Mulheres recebem um quarto a menos que os homem nas pensões

Mulheres recebem um quarto a menos que os homem nas pensões
Mulheres recebem um quarto a menos que os homem nas pensões

Mulheres recebem um quarto a menos que os homem nas pensões. As disparidades entre homens e mulheres continuam a marcar os sistemas de pensões e, portanto, revelam desigualdades profundas. Além disso, os dados divulgados pela OCDE mostram que, apesar de alguns progressos, o fosso ainda é significativo em diversos países. Assim, o estudo “Pensions at a Glance 2025” revela que as mulheres recebem, em média, pensões cerca de um quarto inferiores às dos homens nos países da organização.

Embora a diferença média tenha diminuído de 28% em 2007 para 23% em 2024, continua a evidenciar desigualdades estruturais. Além disso, estas discrepâncias refletem trajectórias laborais distintas entre géneros, com carreiras mais curtas e salários mais baixos a penalizarem as mulheres.

Por outro lado, apenas alguns países registam diferenças reduzidas, inferiores a 10%, como a República Checa, Estónia, Islândia, Eslováquia e Eslovénia. Contudo, noutros, o fosso é muito mais largo, ultrapassando 35% na Áustria, México, Países Baixos e Reino Unido, e atingindo 47% no Japão.

Apesar disso, a OCDE antecipa melhorias, prevendo que países como Portugal e Eslovénia possam praticamente eliminar estas disparidades até 2050. Ainda assim, sublinha que estas projeções dependem de tendências positivas no mercado laboral e, portanto, exigem políticas consistentes.


Portugal destaca-se na redução das assimetrias

Portugal surge entre os países que mais reduziram a desigualdade entre géneros ao nível das pensões nas últimas duas décadas. Assim, entre 2007 e 2024, essa diferença diminuiu mais de 10 pontos percentuais.

Mesmo assim, quase 70% das mulheres portuguesas recebem pensões mínimas, o que revela fragilidades persistentes. Este cenário aproxima Portugal de países como a Áustria, Finlândia, Letónia, Lituânia, Noruega e Suécia.

Além disso, a OCDE alerta que, apesar da evolução positiva, persistem obstáculos estruturais ligados à precariedade, ao trabalho a tempo parcial e às interrupções das carreiras contributivas, fatores que continuam a afetar desproporcionalmente as mulheres.


Peso das pensões cresce no PIB português

O estudo indica que Portugal está entre os seis países da OCDE onde as pensões têm maior impacto sobre o PIB. Em 2024, os gastos com pensões atingiram 13% do PIB, colocando o país num grupo de elevado esforço financeiro.

Por comparação, Áustria, França e Finlândia apresentam valores semelhantes, entre 13,7% e 14,8%. Além disso, nestes países, as pensões públicas absorvem entre um quarto e um terço da despesa total.

Em Portugal, esse peso é igualmente elevado, representando atualmente 27,3% da despesa pública. Este impacto sublinha o desafio de sustentabilidade do sistema, especialmente num país marcado pelo rápido envelhecimento demográfico.

No topo da lista surgem Grécia e Itália, onde as pensões públicas representam cerca de 16% do PIB. Por outro lado, países como Austrália, Chile, Islândia, Irlanda e Coreia do Sul gastam menos de 4%, embora por razões distintas, como populações mais jovens ou sistemas privados fortes.


Evolução das despesas com pensões na OCDE

Entre 2000 e 2024, a média de despesa dos países da OCDE com pensões públicas passou de 6,7% para 8,1% do PIB. Contudo, Portugal destaca-se com um aumento acima da média, ao subir mais de cinco pontos percentuais, passando de 7,8% para 13% do PIB.

Este crescimento resulta principalmente do envelhecimento populacional, do aumento da esperança de vida e do prolongamento das carreiras contributivas. Ainda assim, a OCDE prevê estabilidade ou ligeiras reduções em vários países até 2050, graças a reformas estruturais.

Nos países da União Europeia, estima-se que o peso das pensões suba de 9,9% do PIB em 2023 para 10,9% em 2050. Em contraste, Portugal deverá registar uma diminuição de 2,8 pontos percentuais entre 2050 e 2060, o que sugere algum alívio futuro.


Pensões privadas têm impacto residual em Portugal

Embora as pensões privadas representem uma importante parcela do sistema noutros países, em Portugal continuam pouco expressivas. Assim, equivalem apenas a 0,3% do PIB, um dos valores mais baixos da OCDE.

Em países como Islândia, Suíça ou Estados Unidos, os regimes privados representam entre 50% e 64% de todas as despesas com pensões. Além disso, na Austrália, Canadá, Países Baixos e Reino Unido, o setor privado tem igualmente uma contribuição significativa, entre 3% e 5% do PIB.

Esta diferença evidencia a forte dependência portuguesa do sistema público e reforça a necessidade de políticas que diversifiquem as fontes de rendimento na reforma.


Idade da reforma aumenta e coloca Portugal no topo

A idade oficial de reforma em Portugal atingirá 68 anos, colocando o país entre os oito com idade mais elevada na OCDE. Este aumento acompanha a tendência global de prolongamento da vida ativa.

Atualmente, a idade média nos países da OCDE situa-se nos 64,7 anos para homens e 63,9 anos para mulheres. Contudo, esta média deverá subir quase dois anos nas próximas décadas.

Além disso, países como Dinamarca, Estónia, Países Baixos, Suécia, Itália, Eslováquia e Reino Unido também adotam modelos em que a idade da reforma depende da esperança de vida, tal como Portugal.

Assim, alguns países poderão atingir idades próximas dos 70, 71 ou mesmo 74 anos, tornando as diferenças cada vez mais acentuadas.


Taxas futuras de reposição das pensões

A OCDE estima que um trabalhador com salário médio venha a receber uma pensão líquida equivalente a 63% do último salário. Contudo, Portugal surge acima desta média, com valores superiores a 85%, tal como Áustria, Grécia, Luxemburgo e Espanha.

Por outro lado, países como Estónia, Irlanda, Coreia e Lituânia apresentam taxas inferiores a 40%, revelando fortes discrepâncias entre sistemas.

Além disso, estes valores reforçam a importância das reformas estruturais e evidenciam a necessidade de manter sistemas sustentáveis, inclusivos e alinhados com a evolução demográfica global.

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