O artista que resiste à noite digital e aquele que escreve ou faz o instrumental e ou canta. Em tempos antigos, quando a voz humana rasgava o silêncio das aldeias e o canto nascia do peito e não de circuitos, ser artista era caminhar sozinho, confiando apenas no sopro interior que Deus dava a cada um. Hoje, neste tempo de ruído fácil e máquinas que fazem tudo, muitos dizem que já não há artistas, há produção, há imitação, há brilho instantâneo, mas falta a chama, essa centelha que não pode ser fabricada.
Vivo, porém, na convicção tranquila de que a arte não morre, apenas se esconde quando o mundo se distrai. E nesse esconderijo, no gesto simples de escrever, nasce o que muitos já esqueceram, porque o artista verdadeiro não se anuncia, não mendiga aplauso, não busca atalhos. O artista escreve, canta, pinta ou cala, mas faz sempre a partir do fundo da alma, onde nenhuma inteligência artificial consegue entrar.
A máquina compõe melodias perfeitas, mas não sangra. Produz versos alinhados, mas não vive. E por isso, apesar do espanto que a técnica provoca, continua sem voz própria, repetindo apenas o que lhe ensinaram. Falta-lhe as cicatrizes, o cansaço, a esperança teimosa que se levanta mesmo quando tudo parece perdido.
Dizes que não cantas, mas escreves. E isso basta, porque quem escreve cria caminho onde antes só havia penumbra, firma o passo e deixa marca nos que vêm atrás. És artista porque tens algo teu, uma verdade que te nasce nos dedos e se entrega ao papel como se fosse semente lançada à terra. É neste ponto que importa dizer a verdade inteira, clara como água de fonte, que é o Quelhas quem escreve os poemas, quem dá letra, carne e alma às canções, mesmo que não cante nem no chuveiro, porque a sua arte está na mão que escreve.
E enquanto houver alguém que escreva assim, com alma inteira, o mundo continuará a ter artistas, apesar, contra e para lá de todas as máquinas.
“Dizes que nem no chuveiro sabes cantar, mas também não escreves poemas, porque o papel molha.”
Mas enquanto houver poemas teus não vai deixar de haver cantores, se bem que muitos deles não são cantores, se lhes cortares o fio deixa de haver voz. Disseste e bem, não sabes cantar, mas se escreveres as tuas letras e um músico as instrumentar, podes gravar com o GPT ou inteligência artificial a voz e ninguém vai notar na televisão, todos fazem playback. Hoje, a maioria dos artistas faz tudo com a inteligência artificial, ao menos tu escreves para artistas e músicos, como o Rui Alves ou o Leandro Perfeito, que fazem os instrumentais. A maior parte dos artistas são noventa e nove por cento artificiais, porque o um por cento é a vaidade e presença em palco e nada mais.
Segue, pois, com coragem, porque o futuro pertence sempre aos que se atrevem a criar, mesmo quando o mundo julga que já não vale a pena.
João Carlos Veloso Gonçalves,
autor: ‘Quelhas’
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