Jovem portuguesa vive terror na Suíça

Jovem portuguesa vive terror na Suíça
Jovem portuguesa vive terror na Suíça (Foto ilustrativa)

Jovem portuguesa vive terror na Suíça. Uma jovem portuguesa de 27 anos descreveu, durante o julgamento em Martigny, o período em que foi mantida cativa por um português rentista suíço da AI. O caso ocorreu entre 2021 e 2022 e, embora tenha terminado há mais de três anos, continua a marcar profundamente a vítima que, ainda hoje, evita regressar à Suíça. A intensidade do seu relato voltou a expor um caso que abalou o Valais.

Vítima testemunha à distância

A jovem falou aos juízes através de videoconferência, diretamente do tribunal de Viana do Castelo. E, enquanto respondia às perguntas, mostrou um enorme desconforto. Além disso, manteve sempre as mãos nos bolsos, numa tentativa evidente de esconder a ansiedade. Ela confessou que ainda tem medo do agressor, sublinhando que jamais voltará ao país onde viveu o que considera ter sido “um ano de pesadelo”.

Enganada por promessas de trabalho

A vítima contou que o condenado, um compatriota 30 anos mais velho, a conhecia desde Portugal. Ele tinha emigrado em 2000 e mantinha contacto com a família. Eventualmente, propôs ajudá-la a encontrar trabalho na Suíça e ofereceu-se para pagar a viagem. Assim, a jovem acreditou na oportunidade de começar uma nova vida. Porém, logo após chegar ao Valais no verão de 2021, tudo mudou de forma abrupta.

Controlos constantes e isolamento total

Segundo o depoimento, o homem retirou-lhe os documentos e proibiu-a de sair sozinha. Além disso, quando abandonava a casa, trancava-a por dentro para impedir qualquer fuga. Embora a defesa tenha afirmado que as janelas estavam acessíveis, a vítima insistiu que vivia dominada pelo medo, pela dependência e pela desorientação num país onde não falava a língua e não conhecia ninguém. Sempre que escapava, acabava por regressar sem alternativas.

Violência sexual diária

A jovem foi clara ao relatar as agressões. Explicou que o homem a forçava a manter relações sexuais, rasgava-lhe a roupa e impunha comportamentos que ela nunca aceitou. “Era todos os dias”, afirmou. Além disso, descreveu a obrigação de fingir ser sua esposa, algo que lhe causou grande humilhação. O tribunal sublinhou que este padrão de violência demonstra uma situação de completa submissão e medo constante.

Manipulação desde Portugal

Durante a investigação, o condenado admitiu saber que a jovem vivia em condições precárias. Por isso, contactou a família através das redes sociais e, posteriormente, encontrou-se com a mãe num centro comercial em Portugal. Aí, apresentou-se como um benfeitor, prometendo segurança e estabilidade. Contudo, segundo a acusação, estas promessas foram apenas um método de aliciamento.

Defesa tenta descredibilizar sequestro

O arguido não compareceu ao julgamento por motivos de saúde. O seu advogado argumentou que a acusação tinha “lacunas” e insistiu que a jovem esteve sempre livre de sair. Além disso, referiu que ela regressou várias vezes ao apartamento por vontade própria. No entanto, a representante da vítima explicou que regressou por total ausência de alternativas, reforçando a existência de “emprise psicológica”.

Testemunho consistente e condenação firme

A procuradora destacou a consistência da jovem e apontou as contradições do acusado. Ele alternou entre alegações de amor, consentimento e acusações de assédio por parte da vítima. Contudo, estas versões fragmentadas não convenceram o tribunal.

O homem foi condenado a oito anos de prisão por violação e sequestro. Enquanto aguarda o desfecho de um eventual recurso, permanece em liberdade. Caso a sentença se mantenha, será expulso do território suíço durante dez anos após cumprir a pena. A vítima receberá ainda 15 mil francos por danos morais.

Segundo a advogada da jovem, o tribunal reconheceu claramente que este caso nada teve de uma relação de casal, mas sim de um crime grave.

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