Primeiro-ministro em campanha ativa
Montenegro quebra neutralidade institucional ao lado de Marques Mendes no primeiro dia de campanha. Desde logo, o arranque da campanha presidencial ficou marcado por polémica, porque um primeiro-ministro em funções decidiu apoiar publicamente um candidato. Assim, Luís Montenegro surgiu ao lado de Luís Marques Mendes, gerando críticas imediatas dos restantes concorrentes. Além disso, a presença não foi simbólica, pois incluiu discurso político e apelo direto ao voto. Consequentemente, levantam-se dúvidas sérias sobre a separação entre funções institucionais e interesses partidários.
Apoio político com peso governativo
Durante um almoço-comício, Montenegro foi claro e apelou ao chamado voto útil de liberais e socialistas. No entanto, ao fazê-lo, utilizou o cargo de primeiro-ministro como megafone político, o que fragiliza a imparcialidade do Estado. Além disso, este gesto criou um desequilíbrio evidente entre candidatos, uma vez que nem todos dispõem do mesmo acesso ao poder governativo.
Reações imediatas dos adversários
Entretanto, os restantes candidatos optaram por ações simbólicas ou de proximidade. João Cotrim de Figueiredo percorreu os 2,5 quilómetros até Belém, reforçando uma narrativa de esforço individual. Por outro lado, Gouveia e Melo marcou presença na Feira do Relógio, ajustando o discurso ao contacto direto com eleitores. Ainda assim, nenhum contou com apoio institucional comparável, o que acentuou o contraste.
Neutralidade em causa
Enquanto isso, André Ventura iniciou a campanha em Silves, território eleitoralmente favorável. António Filipe escolheu o Barreiro, Jorge Pinto um mercado em Matosinhos e Catarina Martins uma feira no Norte. Paralelamente, António José Seguro apresentou mandatários nacionais, contando com a presença do líder do PS, que respondeu às declarações de Montenegro. Apesar disso, o problema central manteve-se: a interferência governativa na corrida presidencial.
Um precedente perigoso
Por fim, com 15 dias de campanha pela frente, cresce a preocupação democrática. Afinal, quando um primeiro-ministro abandona a reserva institucional, abre-se um precedente que enfraquece a confiança no sistema político e compromete a igualdade entre candidatos.


Seja o primeiro a comentar