Novos indícios de fraude abalam Vernier. As eleições municipais de Vernier, na Suíça, voltaram a enfrentar forte turbulência, já que, durante o fim de semana, surgiram novos indícios de irregularidades que impediram a divulgação oficial dos resultados. Assim, embora o escrutínio estivesse previsto para terminar no domingo, o Conselho de Estado decidiu suspender a publicação, porque mais de 200 boletins podem ter sido preenchidos pela mesma mão. E, deste modo, o processo ficou imediatamente sob suspeita.
Desde a semana passada, quando o jornal Le Temps revelou que alguns boletins tinham sido devolvidos pela poste antes de os eleitores votarem, o ambiente político tornou-se ainda mais tenso. E, com o passar dos dias, os receios aumentaram, sobretudo porque estes episódios repetem padrões já observados nas eleições anuladas de março.
Especialistas analisam os boletins suspeitos
A conselheira de Estado Nathalie Fontanet anunciou que a Chancelaria encomendou uma perícia grafotécnica. E, apesar de esta análise incidir apenas sobre boletins modificados manualmente, as primeiras verificações internas já colocam em causa a fiabilidade do escrutínio. Segundo a própria governante, “é essencial esclarecer todas estas potenciais fraudes”, motivo pelo qual não haverá qualquer resultado oficial antes das conclusões da perícia.
Os peritos deverão apresentar o relatório dentro de cerca de duas semanas. Consequentemente, todo o calendário político da comuna fica suspenso, criando incerteza tanto para os candidatos como para os eleitores. A chanceler Michèle Righetti-El Zayadi sublinhou que a gravidade das suspeitas exige “máxima prudência”, já que os boletins duvidosos representam cerca de 3% dos votos recebidos.
Num clima político cada vez mais tenso, o Conselho Municipal de Vernier admite agora lançar uma votação popular para retirar o direito de voto aos residentes estrangeiros, um direito concedido inicialmente a título experimental. E, embora este modelo tivesse sido apresentado como um passo inovador para reforçar a participação cívica, o executivo local considera que a experiência “já está a correr mal”, sobretudo porque as sucessivas suspeitas de fraude criaram um ambiente de grande desconfiança. Este possível recuo abre um debate profundo sobre integração, representação democrática e confiança nos processos eleitorais, ao mesmo tempo que coloca em causa um mecanismo que durante anos foi visto como uma prática progressista no cantão de Genebra.
Possível nova anulação e investigações penais
A possibilidade de uma nova anulação das eleições permanece totalmente em aberto. E, conforme explicou a chanceler, a decisão depende de dois critérios essenciais: a confirmação das irregularidades e o impacto delas no resultado final. Enquanto isso, a Chancelaria apresentou quatro denúncias penais ao Ministério Público. Duas resultam de verificações internas e as outras duas provêm de queixas de cidadãos.
Este escrutínio avançava sob forte vigilância, porque a justiça anulou as eleições de março após detetar um esquema de fraude que comprometeu a validade do resultado. No caso anterior, peritos grafotécnicos concluíram que nove pessoas preencheram 278 boletins, levando as autoridades a repetir integralmente o processo eleitoral. A comunidade local, especialmente a população estrangeira com direito de voto, demonstra crescente desconfiança face à repetição de problemas, reforçando a necessidade de total transparência.
Repercussões políticas e ausência da lista LJS
Antes da anulação, o movimento Libertés et justice sociale (LJS), ligado a Pierre Maudet, tinha vencido com seis mandatos — uma estreia numa comuna de Genebra. Contudo, uma anomalia estatística chamou rapidamente a atenção: duas candidatas, uma liberal-radical e uma socialista, apareciam repetidamente acrescentadas à lista do LJS, garantindo-lhes pontuações extraordinárias.
Assim, após o escândalo, o LJS decidiu não apresentar nova lista. Contudo, vários membros surgiram na lista Egalité & Diversité (LED), que afirmou, em comunicado, não existir qualquer responsabilidade comprovada até agora. A formação garantiu ainda que qualquer membro envolvido será imediatamente expulso, reforçando a tentativa de preservar credibilidade.
Enquanto a comunidade espera respostas, a população mantém desconfiança, sobretudo entre minorias votantes que sentem maior insegurança perante a instabilidade atual do processo eleitoral. E, embora as autoridades prometam rigor, permanece a questão: como restaurar a confiança num sistema marcado por fraudes consecutivas?


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