Relógios analógicos em risco
Jovens perdem hábito de ler horas tradicionais. Os especialistas alertam que, embora a escola continue a ensinar o relógio de ponteiros, muitos adolescentes já não conseguem interpretá-lo. E, enquanto vários adultos se mostram surpreendidos, os dados confirmam a tendência. Assim, durante um salão dedicado ao ensino, cerca de 70% dos jovens questionados tiveram dificuldade em identificar horas simples. E, como consequência direta, muitos admitiram não fazer ideia de que marcavam 10h09 ou 11h55. Além disso, vários afirmaram que «já não precisam» de relógios tradicionais, já que consultam tudo no telemóvel.
Ainda assim, o especialista em educação Christoph Kohler considera esta incapacidade inesperada. E, sobretudo, lembra que a leitura de relógios analógicos continua a fazer parte do ensino primário. Portanto, embora seja natural que alguns alunos esqueçam essa competência, o elevado número de jovens próximos da vida profissional causa perplexidade.
Competência útil, mas menos exigida
De forma diferente, o investigador juvenil Simon Schnetzer afirma não estar surpreendido. E, sobretudo, destaca que «a hora é hoje quase sempre digital». Segundo ele, os jovens raramente enfrentam situações que exijam a leitura de ponteiros. Portanto, a habilidade continua útil, mas deixou de ser indispensável.
Contudo, Christoph Kohler contrapõe que os relógios analógicos permanecem presentes em estações ferroviárias e em inúmeras pulseiras tradicionais. Assim, insiste que saber ler um mostrador clássico continuará relevante no quotidiano. E acrescenta que, mesmo que a prática se perca, o esforço para reaprender é reduzido, o que impede um verdadeiro problema educativo.
Diferença geracional alimenta tensões
Para Schnetzer, o essencial reside num choque de gerações. E, por isso, muitos adultos mais velhos sentem desconforto quando percebem que o que sempre foi considerado essencial pode deixar de o ser. Afinal, os jovens desafiam certezas antigas, o que leva os mais velhos a questionar o valor das suas próprias competências.
Impacto no desenvolvimento infantil
A indústria relojoeira acompanha esta discussão com atenção. E, apesar das tendências digitais, marcas como a Flik Flak recusam abandonar os ponteiros. A empresa sublinha que ler horas num relógio analógico é decisivo para o desenvolvimento cognitivo e cultural.
Além disso, explica que esta prática reforça o raciocínio matemático, as noções de fracções e a interpretação de um círculo. E, sobretudo, incentiva a perceção espacial e visual. Por isso, compreender o tempo desde cedo é visto como uma aptidão fundamental, cuja ausência pode limitar a confiança e a autonomia dos jovens no dia a dia.


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