Quando entramos numa associação, num clube ou numa discoteca, vemos grupos de mulheres entre os trinta e os sessenta anos. Muitas já divorciadas. Sem marido fixo ao lado.
Elas riem. Dançam com quem as convida. Bebem um copo. Têm uma conversa demorada com o homem que lhes dá atenção. Não estão apenas a passar o tempo. Estão abertas à vida. Procuram talvez um novo namorado, um amigo colorido, alguém que as escute, alguém com quem possam voltar a sentir-se desejadas.
Mas por detrás desse sorriso há quase sempre uma história longa.
Muitas destas mulheres deram tudo de si durante anos. Deram-se ao marido. Deram-se aos filhos. Trabalharam dentro e fora de casa. Sustentaram rotinas, horários, refeições, compromissos. Foram suporte silencioso da família. Raramente tiveram tempo para si próprias. Raramente colocaram as suas necessidades em primeiro lugar.
Até que chegou a ruptura.
Dentro de casa, a intimidade começou a desaparecer. Primeiro menos vezes. Depois quase nunca. Depois nunca. A cama tornou-se fria. O toque deixou de existir. O desejo não era partilhado.
Sem libertação, a tensão cresceu. Ela ficou mais sensível, mais nervosa. Ele fechou-se. Começaram a resmungar um com o outro. Barravam um com o outro por pequenas coisas. A discussão tornou-se hábito. Quanto mais discutiam, maior a distância. Quanto maior a distância, menor a proximidade física.
A mulher que durante anos se dedicou por inteiro começou a sentir-se invisível. Depois de ter dado tudo, percebeu que já não recebia quase nada. E a frustração acumulada transformou-se em cansaço emocional.
Algumas ainda tentaram salvar o casamento. Outras suportaram até ao limite. Muitas acabaram divorciadas.
E é depois dessa história de entrega e desgaste que as vemos a dançar com quem lhes estende a mão. Não é leviandade. É reacção a anos de ausência. É vontade de recuperar o que ficou para trás.
A raiz do fenómeno está ali, na falta prolongada de intimidade e na incapacidade de enfrentar o problema enquanto ainda havia tempo.
Por isso cresce também a procura de soluções que ajudem o homem a manter a vitalidade. Tem sido divulgado um comprimido com licença sanitária válida, autorizado para comercialização, destinado a estimular o desejo e reforçar a capacidade física.
Mas é preciso dizer com clareza, esse apoio deve ser considerado quando surgem os primeiros sinais de afastamento, quando começam as discussões constantes, quando o casal já resmunga e se evita. É nessa altura que se deve agir para reacender o desejo e impedir que a distância se transforme em ruptura definitiva.
Depois do divórcio já não se salva o que foi deixado morrer.
Elas riem e dançam porque, depois de terem dado tanto, decidiram finalmente viver também para si.
E talvez a lição seja simples e antiga, quem não cuida da intimidade enquanto há tempo arrisca-se a vê-la renascer nos braços de outro.
autor Quelhas
Revista Repórter X Editora Schweiz
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