O percurso político no PCP de António Filipe

O percurso político no PCP de António Filipe
O percurso político no PCP de António Filipe

O percurso político no PCP de António Filipe. António Filipe nasceu em Lisboa e cedo fez da política o seu caminho. Na Amadora iniciou o serviço público, primeiro como deputado da assembleia municipal entre 1993 e 2001, depois como vereador em 2002, regressando mais tarde ao poder local em Sintra, onde integrou a assembleia municipal de 2004 a 2019.

Atravessou a vida parlamentar com determinação, sendo deputado à Assembleia da República de 1989 a 2022, retomando o mandato entre 2024 e 2025. Nesses longos anos de trabalho legislativo foi também vice-presidente do Parlamento em vários períodos, sempre fiel às suas convicções e ao PCP.

O seu percurso académico e cívico acompanhou a mesma linha de entrega, entre o ensino universitário e a escrita sobre temas constitucionais e políticos, construindo uma obra que reflecte estudo, militância e sentido de serviço.

Agora apresenta-se ao país como candidato à Presidência da República, apoiado pela CDU, trazendo consigo a memória de décadas de representação pública e a vontade de continuar a servir Portugal com coragem e horizonte. António Filipe pode ser o candidato que une a esquerda à esquerda do PS num tempo em que surgem várias candidaturas de peso político e simbólico, e desta feita arruma António José Seguro do Partido Socialista para um canto, tal como Catarina Martins do Bloco de Esquerda. Beneficiando o André Ventura, Gouveia e Melo e Marques Mendes. Cotrim nem entra nas minhas contas, até o calceteiro, Tino de Rãs de nome Vitorino Silva, ou o músico Manuel João Vieira, dos Ena Pá 2000, que, na verdade, ainda não sabemos se são candidatos, e se forem candidatos pela sua popularidade poderão ficar à frente de qualquer candidato apoiado por partidos pequenos ou independentes. 

As polémicas de António Filipe:

António Filipe, figura antiga da vida parlamentar, seguiu sempre a bússola do seu partido e da sua consciência. Mesmo assim, o seu percurso não passou sem controvérsia, sobretudo nas leituras que fez do mundo e das guerras que o rasgam, mas no debate televisivo negou perante Gouveia e Melo!

As polémicas que moldam a imagem de António Filipe

A primeira grande crítica surgiu quando defendeu Cuba e a memória de Fidel Castro. Considerou injusto chamar ditador a quem, na sua visão, carregava legitimidade revolucionária e um passado de combate pelo seu povo. Recusou ver Cuba como regime fechado, afirmando que quem conhece a ilha sabe da participação cívica existente. Estas palavras levantaram ondas que o tempo não apagou.

Outra chama acesa foi a guerra na Ucrânia. O PCP condenou a invasão, mas rejeitou o enquadramento ocidental do conflito, e António Filipe tornou-se uma das vozes que mais questionou o envio de armas e o papel das potências ocidentais. Ausente da sessão com Zelensky no Parlamento, considerou o líder ucraniano instrumento de uma estratégia maior, um peão num jogo onde a Europa caminha sem perceber o preço que paga. O candidato António Filipe até tem razão, a guerra em causa foi assinada em gabinete!

Comparou mesmo a ofensiva russa à anexação de Goa pela Índia, gesto que lhe trouxe críticas duras. E escreveu que a Ucrânia estava a ser usada como carne para canhão na disputa entre forças superiores, deixando a Europa arrastada por decisões que sacrificam os seus próprios povos. Se diziam que o PCP era pau-mandado da Rússia ou tinha pacto com a Rússia, aqui o candidato é controverso. 

As consequências políticas do seu percurso

São estas as feridas políticas que o acompanham e que os partidos do poder e do sistema, PS e PSD contrariam, polémicas que revelam uma coerência dura, defendida ao longo dos anos, regressando agora à luz com a sua candidatura a Belém. Ele chega com as convicções que sempre o guiaram e com a sombra das posições que dividem opiniões, mostrando que nunca fugiu da sua verdade.

O quadro das candidaturas presidenciais mais cotados, isto porque a um mês das eleições presidenciais, não há toda a certeza de quem são todos os candidatos, o elo mais fraco entre eles não só não têm direito a debate nas televisões, como não são legíveis nos grande médias, portanto são camuflados ou omitidos, culpa também das grandes máquinas partidárias que persiste pós o 25 Abril de 1974.

Aqueles que aparecem e tem direito a debates televisivos e os que não tem direito a debate e os que aqui não constam porque são omitidos:

Henrique Gouveia e Melo, independente.

Luís Marques Mendes, PSD, centro-direita.

António José Seguro, PS, centro-esquerda.

António Filipe, PCP / CDU, esquerda.

Catarina Martins, BE, esquerda progressista.

Joana Amaral Dias, ADN, partido pequeno.

João Cotrim de Figueiredo, IL, liberalismo de centro-direita.

Jorge Pinto, Livre, partido pequeno.

André Ventura, Chega, direita radical.

José Cardoso, PLS, partido pequeno.

Manuel João Vieira, independente.

(Vitorino Silva, independente.)

Contexto político alargado:

A corrida para Belém abriu-se com uma pluralidade rara, como se o país respirasse a vontade de escolher entre mundos distintos. Há candidaturas que procuram a força do centro, outras que emergem fora das antigas casas partidárias, e outras ainda que reclamam o território da esquerda com vozes novas e raízes antigas. António Filipe surge como escolha para quem busca rigor ideológico e memória parlamentar, enquanto Catarina Martins dá corpo a uma esquerda progressista que procura outro horizonte.

A diversidade dos rostos revela um tempo de mudança, em que as certezas antigas cedem perante a necessidade de reinventar a própria democracia. O futuro presidente nascerá deste cruzamento de convicções e esperanças, onde cada candidatura tenta representar um fio distinto do país que somos e do país que ainda procuramos construir.

Liberdade de opinião e expressão, uma das conquistas de Abril:

Hoje, esta realidade ergue uma verdadeira prova de fogo, sobretudo porque as eleições presidenciais passam a selecionar quem merece visibilidade e, por consequência, empurram para a sombra quem não se encaixa no que lhes convém. A palavra, que deveria ser livre como o vento, vê-se por vezes filtrada, camuflada, omitida, como se houvesse vozes de primeira e vozes dispensáveis. No entanto, a liberdade não exclui ninguém: nasce para todos e não apenas para alguns.

Quando um país decide quem pode falar e quem deve ser silenciado, trai a essência que o fundou. A democracia empobrece quando deixa que a expressão se torne privilégio, quando transforma a praça pública num recinto fechado onde só entram os que convêm aos poderes instalados. A omissão é também censura, e a censura é sempre um passo para trás.

Liberdade de expressão

A liberdade de expressão nas presidenciais é, por isso, mais do que um direito, é um espelho. Mostra se continuamos fiéis ao espírito de Abril ou se cedemos ao conforto de deixar que escolham por nós. Cada candidato, conhecido ou desconhecido, deve ter igual acesso à palavra, ao debate, ao olhar dos cidadãos. Só assim a vontade do povo pode nascer inteira.

Que não se camuflem vozes, que não se escondam caminhos. A liberdade vive do ar que respira, e sufoca quando lhe fecham as portas. Abril ensinou-nos que a palavra é o primeiro gesto da dignidade. Cabe-nos defendê-la, sempre.

Um caso recente que expõe esta contradição

Para o ex-candidato “Quelhas”, apoiante de André Ventura, que desistiu da candidatura por falta de apoio dos média e com a entrada do membro do Chega, António Filipe tem perfil de presidente. Além disso, considera-o melhor do que os nomes dos partidos do Sistema e da Troika. Aliás, lembra ainda que Portugal já teve no Governo Maria de Lurdes Pintasilgo, do PCP, que liderou o V Governo Constitucional — o primeiro e até agora único governo chefiado por uma mulher — exercendo o cargo de primeira-ministra entre agosto de 1979 e janeiro de 1980, mantendo sempre uma postura isenta e respeitada.

Artigo escrito por: João Carlos Veloso Gonçalves, ‘Quelhas’ Revista Repórter X

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