Mudanças na Suíça continua em números baixos

Mudanças na Suíça continua em números baixos
Mudanças na Suíça continua em números baixos

Mudanças de casa mantêm-se baixas

Ao longo de 2024, a mobilidade residencial na Suíça manteve-se em níveis historicamente reduzidos, segundo dados oficiais recentemente divulgados. Assim, e de forma consistente, apenas 9,3% da população mudou de residência, repetindo exatamente o valor registado em 2023. Este indicador confirma, portanto, uma tendência de estabilização num patamar que não era observado há mais de uma década.

Além disso, e de forma progressiva, desde 2020 a propensão para mudar de casa diminuiu mais de 10%. Enquanto isso, e em contraste evidente, a migração internacional aumentou no mesmo período. Consequentemente, os movimentos internos perderam peso no conjunto da mobilidade populacional.

Menos mudanças dentro do país

Em termos absolutos, cerca de 697 mil pessoas mudaram de casa em 2024, o que corresponde a aproximadamente 1900 mudanças diárias. Ainda assim, este valor representa uma redução significativa face a 2020, quando cerca de 769 mil residentes tinham trocado de habitação.

Por outro lado, a maioria das mudanças ocorreu a curta distância. Assim, quase três quartos das pessoas que mudaram de casa permaneceram no mesmo cantão. Dentro desse grupo, 36% mudaram dentro da mesma freguesia, enquanto 35% optaram por outra localidade no mesmo cantão.

Em contrapartida, apenas 16% escolheram um cantão diferente e, adicionalmente, 13% mudaram-se para o estrangeiro. Importa ainda referir que as mudanças entre regiões linguísticas continuam raras, uma vez que apenas 2% atravessaram uma fronteira linguística, mantendo-se 98% na mesma região idiomática.

Diferenças regionais acentuadas

A análise regional revela, contudo, variações relevantes. Assim, os cantões de Basileia-Cidade e Neuchâtel registaram as taxas de mudança mais elevadas, com 11,3% e 10,6%, respetivamente. Em sentido oposto, Nidwald e Obwald apresentaram os valores mais baixos, ambos com 7,4%.

De forma semelhante, as zonas urbanas demonstraram maior mobilidade. Com uma taxa de 9,9%, as cidades superaram claramente as áreas rurais, que registaram apenas 7,6%. Esta diferença representa cerca de 30% a mais de mobilidade nas zonas urbanas.

Entre as vinte maiores cidades suíças, Friburgo e St. Gallen destacaram-se pelos valores mais elevados. Pelo contrário, Lancy e Vernier surgiram no extremo inferior da tabela, com taxas inferiores a 8%.

Jovens continuam a liderar mudanças

Apesar da redução geral, os jovens adultos mantêm-se como o grupo mais móvel. Em 2024, quase uma em cada cinco pessoas entre os 20 e os 35 anos mudou de casa. Além disso, 15,2% das crianças com menos de dois anos também registaram uma mudança de residência.

Ainda assim, a quebra observada desde 2020 afetou sobretudo os menores de 60 anos. Neste grupo etário, a frequência das mudanças diminuiu cerca de 10%, refletindo alterações estruturais no mercado habitacional e no comportamento das famílias.

Estado civil e nacionalidade influenciam

De forma consistente, os dados demonstram que os solteiros mudam de casa com muito mais frequência. Em 2024, 12,3% das pessoas solteiras trocaram de habitação, enquanto apenas 6,5% dos casados fizeram o mesmo.

Paralelamente, os cidadãos estrangeiros apresentaram uma mobilidade significativamente superior à dos suíços. Assim, 13,8% dos estrangeiros mudaram de residência, face a apenas 7,6% da população nacional.

Também o género revelou diferenças relevantes. Os homens a viver sozinhos mudaram de casa em 11% dos casos, enquanto as mulheres na mesma situação registaram apenas 8,7%.

Tipo e dimensão do alojamento contam

O tipo de habitação revelou-se igualmente determinante. Os residentes em edifícios com vários apartamentos mudaram de casa duas vezes mais do que os que vivem em moradias unifamiliares. Em números concretos, 10,5% dos primeiros mudaram de residência, contra apenas 5,1% dos segundos.

Além disso, quanto menor o alojamento, maior a probabilidade de mudança. Assim, 15,3% dos ocupantes de casas com um ou dois quartos mudaram de residência. Em contraste, apenas 7,4% dos residentes em casas com quatro ou mais quartos fizeram o mesmo.

Mudanças alteram dimensão da casa

Na maioria dos casos, mudar de casa implicou alterar o número de divisões. Cerca de três quartos das pessoas que mudaram dentro da Suíça escolheram uma habitação com mais ou menos quartos do que a anterior.

Por um lado, crianças até aos 14 anos e adultos entre os 30 e os 45 anos optaram, sobretudo, por casas maiores. Por outro lado, jovens adultos e pessoas com mais de 50 anos escolheram frequentemente habitações mais pequenas, abdicando de espaço.

Quando a mudança ocorreu da cidade para o meio rural, os residentes ganharam, em média, 17 metros quadrados. Em sentido inverso, a passagem do rural para o urbano resultou numa perda média de 24 metros quadrados.

Distâncias continuam reduzidas

Finalmente, a distância média das mudanças internas fixou-se em 13,4 quilómetros. Em cerca de 40% dos casos, a mudança ocorreu num raio inferior a dois quilómetros. Apenas 12% das pessoas se mudaram para um local situado a mais de 30 quilómetros da residência anterior.

Assim, a mobilidade residencial na Suíça continua limitada, privilegiando proximidade, estabilidade regional e permanência no mesmo contexto linguístico e social.

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