Mais de 800 francos por uma queda de bicicleta: justiça ou exagero?” Imagine que, de repente, ao cair da bicicleta, feres-te e, ainda por cima, recebes uma coima de mais de 800 francos. Pois foi precisamente isso que aconteceu a uma mulher em Genebra que, ao apanhar a roda no trilho de um eléctrico, caiu, lesionou‑se e acabou por ter de pagar 810 francos. Esta situação levanta questões sérias sobre proporcionalidade e justiça.
A queda e as consequências
Na cidade de Genebra, no mês de Abril, uma ciclista de quarenta e poucos anos ficou com a roda do seu velocípede encravada num trilho de eléctrico e caiu. Como resultado, fracturou a mão, o ombro e partiu três dentes. Além disso, esteve quatro meses de baixa. Um cenário complicado que, no entanto, não evitou que acabasse por ser sancionada.
A declaração do agente e a sanção aplicada
A ambulância, presente no local por acaso, socorreu‑a e a polícia foi alertada por um socorrista. O agente da autoridade fez um teste de alcoolemia que deu negativo. Ainda assim, disse‑lhe que teria de ser multada por “condução de um veículo sem o manter sob controlo constante” e “colocação em perigo”. Mais tarde, a ciclista recebeu uma ordem penal: 660 francos de multa e 150 francos de encargos administrativos — totalizando 810 francos.
Uma multa classificada de “excessiva”
O advogado Romain Riether, especialista em direito rodoviário, considera a sanção “excessiva”. Ele argumenta que o direito penal permite dispensar a punição quando a própria pessoa sofreu directamente as consequências do seu acto — como foi o caso. Acrescenta que a legislação poderia prever a não imposição da coima quando a vítima já sofreu dano relevante.
A regulação aplicável e o enquadramento legal
No cantão de Genebra, as amendes de ordem para infrações rodoviárias têm valores máximos relativamente baixos para bicicletas — por exemplo, uma infração de ciclista na categoria pode levar a coima máxima de 300 francos. Contudo, esta sanção de 810 francos foi imposta via ordem penal, o que permite valores superiores. geneve.ch+2www.watson.ch/+2 É ainda relevante notar que os trilhos de eléctrico constituem um risco bem documentado para quem circula de bicicleta. tdg.ch+1
Reflexão crítica: justiça ou penalização demais?
Por um lado, é essencial que todos os utentes da via pública — incluindo ciclistas — conduzam com prudência. Por outro lado, receber uma multa superior a 800 francos após já ter sofrido uma queda grave gera uma forte sensação de injustiça. Além disso, o advogado destaca que quem já sofreu as consequências do próprio ato acaba por pagar em dobro. Este caso levanta a dúvida sobre se a sanção foi proporcional face às circunstâncias, nomeadamente sem presença de outro veículo envolvido e sem circulação impedida.
Concluindo
Em conclusão, embora as autoridades considerem que a ciclista agiu de forma negligente, ainda assim, o elevado valor da multa e o contexto — incluindo a queda, as lesões e a ausência de terceiros — tornam o caso claramente polémico. É importante que as autoridades avaliem a gravidade dos factos caso a caso, de modo a assegurar que a punição não se torne excessiva. Este episódio chama‑nos à atenção para a necessidade de pistas cicláveis mais seguras, especialmente em áreas com trilhos de elétrico, bem como para uma jurisprudência mais equilibrada no tratamento dos acidentes envolvendo ciclistas.
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