoas já vivem em território português há pelo menos seis anos, integrando-se de forma ativa na sociedade e contribuindo para o tecido cultural e económico do país.
Israelitas e brasileiros lideram os pedidos
Os israelitas continuam a dominar os números, com 17.647 novos cidadãos portugueses em 2024. Logo depois, surgem os brasileiros, com 11.133 aquisições de nacionalidade. Em conjunto, representam 61% de todas as novas nacionalidades concedidas.
Além disso, seguem-se cabo-verdianos e angolanos, ambos com cerca de 5%, e os guineenses com 3%. Mexicanos, ucranianos, nepaleses, são-tomenses, argentinos e indianos aparecem com percentagens menores. Curiosamente, os norte-americanos representam apenas 1% deste total.
Estes números revelam como Portugal se tornou uma nação cada vez mais multicultural, onde diferentes origens constroem, lado a lado, uma nova identidade lusitana.
Homens em maioria, mas mulheres ganham espaço
Em 2024, os homens foram ligeiramente mais numerosos, correspondendo a 52% dos novos portugueses. No entanto, em algumas nacionalidades, como as do Brasil, África e Ucrânia, são as mulheres que lideram os pedidos.
Este equilíbrio crescente demonstra que a nacionalidade portuguesa atrai pessoas de todas as origens e géneros, motivadas por laços culturais, oportunidades económicas e afinidades históricas.
As mudanças na Lei da Nacionalidade e o impacto futuro
As alterações em discussão na Lei da Nacionalidade poderão transformar profundamente este cenário. O regime especial para descendentes de judeus sefarditas termina, o que fará diminuir drasticamente os pedidos vindos de Israel.
Além disso, os prazos de residência legal vão aumentar, passando para 10 anos — ou sete anos no caso de cidadãos da CPLP e da União Europeia.
Outro ponto relevante é que os filhos de estrangeiros nascidos em Portugal só terão nacionalidade se um dos pais residir legalmente no país há, pelo menos, três anos. Até agora, bastava um ano.
Assim, espera-se uma diminuição nos pedidos, embora o interesse em Portugal continue a crescer internacionalmente.
Corrida aos pedidos antes das mudanças
Com as possíveis alterações à vista, verificou-se uma verdadeira corrida aos pedidos de nacionalidade. Só até 13 de novembro de 2025, deram entrada mais de 121 mil pedidos, dos quais 92 mil foram aprovados.
Contudo, ainda existem 515.334 processos pendentes. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, são mais 25.554 pedidos à espera de decisão.
Isto demonstra que Portugal continua a ser um destino altamente desejado, tanto pela sua estabilidade como pela qualidade de vida e valores democráticos.
Um retrato em transformação
Portugal está a tornar-se um mosaico de culturas e nacionalidades, onde cada novo cidadão traz consigo histórias, tradições e talentos únicos.
À medida que a Lei da Nacionalidade evolui, também evolui a própria identidade portuguesa — mais aberta, diversa e global.
Portugal é hoje mais do que um país: é uma comunidade em constante crescimento. 🇵🇹
Fonte:Renascença – Música para sentir, informação para decidir.


Seja o primeiro a comentar